Capítulo 3: obcecado.

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Rafael Armando Souza
Boston, 27 de agosto de 2019

Ela me olha como se eu estivesse cometendo um crime, com aqueles olhos enormes esverdeados. Não consigo definir se são verdes ou azuis.

— Apesar de não me sentir ofendido loirinha com seu comentário, devo te informar que não sou gay. Aqueles dois são meus amigos, e não gostei do jeito que você estava olhando para eles, como se desejasse tê-los. — digo com a cabeça baixa, quase encostada no seu ouvido direito.

Ela me encara com uma expressão indecifrável, não sei se está achando graça do meu ciúmes repentino, ou se está tentando de alguma forma entender o que se passa na cabeça do estranho que ela conheceu hoje.

— Não posso negar, seus amigos são dois pedaços de mau caminho, mas estava apenas olhando. Não precisa se preocupar, se for tocar neles peço sua autorização por escrito, autenticada no cartório, antes de qualquer coisa — ela diz com um sorriso nos lábios, um sorriso bem sacana de quem me desafia.

Estou começando a perder o meu juízo, pelo menos o que sobrou dele. Com certeza ela está me desafiando.

Bufo e me afasto.

Olho bem dentro dos olhos dela, e antes que ela se levante retomo minha posição de antes, ainda mais perto do seu rosto.

— Vou te dizer uma coisa loirinha, você nunca vai tocar neles, espero ter sido claro.

— E eu espero estar sendo clara quando digo que: você não manda em mim, meu nome é Maddison, e eu estou pouco me lixando pro que você quer ou deixa de querer. — e nisso ela já vai se levantando, com uma expressão furiosa, quando vejo já dei um passo para trás — Já tenho homens se metendo na minha vida o suficiente, não preciso de mais um que inclusive conheci ontem.

Quando eu vejo ela já está de pé, e eu já dei pelo menos uns três passos para trás, essa loira vai ser minha perdição, tenho certeza.

"Ei seus dois imbecis eu achei ela" ouço uma voz conhecida avisando, pouco atrás de nós.

A morena que estava dançando com a Maddison chega perto da amiga.

— Olá meu amorzinho, seus irmãos estão te caçando a uns 5 minutos e você está aqui escondida atrás dessa parede hein — vejo ela me medir de cima a baixo, "parede"? Jura? Eu nem sou assim tão grande.

Claramente está bêbada, mais ainda que Maddison, que parece ter ficado sóbria num piscar de olhos.

— Deixa esses dois me procurarem, eu vou dando o fora, não tem nada aqui pra mim e com certeza a corrida que o Dylan me prometeu não vai acontecer. —corrida? Que história é essa?

E ela vai sair dirigindo? Mas como se bebeu igual um camelo no deserto?

— Ei ei ei mocinha espera ai, vai ir dirigindo? Você bebeu um monte! — já cruzo os braços e faço minha melhor cara de homem responsável que sabe o que está dizendo.

— Quem você pensa que é? Meu pai? — ela passa pelo meio de sua amiga e eu — Já falei, cuida da sua vida! — pega a chave do carro e vai andando.

Quando vejo já fui atrás dela e a segurei pelo cotovelo.

— Não senhora, não vou te deixar ir.

Over Road - Pela EstradaOnde histórias criam vida. Descubra agora