Capítulo 46

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- 𝙇𝙪𝙠𝙚 𝘾𝙝𝙧𝙞𝙨𝙩𝙤𝙥𝙝𝙚𝙧.

No final da tarde, depois que pude melhorar um pouco da minha dor de garganta e minhas dores no corpo, meu namorado me levou em casa para eu me encontrar com minha mãe e contar a ela que estou namorando Jack. Ele quis ficar comigo enquanto contava a novidade por motivos óbvios, mas recusei gentilmente, porque dessa vez, eu deveria lidar com isso sozinho. Jack com certeza não gostou da ideia, mas não quis argumentar comigo e esperou lá fora com seu carro.

Eu precisava contar a minha mãe minhas decisões, pelo menos uma vez.

Era minha mãe afinal.

E foi uma das piores decisões que fiz.

Nunca pensei que choraria tanto dentro do carro de Jack como uma criança.

Aquelas palavras tentadoras e maldosas ecoaram em minha cabeça como um loop. Queria sumir, queria desaparecer para não precisar pensar que sou um inútil e um peso morto para minha mãe de acordo com as suas palavras ríspidas.

Doía tanto. Apertava meu peito saber que minha mãe sequer gostava de mim, e apenas me deixou permanecer no mesmo teto que ela porque se sentiu obrigada. Minha mãe nunca me amou de verdade, ela nunca se importou comigo.

Quando toquei no assunto de que queria me mudar, minha mãe começou a ficar afiada, e jogou comentários sarcásticos para mim mesmo eu sequer tendo iniciado o assunto. Tentei ignora-la, e ir direto ao ponto, mesmo minha voz travava e minhas mãos suavam.

Brinquei com meus dedos, mordi os lábios arrancando um pouco de pele deles, tudo porque estava nervoso e ansioso sabendo que minha mãe iria disparar comigo. Porque eu conhecia minha mãe, mas ela não me conhecia, nunca fez questão disso desde meu nascimento.

Isso dói.

Eu disse a ela, que estava apaixonado por Jack e que desejava morar com ele. Sem dúvidas eu gaguejei como nunca por estar ansioso. Acho que fui um pouco idiota em não deixar Jack vir comigo, sei que ele contaria essa novidade de forma pacífica.

Mas eu não fui direto, mas também não enrolei em falar. Me machuca saber que precisava de um esforço para conversar com minha mãe. Comentar sobre meus sentimentos e detalhar eles nunca foi fácil, provavelmente por culpa dela.

Engraçado eu pensar por dois segundos que minha mãe me aceitaria do jeito que sou, do jeito que me sinto. Tive esperanças de que algum dia, ela se interessasse por mim, saber mais sobre meus pensamentos, sobre seu filho... Que pensando por esse lado, não mais.

Porque ela simplismente jogou em minha cara, que quando saísse daquela casa, eu nunca mais iria voltar. Não só isso, mas como também nunca mais serei um vínculo dela, e traduzindo bem sua fala, ela me deserdou, dizendo com suas palavras, rudes, frias e dolorosas.

Por que ela faz isso comigo?

Por que ela não gosta de mim?

Por que ela não me ama?

As perguntas ecoaram em minha mente quando meus olhos ficaram úmidos.

Minha mãe não se importou ao ver que estava me machucando, e mesmo assim cuspiu palavras preconceituosas quando escutou a frase "Estou namorando com Jack." Gritou dizendo que isso era inaceitável, e abominável. Me senti sujo, me senti indiferente...

Até que finalmente senti as lágrimas escorrerem de meu rosto.

Mas isso não foi o suficiente para minha mãe parar, porque no fim de seus julgamentos, ela me disse que sou um pecador e um monstro.

Meu Vizinho Obsessivo (DARK ROMANCE) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora