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CALLERI

Já era por volta de duas da manhã. Eu estive insistindo para que eu e Alexia fôssemos desde que percebi o quão incomodada ela tinha ficado, mesmo ela reafirmando constantemente que estava tudo bem com ela.

Não, não estava. E eu sabia disso, e ela com certeza havia percebido que eu sabia.

Durante os anos da nossa infância e adolescência em que eu pude prestar atenção nela de perto, Lexi insistia em fazer repetitivamente o movimento de colocar o cabelo para trás das orelhas – mesmo que quase todas as suas mechas já estivessem atrás delas – quando ficava tímida ou nervosa. Ela também beliscava a boca enquanto falava, além de brincar com seus acessórios, seja pulseiras, anéis ou com o pingente do colar, se estivesse usando um. E, durante toda aquela noite, ela permaneceu fazendo essas três coisas alternadamente.

Eu sabia que aquele comentário infeliz era a provável causa de ela estar daquele jeito. E eu me senti culpado porque se não tivesse aceitado tomar um café com a Micaela naquela vez no ano anterior poderia facilmente ter evitado que aquela situação que poderia ter sido apenas constrangedora tivesse afetado minha namorada daquele jeito.

— Ei — chamei a atenção dela enquanto estávamos sentados em uma mesa na área externa da boate. — tem certeza que você não quer ir para casa?

— Tá tudo bem, eu só vou terminar meu drink e tirar umas fotos e a gente volta pra dentro — ela sorriu. Um sorriso falso, eu tinha certeza.

— Quer conversar sobre aquilo?

— Sobre o quê?

— Você sabe do que eu estou falando. Você esteve evitando falar disso a noite toda.

— É só que... — ela suspirou e deu um gole da taça que continha seu drink vermelho vivo, colocando-a sobre a mesa em seguida. — não é o lugar pra isso. Foi só uma bobeira. Uma... Confusão.

Senti que, junto com o drink, ela engoliu algumas palavras que não queria dizer.

— Se fosse só isso, você não iria estar agindo como quando você perdeu o colar que eu fiz pra você no seu aniversário de dez anos. — ela deu uma risada leve por conta do meu comentário, pelo menos.

— Como é que você lembra dessas coisas? — ela olhou para mim atentamente. Um brilho diferente tomava conta dos seus olhos, brilho esse que eu não havia visto nela há algumas horas.

— Como eu esqueceria disso? Eu passei horas tentando aprender a fazer aquilo. E também comprei aquelas miçangas com meu dinheiro suado.

— Dinheiro suado, o caramba. Você achou aqueles trocados na rua.

— Dá na mesma. — eu ri, passando meu braço sobre sua cadeira. — Lexi, não quer mesmo falar sobre aquilo?

— Eu... — ela suspirou profundamente. De repente, o brilho no seu rosto tinha sido ocultado outra vez. — Você e ela... Você e a Micaela ainda se falam?

— Não. Não nos falamos. E a última vez que isso aconteceu foi um erro.

— Esquece aquilo, a gente não estava juntos. Foi culpa minha que...

— Não — interrompi. — não se culpa por isso nunca. Por favor.

— Tudo bem. É que... Sei lá. Depois que a Kátia me confundiu com ela eu percebi que eu poderia ser facilmente trocada por ela. — sua voz soou um pouco embargada. — Isso é tão idiota, eu não sei por que eu me sinto assim, eu não tenho mais quinze anos e...

— Lexi — segurei suas mãos firmemente. — eu sei que você pode estar se sentindo insegura, isso é normal. Mas você é a mulher que eu amo. Tudo bem?

CHANGES (pt 2) • Jonathan Calleri [PAUSADA]Onde histórias criam vida. Descubra agora