Dançando com os meus fantasmas

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Há noites em que me sinto tão sozinha ao ponto de dançar com meus próprios fantasmas.

Foi assim que comecei este texto, mas esse não será o final que eu desejo.

Os fantasmas com os quais convivo sussurram para mim: se eu desistir, como serei feliz? E os livros que estão na prateleira e eu ainda não li? E os amigos que ainda não conheci? E as histórias que ainda não contei para os meus filhos antes de irmos dormir? E as flores que ainda não vi desabrocharem por aí? E os frios na barriga de coisas novas que ainda não senti? E o meu cabelo que ainda não vi ficar branco como giz?E os abraços dos meus pais na velhice que ainda não recebi? E todo o amor que guardo aqui dentro de mim, eu ainda não tive a chance de distribuir.

Então continuarei dançando com os meus fantasmas como se fosse em um baile em Paris, deixarei que sussurrem ao vento e me conduzam nessa dança clássica que é a vida, mas não desistirei de mim, porque ainda haverá melodias que gostarei de dançar sem medo de ser feliz.

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