Sou bipolar

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Tava no meu quarto, comendo Nutella. Sozinha em casa, em pleno domingo. Só de pensar que amanhã eu tenho aula, me dá vontade de vomitar. Que bostaaaaa!
Porque eu tenho que ir praquele inferno? Se foder.
Estou escutando música no máximo. Quando eu escuto música, foda-se o mundo, então, se você tem amor pela sua vida, me deixa comer minha Nutella em paz.
Fico olhando pro teto do quarto. É branco, um branco sem graça.
Acabo dormindo.
Acordo 3 horas da manhã. Nessa hora meu pai já deve ter dormido. Levanto, vou na cozinha pegar cumida, volto, fecho a porta, pulo na cama e durmo.
Acordo no dia seguinte, 6:50.
Poha, odeio acordar cedo.
Levanto e vou pro banheiro. Tomo um banho, visto uma calça jeans e a blusa do uniforme. Pego a minha mochila e desço as escadas, em direção à cozinha.
Comeeeerrr!
Pai: Bom dia filha.
Eu: Oi.
Resmungo como resposta. Quando eu to com sono, eu fico muito puta.
Saio de casa e espero em frente à rua.
Cadê aqueles travecos?
O carro da Giovanna vem em minha direção.
Jô: Bom dia Manu.
Eu: O que que tem de bom nessa poha de dia?
Ela ri.
Entro no carro e fecho a porta.
Agente foi buscar mais um povo por aí. Não prestei atenção. Eu durmi.
Alguém balança meu ombro.
Austin: Manu? Ta viva ainda?
Manu: Poha Austin, não ta vendo que eu to tentando dormir? Mas que bosta.
Jô: Falei pra você não acordar ela.
Austin: Mas agente já chegou na escola.
Manu: Mas que merda Austin.
Desço do carro.
Vou direto pro meu armário e jogo uns livros lá, depois pego outros.
Vou pra sala e sento do lado da Mariene.
Mari: Bom dia Manu.
Manu: Agora é sério: O que diabos vocês vêem de bom em uma porra de segunda-feira?
Acho que a Mari morreu. Morreu mesmo. Morreu de tanto rir. Ela tava vermelha.
Fiquei as três aulas inteiras se fazer nada. Desenhava no caderno, olhava pras paredes e ficava atoa.
A semana toda foi um cu de tédio.
Até quinta à tarde, quando eu tava vendo Supernatural na tv. Cara, o Dean é muito gostosoooooo. Velho do céu. Ele meu. Ouviram putas? O Dean é MEU. M E U. Meu.
Meu pai invade a sala.
Eu: Oi pai.
Ele desliga a TV.
Eu: Pô pai! Tava vendo Supernatural.
Aff.
Pai: Filha, tenho que conversar com você seriamente.
Eu: Sim?
Pai: Nós vamos nos mudar.
Eu: De cidade?
Pai: Não. De casa. Vamos morar um pouco longe.
Eu: Ta bem. Agora eu posso ver o Dean?
Ele me entrega o controle. Ligo a TV.
Pai: Empacota suas coisas. Saímos daqui amanhã.
Amanhã? Como assim? Amanhã é sexta. Melhor ainda. Quem sabe eu não invento uma desculpa e já falto logo.
Depois de ficar babando no Dean, subo as escadas, em direção ao meu quarto.
Tem um monte de caixa lá. Eu ein.
Simplesmente taco a minha tralha nas caixas. Gasto umas vinte mil caixas, mas ok.
Alguém me liga. "Camila, minha vadia"
Cami: Oieeeee!
Manu: Vadia, vem pra cá. Vou me mudar amanhã.
Cami: Pra onde?
Manu: Sei lá.
Cami: Legal. Tô indo.
Ela chega, tira todas as coisas que eu já tinha guardado. Xinguei ela. Aí, como ela é mais certinha e educadinha, ela dobra as roupas, guarda as maquiagens e as outras tralhas, bunitinho e coloca tudo de novo, nas caixas, bunitinho.
Manu: Pra quê essa arrumação toda?
Cami: Pra quando você for desempacotar ficar mais fácil de arrumar as coisas.
Manu: Legal. Vou comer. Você quer?
Cami: Sim.
