leve-me para onde faça sol

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Duas semanas e meia haviam se passado desde que Wang Yibo foi intimidado pelo bagunceiro Hao Xuan, no mesmo dia em que encontrou Xiao Zhan e se agarrou em seus braços fortes chorando como uma criança assustada e desamparada após ter sido abandonada por seus pais em uma linha de trem. Yibo ainda tinha muito medo de sair de seu quarto sozinho ou até mesmo de ir para o corredor dos armários onde ele foi encurralado pelo maior vândalo da escola desde os últimos tempos.

Apesar do que aconteceu, o loiro se recusou fortemente a contar para suas amigas ou a até mesmo para Xiao Zhan. Naquele dia Hao Xuan mencionou o nome do moreno para ele, foi o que deixou Yibo ainda mais assustado, pela perspectiva de Xiao Zhan está se misturando com estes tipos de pessoas.

Wang Yibo soltou um suspiro e foi buscar sua mala para colocar algumas roupas e acessórios dentro. Hoje era praticamente o dia em que todos os alunos tinham que irem para suas casas ou fazerem o que quiserem de suas vidas. Todos os finais de semanas eles eram obrigados a retornarem para suas casas e ficarem com suas famílias.
Mas e Yibo? Seus pais ainda estavam em uma viagem longa de trabalhos e talvez só voltariam para casa no final do mês, e Yibo não queria voltar pra casa para ficar com Luide e os funcionários da mansão Wang sozinho. Ele amava seu mordomo e os outros empregados da casa, mas ele também queria passar um tempo com seus pais como uma família normal fazia com seus filhos.

Yibo sentia saudades de seus pais, muita mesmo, ele só queria viver uma vida como Xiao Zhan, ele tinha pais maravilhosos e que o amavam acima de tudo, sempre estando lá para ele. O moreno podia não ter metade do dinheiro e privilégio social que ele tinha, mas ele era amado e feliz com o pouco que possuía sem precisar de nenhum dinheiro para fazê-lo sorrir de forma tão ensolarada que seria capaz de cegar até o sol se quisesse. Wang Yibo suspirou mais uma vez e se virou a tempo de ver Xiao Zhan entrando no quarto com uma bandeja de café da manhã recheada em suas mãos, o moreno sorrio levemente assim que olhou para ele, fazendo o pobre coração de Yibo disparar loucamente em seu peito acelerado.

- Bom dia, bonequinho. - Xiao Zhan cumprimentou o mais novo com um singelo sorriso em seus lábios finos, colocando a bandeja de café da manhã em cima da cômoda e indo arrumar a mesinha de centro que eles usam para comer ali no quarto na maioria das vezes quando voltam das aulas. - Você irá para sua casa hoje?

- Eu não sei, caipirinha. - Yibo fez beicinho e se recostou na cama emburrado. Ele queria mesmo era ficar na escola, não sentia ânimo de voltar para aquela casa enorme para ficar sozinho com os empregados de lá. -Estava pensando em ficar aqui.

Xiao Zhan se virou para ele com uma sobrancelha arqueada? Sua expressão não deixando de questionar se Yibo realmente quis dizer aquilo. Ele sabia que o menino odiava passar os dias na escola, porque segundo Wang Yibo eles não podiam fazer nada além de "estudar e estudar" naquele lugar.

- Seus pais ainda não voltaram para casa? - Xiao Zhan perguntou, lambendo o lábio inferior com a ponta da língua para umedece-lo. Ele se virou pro loiro, notando como Yibo ficava lindo com aquela blusa de lã na cor vermelha, sua cor favorita! Na verdade, Wang Yibo conseguia ficar lindo em qualquer coisa, ainda se estivesse vestido de forma maltrapilha; Xiao Zhan tinha certeza que ainda seria a pessoa mais bonita que ele já viu em sua vida.

- Não, Zhan-ge... - Yibo mordeu o lábio inferior e suspirou baixinho, passando as mãos pelos fios loiros. Xiao Zhan notou que o menino fazia isso sempre que se sentia nervoso ou preocupada com alguma coisa. - Talvez eles cheguem no final do mês.

- É normal eles ficarem tanto tempo assim fora de casa? - Xiao Zhan não quis dizer: É 'normal' eles te deixarem sozinho por tanto tempo assim? Ele sabia que se dissesse isso, iria deixar Yibo ainda mais triste do que ele já estava e era óbvio que Xiao Zhan conseguia ver em seus olhos a tristeza que o mais novo sentia sempre que mencionava os nomes de seus pais para ele.

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