||LUYSA ANTONELLI CASTRO ||
O aeroporto de São Paulo estava mais cheio do que o normal naquela manhã, mas, ainda assim, o barulho ao redor parecia distante.
Eu observava o movimento com o olhar perdido, os dedos entrelaçados sobre o colo enquanto esperava o anúncio do meu voo.
Cinco anos.
Cinco anos longe de casa.
Tempo suficiente para me formar em Direito, construir uma carreira sólida e me tornar um nome respeitado na advocacia criminal em São Paulo.
Tempo suficiente para aprender a me virar sozinha. Tempo suficiente… para mudar.
Ou pelo menos era isso que eu gostava de pensar.
Soltei um suspiro baixo, pegando o celular para avisar a única pessoa que sabia da minha volta.
“Tô embarcando já.”
Larissa.
Minha prima, minha melhor amiga, praticamente uma irmã. A única que não faria perguntas demais… pelo menos não de imediato.
Um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios ao lembrar da infância, das brincadeiras em que eu insistia em ser advogada enquanto todos ao redor vestiam fardas imaginárias.
Irônico.
Em uma família dominada por policiais — civis e federais —, eu escolhi justamente o lado oposto.
Enquanto eles prendiam, eu defendia.
E, surpreendentemente, eu era boa nisso. Muito boa.
O chamado para o embarque ecoou pelo aeroporto, me tirando dos meus próprios pensamentos. Levantei, ajeitando a bolsa no ombro e seguindo em direção ao portão, sem olhar para trás.
Como se, de alguma forma, eu estivesse deixando mais do que apenas uma cidade para trás.
O calor do Rio de Janeiro me atingiu assim que saí do aeroporto.
E, pela primeira vez em muito tempo, aquilo não incomodou.
Um sorriso genuíno surgiu no meu rosto enquanto eu observava o movimento ao redor. O caos familiar, o sotaque arrastado, o clima — tudo parecia, finalmente, no lugar certo.
Eu estava em casa.
Meus olhos percorreram o local até encontrarem uma figura conhecida à distância.
Cabelos loiros longos, corpo chamativo e uma energia impossível de ignorar.
Larissa.
Soltei uma risada baixa antes mesmo que ela chegasse perto.
— Lu! — ela praticamente gritou, correndo na minha direção e me envolvendo em um abraço apertado. — Eu tava morrendo de saudade!
— Eu também senti sua falta — respondi, sincera, rindo com a empolgação dela.
— Nunca mais inventa de ir morar longe, ouviu?
Ergui uma sobrancelha, divertida.
— Prometo pensar no seu caso.
Ela revirou os olhos, mas o sorriso continuava ali.
— Agora vamos — disse, já puxando minha mala. — A gente ainda tem uma surpresa pra fazer.
Franzi o cenho.
— Surpresa? Eu devia me preocupar?
— Com certeza — respondeu, rindo. — Mas você vai gostar.
O caminho foi preenchido por histórias, risadas e atualizações de tudo o que eu havia perdido nos últimos anos.
E, por alguns instantes, parecia que nada tinha mudado.
Mas tinha.
E, no fundo, eu sabia disso.
Como já era tradição, a casa dos meus pais estava cheia.
Era sexta-feira, horário de almoço — o suficiente para reunir praticamente toda a família em volta de um churrasco. Risadas, vozes altas e o cheiro de carne assando preenchiam o ambiente de um jeito familiar demais para ser ignorado.
Parei por um segundo antes de entrar.
Respirei fundo.
E então segui.
Horas depois, já no fim da tarde, o cansaço finalmente começou a pesar.
Depois de matar a saudade, ouvir perguntas, desviar de outras e receber mais abraços do que eu conseguia contar, decidi ir embora.
Meu apartamento — que eu havia comprado antes de sair do Rio — estava exatamente como eu lembrava.
Silencioso.
Organizado.
Seguro.
Tomei um banho demorado, deixando a água quente escorrer como se pudesse levar embora o peso dos últimos anos.
Ao sair, liguei o ar-condicionado no mínimo, me joguei na cama e fechei os olhos.
Meu corpo estava exausto.
Mas a minha mente…
A minha mente ainda não tinha voltado completamente.
Porque, no fundo, eu sabia:
Voltar para o Rio não era só um recomeço.
Era um confronto.
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Oi Divas!!!
Espero que tenham gostado do primeiro episódio, como eu falei é minha primeira fanfic então pfv relevem os erros ortográficos e etc..
Bom é isso espero que tenham gostado. ❤️🩹✨️
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Os Opostos Se Atraem
Storie d'amore"Resolve esse impasse E assuma pra gente, essa louca paixão Me abraça e me beija Que eu tomo conta de você" Será que realmente os opostos se atraem? Será que uma advogada criminalista e um agente da polícia federal vão dar certo? Isso só o tempo va...