Pego umas bolachas na geladeira, e subo com elas.
Agente come e termina de arrumar as coisas. É claro que ela fez quase todo o trabalho, mas eu devo ter ajudado um pouco.
Eu dançava mais do que ajudava, mas ela também dançava.
Manu: Up town, funk u ah!!! Daaaaanceeeee!
Agente ria sem parar.
Camila é uma das minhas melhores e mais antigas amigas. Eu amo ela. Quando eu era criança eu era muito levada. Não tinha amigas. As crianças me chamavam de louca. É que eu cortei o cabelo de umas meninas, grudei chiclete no cabelo de outras.... Batia até mesmo nos garotos. Aí vocês me perguntam: Porque? Porque eu queria! Faço o que eu queru. Mintira.
Bom, a questão é que, um dia, na hora do recreio, eu já tinha comido meu lanche e ainda tava com fome, aí eu vi a Cami, sentada sozinha, numa mesa. Me sentei do lado dela, e mandei ela me dar a comida dela. Ela riu. Ela pensou que era uma piada, mas acabou dividindo comigo. E viramos amigas. Agente nunca se desgruda. Eu amo a Cami.
Ela fica lá em casa até tarde, dançando, comendo, cantando e comendo.
Ela foi embora. Eu tomei um banho e desempacotei um short e uma blusa de moletom. Deitei na cama limpa e organizada que a Cami deixou pra mim. O quarto tava vazio. Minhas coisas todas estavam nas caixas.
Eu já tinha me mudado umas três ou quatro vezes esse ano, mas quando se tratava de ir pra outra cidade, eu sempre convencia meu pai de me deixar. Ele trabalha muito, e viaja muito. Então agente se muda. Na vez em que ele disse que iríamos ter que mudar de cidade, eu fugi. Sim, eu fugi de casa, e ainda roubei o cartão dele. Onde eu dormi? Dormi em um hotel cinco estrelas e aproveitei pra caralho. Comi até não aguentar mais. Aí meu pai entrou em desespero e eu resolvi atender na trilhonésima vez em que Jô me ligou. Ela passou o telefone pro meu pai, e eu acabei convencendo ele de ficar na cidade.
Se eu voltei pra casa? Lóbvio!
Se eu preferia ficar no hotel? O que vocês acham?
Pois é. É a vida meu povo!
Agora vocês me perguntam: Você gosta dessas mudanças? Não. Eu as odeio. Mas foda-se.
Acabo dormindo no sofá mesmo.
Na manhã seguinte vou pra escola com a Giovanna.
É incrível a quantidade de pessoas que cabem no carro da Jô. Bando de puta e viado que eu tanto amo.
Manu: Gente eu vou matar as três últimas aulas. Quem vem comigo? Jô, me empresta seu carro?
Acaba que todo mundo vai vim. Eu, Jô, Mari, Cami, Austin, Jake, Luke e o Tobi.
Gente, eu vou explicar essa bagunça pra vocês agora. É o seguinte: A Cami e eu conhecemos a Mari e a Jô. Viramos amigas e ficamos conhecidas como "as doidas".
Acontece que agente não deixa ninguém se misturar com agente. O povo da nossa escola é muito metido e sem graça. Mas acontece que, quando o Tobi entrou na escola, a Jô ficou toda derretida, que nem a manteiga que agente joga na pipoca. E como ele era novato, fez uns amigos antes de nós nos aproximarmos. Desde então eu to tentando juntar/separar esses dois. É porque eles juntos é muito fofo, mas eu sou egoísta e ciumenta, e a Jô é MINHA.
Enfim, o Tobi andava com o Austin, o Jake, e o Luke quando a Jô e o Tobi ficaram amigos, e agente teve que aceitar e virar amigas desses macacos travestir. Eles são legais.
Sim, eu sou bipolar, mas FODA-SE!
Mari: Bora pra praia!
Manu: Pode ser, mas alguém vai ter que me pagar um sorvete.
Jô: Eu não, mas eu também quero sorvete.
Tobi: Por minha conta.
Manu: Eeebaaaa!!! Tobi divando genteeeeeee!
Chegamos na escola, e cada um seguiu um rumo.
