Capítulo 2: Os Relâmpagos do meu céu

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   O lado bom de não ser sociável, é ter uma coleção extensa de vídeos para assistir, e tempo de sobra para isso. Eu amo ver conteúdos com temas que abrangem: viagem no tempo, espaço, teorias sobre a realidade, entre outras coisas. Estava em um desses vídeos de costume, quando um anúncio de um tema novo me chamou atenção, no título do vídeo dizia: "aprenda a controlar seus sonhos." Eu achei isso fascinante, imagine poder voar, soltar poderes de animes no seu sonho, ou algo mais simples... Não tão simples, de todo modo, vocês verão logo.

   Comecei a fazer os passos do tutorial daquele vídeo, tinha toda convicção que seria capaz de controlar meus sonhos. Nos primeiros dias eu sempre esquecia de manter minha mente naquilo, parecia fácil no vídeo, mas criar um habito não e algo simples. Não obtive resultados no primeiro mês. Embora não estivesse tendo os frutos do meu treino, eu não estava mais escutando os trovões, eu já conseguia ver as luzes dos relâmpagos.

   No segundo mês daquele treino exaustivo, eu tive meu primeiro sonho, não, eu não pude controlar, mas pela primeira vez eu sabia que estava em um sonho e não acordei. Foi estranhamente legal. Era uma colina verde, com um carvalho velho no pico, com um balanço preso em seu galho. Já notaram como, quando lembramos de um sonho, a imagem que passa pela nossa mente tem um efeito de desfoque, embaçado, como acordar de manhã com a vista turva. Eu não sei se é com todo mundo que isso ocorre, talvez seja só reflexo de anos vendo filmes cheios de flashbacks com esse efeito desfocado... É eu fiz de novo.

   As nuvens eram brancas, o céu mais azul do que o normal e embaixo da colina, bem la no horizonte, eu podia ver o mar, ouvir o som das ondas e das gaivotas. Eu estava tão em paz com aquele cenário, que abaixei todas as minhas guardas e foi nesse momento que uma voz doce, porém, calorosa me disse:

— Aí! O que você esta fazendo aqui?

   Eu tomei um susto, e virei tão rápido para trás que cai de costas no chão, um tombo bem humilhante. Quando eu estou nesses estados de estresse, medo, ou até mesmo ansiedade. Minha visão fica fechada, como se eu não conseguisse muito bem focar no que esta a frente, é como se fosse a neblina da minha tempestade e isso fez com que eu não conseguisse ver quem estava ali.

— Também não é para você cair assim. Vai, deixa eu te ajudar a levantar! — Disse aquela pessoa, estendendo sua mão para mim que ainda estava no chão.

   Minha vista estava embaçada, e a iluminação não ajudava, eu só conseguia ver uma mão e a silhueta de alguém que estava contra o sol. Eu aceitei a ajuda, e enquanto isso acontecia, o ângulo da minha visão mudava, deixando o sol de canto e a silhueta se tornando visível e reconhecível. Era uma garota, com a pele branca como as nuvens, olhos escuros e puxados, uma oriental possivelmente, seu cabelo era comprido e com uma franja sobre os olhos em um castanho avermelhado, que parecia pegar fogo como a luz do sol. Ela era a combinação do branco das nuvens e o vermelho do sol ao entardecer, meu momento preferido do dia e talvez, o rosto mais lindo que já havia visto.

— Quem é você? — perguntei um pouco envergonhado, não sou bom em conversar com estranhos. Ela olhou para mim e sorriu, enquanto se virava para o sol apontando-o, me respondeu: — Eu sou como esse dia aqui, me chamo

Sunny.

   Eu conseguia escutar o que ela me disse, mas, minha mente colocou sua voz no plano de fundo daquela cena, meu hiper foco se ativou ao olhar para ela e fiquei perdido admirando-a. Era como um anjo com suas asas escondidas. — Ah! Mas... isso ainda não explica muita coisa... Claro! Eu estou em um sonho.

— Falei enquanto gaguejava — Você é sempre assim? Precisa de uma resposta para tudo. — Disse a moça com um tom de ironia.

   Eu fiquei intimidado com sua frase, o que me fez ficar calado por alguns segundos. Geralmente esses momentos acabam me fazendo ir embora ou encerrar a conversa. As pessoas não se importam muito em continuar conversas comigo, eu entendo sabe, deve ser desgastante me aturar por muito tempo...

— Ei! Eu estou brincando com você. Não precisa ficar assim calado. — Disse ela enquanto sorria para mim.

   Espera um pouco, ela... Ela continuou a conversa, isso acontece?! Não sei como reagir. Isso foi o que eu pensei naquele dia, e o pensamento ainda é o mesmo até hoje, sendo franco, ela era um dia ensolarado e eu apenas uma nuvem carregada que só era arrastada pelo vento, nem controle sobre mim mesmo eu tinha. Embora eu estivesse preso dentro da minha mente, e sem reação, ela segurou em minha mão enquanto sorria e disse:

— Vem! Eu vou te mostrar esse lugar.

   Então fomos andando para o horizonte, felizes para sempre. Fim.

...

...

...

   O que foi? Você ainda está aí? A história já acabou, eles foram felizes. Como assim você não acredita?

...

...

...

   Tá! Eu acordei nesse momento...

   Quando abri meus olhos, me vi em meu quarto, com os olhos levemente marejados, eu estava mesmo triste?! Tinha sido um sonho tão bom. Me levantei da cama abruptamente e por não notar algo que estava jogado no chão, quase cai tropecei, aquilo estava uma verdadeira zona. Um fato importante de pessoas como eu, é que, não conseguimos nos importar com arrumar nossa bagunça, não digo isso por preguiça ou por ser um adepto da desordem. É que quando você tem uma tempestade na sua cabeça, todo esforço externo para qualquer atividade, é muito maior.

   Geralmente os sonhos são como lembranças da infância, voltam às três da manhã para te tirar o sono e somem tão rápido quanto vieram, mas esse não teve o mesmo destino, pois eu me lembrava dele. Fiquei alguns minutos olhando para a minha mão, a mão que ela havia segurado. Meu trabalho estava um caos, minha vida uma bagunça, mas ainda sim, entre as nuvens daquela tempestade, nos pequenos buracos que separavam uma das outras, eu pude ver os raios de sol.

— Afinal, quem é ela?

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⏰ Última atualização: Oct 16, 2023 ⏰

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Como eu encontrei o amor em meus sonhosOnde histórias criam vida. Descubra agora