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||THIAGO MARTINS REIS ||

Sábado.

Finalmente.

Depois de uma semana inteira praticamente vivendo dentro de operação, tudo o que eu queria era uma coisa simples: dormir.

E muito.

Ser chefe do BOPE do Rio de Janeiro nunca foi exatamente fácil — muito menos tranquilo. Sempre foi meu sonho ser policial, desde moleque. Hoje eu posso dizer que consegui.

Mas não foi de graça.

Nada na minha vida veio fácil.

Sempre fomos só eu e minha mãe. Meu pai… nunca fez questão de existir.

Na época, quando eu era mais novo, aquilo pesava. Eu me perguntava o que tinha de errado comigo pra ele simplesmente não me querer.

Hoje?

Hoje eu vejo que o problema nunca fui eu.

Ele só não prestava mesmo.

Soltei um suspiro, virando de lado na cama.

Minha mãe deu a volta por cima sozinha. Me criou praticamente sem ajuda nenhuma, trabalhando e se virando como dava.

Hoje, ela leva a vida do jeito dela. Se encontrou na confeitaria — vive testando receitas novas, inventando moda na cozinha, fazendo bolo, doce… essas coisas. Às vezes, vende algumas encomendas, mais por gosto do que por necessidade.

Ela gosta de se sentir ocupada. Independente.

E eu gosto disso nela.

Mesmo assim, tudo o que ela precisa, eu faço questão de dar.

Não por obrigação…

Mas porque ela merece.

Fechei os olhos, pronto pra finalmente aproveitar meu merecido descanso…

Quando meu celular começou a vibrar sem parar.

Franzi o cenho, tateando o criado-mudo até encontrar o aparelho.

Vitor.

Claro que era ele.

Deixei tocar.

Parou.

Tocou de novo.

E de novo.

Soltei um resmungo irritado antes de atender.

— Fala logo, o que foi? — minha voz saiu mais rouca do que eu esperava. — Já não basta passar a semana inteira grudado em mim?

— Nossa, Thiaguinho… que isso, cara. Logo cedo assim?

Revirei os olhos, mesmo sabendo que ele não podia ver.

— São sete da manhã de um sábado. Se isso não for importante, eu juro que vou te matar.

— Eu sei que, no fundo, essa tua raiva toda é amor por mim.

— Continua acreditando nisso — respondi, seco. — Agora fala.

— Tu ficou sabendo que a prima da Larissa chegou ontem de São Paulo?

Franzi o cenho.

— Eu nem sabia que a Larissa tinha prima.

— Pois tem. E, pelo que eu vi… é gata.

Soltei uma risada curta, sem humor.

— E desde quando tu virou avaliador oficial de gente bonita?

— Fui dar uma stalkeada básica, né, pai.

Balancei a cabeça, já imaginando a cena.

— Tu não presta.

— Presto sim. Inclusive, hoje vai ter uma festinha… e ela vai.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

— Tá — falei, por fim. — E por que isso é problema meu?

— Porque a gente vai.

Soltei um suspiro pesado.

— A gente nada. Tu vai.

— Deixa de ser chato, Thiago. Vai ser bom pra tu sair um pouco.

Passei a mão no rosto, ainda de olhos fechados.

— Eu penso.

— Pensar nada. Já tá confirmado.

— Vitor—

— Beijo, amor da minha vida!

A ligação caiu antes que eu pudesse responder.

Fiquei alguns segundos encarando o teto, em silêncio.

Então soltei uma risada baixa, negando com a cabeça.

— Filho da mãe…

Joguei o celular de lado e fechei os olhos de novo.

Talvez eu até fosse nessa tal festa.

Talvez.

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Oii amigas!! Oque acharam do ep? Me contem.💕

Tá chegando perto do encontro dos nossos divos!!!

Será que as diferenças vão atrapalhar a relação deles? Bom isso vocês só vão saber depois...

Beijos maravilhosas!💋




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