Prólogo

28 1 0
                                    

Floresta Tortuosa, em uma madrugada, Miles está correndo, segurando um enrolado de panos, se esconde atrás de um tronco grosso de uma árvore, tentava lutar com sua respiração ofegante e seus batimentos acelerados para que não entregassem seu esconderijo, após segundos que pareceram horas de desespero ele escuta o som de passos, quem estivesse perseguindo ele, estava correndo. Com raiva e agitação, o perseguidor passou por ele e seguiu rumo ao fundo da floresta, Miles esperou, e esperou, até que tivesse certeza que não houvesse mais ninguém, então se levantou e rapidamente correu em direção contraria, estava desesperado, o emaranhado de lenços começou a fazer barulho, ele retirou um pouco dos lenços que cobriam a cara do bebê, com os olhos fechados, o cabelo preto com toques roxos nas pontas, Miles enquanto corria olhava aquele bebê com desgosto, não havia nada a ser feito, ele precisava cuidar daquele bebê, aquele era seu bebê, seu filho, seu grotesco filho anormal.

Estava cansado de correr, o silêncio daquele caminho o deixava trêmulo, as árvores da Floresta Tortuosa foram acabando a medida que ele corria, até se dar conta de que já não estava mais na floresta, Miles rapidamente parou sua correria e se moveu a árvore mais próxima daquela floresta e com uma adaga de cabo azul que estava no seu bolso, desenhou na árvore um simbolo triangular com um tipo de runa no centro, e fincou a faca no meio da runa e se afastou.

- Por favor... Isso tem que dar certo...

Sua respiração ainda ofegante, ele aguardou alguns segundos angustiante até o momento em que aquele símbolo foi tomado por um brilho esverdeado, aquele símbolo se rompeu em um portal e de lá saíram duas figuras, uma mulher magra e pálida de cabelos ruivos emaranhados e com uma aparência morta, e uma figura humana repleta de folhas e galhos em grande parte do corpo, com o cabelo sendo formado de folhas grandes, os olhos com pupilas brilhosas cor de âmbar, e uma pele verde clara, quando os dois viram Miles, ficaram apreensivos, a mulher olhou Miles e depois o bebê em seus braços. Com uma voz de sussurro falou:

- Ela morreu.

Não era uma pergunta, era uma afirmação, Miles começou a chorar, não tinha coragem pra falar. A criatura folhada começou:

- Não acredito... Ela sabia que essa gravidez tinha riscos... Ah não...

A criatura se virou para trás e começou a chorar, a mulher ainda estava olhando o bebê, estava neutra, seu rosto se assemelhava a um cadáver, a não ser pela expressão seria e os olhos negros com pupilas vermelhas e intensas.

- Me dê ele aqui

Miles se afastou relutante, a expressão da mulher ficou severa

- Não pense que vou roubar essa maldição, preciso olhar nos olhos disso

A mulher se aproximou e rapidamente pegou o bebê das mãos de Miles, tirou um pouco do emaranhado de lenços e quase o derrubou, Miles que estava se afastando lentamente se assustou, os olhos da mulher não olharam nos olhos do bebê, mas em seus cabelos com pontas levemente roxas, a mulher ficou assutada, olhou para Miles com os olhos arregalados sussurrou novamente, dessa vez com um ar assutado na voz:

- Ela não morreu por causa desse bebê... Mataram ela.

- Oque?

A criatura folhada se virou, seu rosto estava molhado com lágrimas brilhosas escorrendo pelas suas bochechas

- Mataram ela?

- Foi oque eu disse, vem cá e olhe pra isso

A criatura ainda fungando e com lágrimas saindo foi até a mulher e olhou para o bebê, a criatura ficou horrorizada

- Não acredito... Como... Como isso é possível?

- Iria acontecer em alguma hora, você sabe

- Mas não era pra ser nela! E os rituais? A metamorfose, ela era uma verdadeira humana!

Folhas Ardentes em Magia NegraOnde histórias criam vida. Descubra agora