Eu respirei fundo. Eu acalmei-me. Eras sempre do contra. Raramente concordavamos ambos em algo, oh, mas quando concordavamos não ficávamos satisfeitos. Nós tinhamos sede de saber sempre mais e mais um do outro, opiniões, ideias. Discutir sempre foi a nossa atividade preferida. Mas quantas vezes eu não chegava a casa frustrado, angustiado, apenas por pensar que não tinhamos nada a ver um com o outro, e estaria a amar alguém que não condizia com a minha personalidade. Mas nós eramos teimosos, eramos aquele reduzido pedaço de imperfeição que tanta gente desejava. Apesar de toda a gente achar que os teus olhos verdes não combinavam com os meus cinzentos, ou a minha pele morena não combinava com a palidez da tua, nós eramos quem queríamos ser, e fomos felizes (por momentos).
Sempre que fecho os olhos, deparo-me com a dor toda que me trouxeste, mas não me importo. Eu gosto de a sentir. Sinto-me masoquista, e não vou fingir que não o sou. A dor que me trouxeste e trazes é a memória mais vívida que tenho tua. E eu prometi amar tudo de ti, tu em mim. E eu amo. Amo demais. A dor rasga-me o peito de uma maneira inimaginável.
Ainda me custa quando os meus amigos perguntam-me como estou. Não costumo fingir, mas se não fingir eles vão continuar a perguntar-me e a tentar aconselhar-me de coisas que não fazem ideia até dizer que estou bem. Poupo todos, todos saem a ganhar.
Mudaste-me tanto. Eu era fraco, destruível. E tu deste-me confiança tal que me salvaste, e é por isso que ainda consigo viver com esta dor toda. E eu não te consegui salvar, não consegui ajudar-te.
O QUANTO EU TE ODEIO. Tornaste-me num ser tão mais obscuro quando eu era uma pessoa tão vívida, e agora eu fecho-me no meu quarto, penduro fotos nossas e tuas na parede e mergulho na maldita nostalgia. Não me consigo concentrar nos estudos, só consigo pensar em ti. As minhas notas desceram bruscamente quando te foste embora, e os meus pais pararam de ser os mesmos. Começo a pensar que eles me educam apenas e exclusivamente para eu ter uma vida sem eles. Nem eles imaginam o quão impossível isso é. Não sou muito bom em nada, não sou nenhum prodígio, não tenho nenhum talento, não sou especial, nem nunca vou ser alguém reconhecível, vou continuar a ter uma vida média, um emprego estável que odeio, casar com alguém que não gosto (porque não és tu), ter filhos, e criá-los da mesma maneira, para terem a mesma vida miserável que eu tenho. E depois ponho-me a pensar em tudo o que podíamos ter. A minha nunca iria ser miserável se não tivesses partido. Podíamo-nos mudar para o Japão onde serias artista de Manga, ter 2 filhos, e talvez eles desenvolvessem o teu talento.
Dou por mim a chorar. Nunca vou ter nada que valha a pena. Foste a minha oportunidade, e escapaste-me das mãos, dos braços, mas nunca da mente. Lá permaneceste. E eu queria esquecer-te, mas há coisas impossíveis, como mudarmo-nos para o Sol, ou outra galáxia qualquer. Não obstante, tu eras o meu Sol, a minha galáxia, as minhas estrelas, e tudo o que existe cá dentro, és tu. Tu em mim, mas eu nunca em ti.
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O Veneno da Tua Chama
RomanceNunca pensei em dar um simples passo e encontrar-te. Como olhavas para os meus pés quando falavas comigo, ou como sorrias parvamente quando te elogiava. Era o calor dos teus olhos, a tua barulhenta respiração. Era tudo sobre ti. A simplicidade do te...
