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Elizabeth.

Alguns dias depois do encontro, tudo pareceu voltar ao normal, menos a minha dúvida sobre Yago e Milly já se conhecerem. Até tentei sondá-lo, mas ele não dava brecha e desconversava. Outra coisa que eu também percebi foram os meus sentimentos em relação ao meu melhor amigo. Comecei a perceber que estava gostando do Yago de um jeito diferente, eu não o via mais apenas como um amigo. Estava começando a vê-lo com outros olhos e isso estava me deixando apreensiva e com medo dele perceber e acabar com a nossa amizade. Eu não queria isso, mas estava sempre prestando atenção nele.

Nesse exato momento, eu estava olhando para o relógio mais uma vez. Ainda faltavam dez minutos para a hora marcada. Íamos fazer uma chamada de vídeo entre amigos, uma vez por mês fazíamos, já era tradição. Mas os ponteiros do relógio pareciam se mover mais devagar do que o normal. Passei a mão nervosamente pelo cabelo e comecei a andar de um lado para o outro na sala, meus passos ecoando no chão de madeira. O suor começou a se formar em minha testa, apesar do frio que fazia lá fora. Eu estava nervosa, disso eu tinha absoluta certeza.

Então, parei por um momento para olhar a foto na mesa de centro. Era uma foto antiga de Ana e meus pais, sorrindo e abraçados. Toquei levemente a foto com a ponta dos meus dedos, como se pudesse de alguma forma alcançar a felicidade que parecia tão evidente naquela imagem.

A luz cinzenta do início da tarde se infiltrava pela janela, lançando sombras longas pela sala. Sentei-me no sofá, o tecido frio contra minha pele, fechei os olhos, tentando acalmar a batida frenética do meu coração.

De repente, o som do meu telefone tocando me tirou dos meus pensamentos. Respirei fundo e peguei o aparelho. Era hora da nossa chamada de vídeo. A imagem de Yago apareceu na tela, sorrindo e acenando. Ele estava sentado em seu quarto, a luz do abajur ao lado dele lançando um brilho quente em seu rosto.

"Oi, Elizabeth!", ele disse, seu sorriso parecia ainda mais brilhante na tela.

"Oi, Yago", respondi, tentando manter a voz estável. Eu podia sentir meu coração batendo mais rápido.

" Oi Elizabeth, Yago "

" Oi chata".

Respondeu ele.

" Oi Lua"

Enquanto conversávamos, não pude deixar de notar como olhos do Yago brilhavam quando ele falava sobre seu dia, como ele ria facilmente das piadas da Luana. Ele parecia tão à vontade, tão feliz, e eu não pude deixar de sorrir também.

Conforme a conversa avançava, percebi que estava me sentindo mais à vontade. O nervosismo inicial havia desaparecido, substituído por uma sensação de contentamento. Eu estava feliz por estar falando com Yago e Lua por estar compartilhando esse momento com eles.

Quando a chamada terminou, senti uma sensação de vazio. Mas ao mesmo tempo, senti uma onda de esperança. Talvez, apenas talvez, Yago pudesse sentir o mesmo por mim. Talvez nossa amizade pudesse evoluir para algo mais. Era o que eu pensava naquele momento.

Deixei o telefone de lado e olhei novamente para a foto na mesa de centro. A felicidade que eu vi naquela imagem, eu queria aquilo para mim, para nós. E, com um suspiro, decidi que faria tudo o que pudesse para alcançá-la.

No outro dia.

Hoje era feriado, um dia em que eu costumava visitar o cemitério. Mesmo sabendo que meus pais não poderiam me ouvir, eu gostava de ir lá e contar a eles como estava sendo a minha vida. Era como se eu estivesse assumindo o papel deles, algo que eu costumava fazer quando ainda estavam vivos. E hoje, eu estava determinada a compartilhar meus sentimentos em relação ao meu melhor amigo.

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⏰ Última atualização: Jun 18, 2025 ⏰

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