Eu já faltei algumas vezes esse ano, e levei uma advertência, e fiquei de castigo.... Mas, quem liga?
As três primeiras aulas foram um cuuuuuuu.
Na hora do recreio saí correndo pelos corredores, feito um unicórnio voador.
Fui direto pro meu armário e me livrei dos meus livros e cadernos. Sim, eu taquei tudo lá dentro!
Peguei umas roupas extras e um biquíni que eu SEMPRE deixo no meu armário.
Corri e fui direto pro carro da Jô.
O Austin já tava lá, só que ele tava falando no telefone com alguém, então eu fiquei quieta, escutando música e esperando as outras crianças maconheiras aparecerem.
O Jake e o Tobi chegaram, e logo depois, a Jô finalmente apareceu com as meninas.
Manu: BORAAAA!
Entramos no carro. Tava um calor da porra.
Fomos todas as meninas no carro da Jô, e os meninos no outro carro.
Troquei de roupa dentro do carro mesmo. Coloquei um short bem curto, e uma blusinha azul marinho, e calcei uma rasteirinha da Jô.
Eu já tava com um biquíni por baixo.
Chegamos na praia, e eu já tava com calor. Os meninos vestiam bermuda e camisa, e as meninas short e blusa. Dez minutos depois que agente sentou, já tava todo mundo sem blusa, menos eu.
Jô: Manu, você não ta com calor?
Manu: Não, imagina. Mais de trinta e cinco graus e eu to morrendo de frio, Jô!
Todo mundo riu.
Jô: Então porque não tira essa blusa?
A blusa era de manga comprida, mas o tecido era super fino.
Manu: Porque não quero me queimar, uai. Se tu quer ser preta, vai com deus, mas eu não quero!
Eu sou muuuuuiiiiitoooooo branquela, e todo maldito ser é maior que eu.
Jô ri tanto que chega a passar mal. Eu ein.
Agente conversou demais, e riu mais ainda.
Eles foram nadar, e eu não quis. Não sou abrigada baby.
Fiquei bebendo água de côco. Gente, não é coco viu?!?!? Não é água de bosta. Ok?
Fico olhando eles na água. Pego meu celular e fico mexendo nele.
Aí o celular do Austin toca, e eu atendo. Sim, eu atendo e não tô nem aí.
Manu: Quem é?
???: Austin?
Manu: Aqui quem fala é a Smurfete. Quem é e o que quer?
???: Ah, oi Smurfete, aqui quem fala é o Dylan. A senhorita sabe onde se meteu o capiroto do Austin?
Eu ri.
Manu: O capiroto ta tomando banho de mar. O que você quer?
Dylan: Só fala que eu liguei e que eu quero falar com ele, ta Smurfete?
Manu: Ta bem amiguinho do capiroto.
Eu desligo. Guardo o celular do Austin, passo protetor solar, fico só de saída de banho (a da Mari mesmo) e deito numa daquelas cadeias de praia estranhas.
As crianças voltam.
Austin: To com fome.
Manu: Problema seu. Ah, e Austin, um tarado chamado Dylan te ligou. Ele me disse pra eu te dizer que ele tinha ligado.
Austin: Você atendeu meu celular?
Manu: Claro. O capetinha não parava de tocar. Não me deixava em paz. Aí eu atendi ué.
Silêncio.
Manu: Austin?
Austin: Ta valeu.
Manu: Não, pera, quem era o tarado?
Austin: Longa história.
Manu: Não perguntei se a história era longa; perguntei quem era o tarado.
Austin: Era meu primo. Ele ta vindo morar na cidade. Ele chega semana que vem. Mas por favor Manu, por favor, vamos manter isso em segredo ta? Sem fofoca. Eu quero que ele seja bem recebido aqui. Ok?
Manu: Se você for um bom menino e comprar um picolé de morango pra mim, prometo que me esforço.
Ele ri.
Austin: Ta bom, mas você tem de me prometer.
Manu: Promessa é promessa fofo. Agora vai comprar meu picolé e depois pode voltar pro mar.
Austin: Ta bom, to ino, calma!
Ele compra o meu picolé e volta pro mar.
Eu acabo cochilando depois de comer.
...

My damn broken heartOnde histórias criam vida. Descubra agora