49 - dor

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                               TETÊ

Júlia - me conta filhinha, seu pai tá feliz? - eu olhei pra ela sentindo o cigarro ser apagado na minha mão e uma lágrima escorrer solitária,eu to aqui nessa cama ja tem dias

Eu - óbvio que é Júlia, se toca - ela levantou rápido

Júlia - então eu vou fazer ele sentir um pouquinho de sofrimento - ela saiu do quarto e logo um homem entrou ele passou a mão na minha perna subindo as lágrimas escorriam no meu rosto senti um soco ser dado no meu rosto

Ele pisou na minha barriga fazendo eu vomitar, por conta da corrente eu não me mexia

Depois de me bater ele até desmaiar acordei em uma posição diferente, estava  sentada no chão, minhas pernas foram soltas e agora minhas mãos estavam presas na corrente junto aos pés da cama

Tentei soltar mas não consegui, o homem entrou outra vez me fazendo desesperar ele não me bateu apenas abaixou as calças e colocou aquele pinto sujo na minha boca, eu tentei me soltar tentei sair mas eu não consegui

E ele ficou por horas e horas, eu me perguntava porque ele não me estuprava de fato, mas isso era algo que eu preferi acredita que Deus me privou de sofrer

Eu chorava a cada estocada na minha garganta até sentir outra vez o jato quente descendo e mais uma vez vomitei, as lágrimas escorriam de mim em minha mente clamo por minha mãe

Ele colocou um tecido dentro da minha boca com muita pimenta, uma fita muito forte por fora não me deixando respirar direito

Socorro mãe, eu baixei a cabeça e peguei no sono

Algum tempo se passou, não sei dizer quanto, o quarto era escuro demais pra eu saber que momento do dia estou, não sei nem quantos dias estou aqui

A Júlia me trás uma fatia de pão seco e as vezes um copo de água, de tempo em tempo,  como o homem não voltou mais, eu continuei no chão, em frente ao meu vômito

Até que a Júlia entra na porta, me dando um pouco de claridade, sinto água ser jogada em mim e finalmente o cheiro de vômito alivia, eu podia usar o banheiro 1 vez  acredito que seja ao dia logo após o pão , sempre era posto um novo pano com mais pimenta em minha boca então não consegui dizer nada

Ela me dá uma vassoura e prende meu pé outra vez no pé da cama, ela sai do quarto e volta com outro balde de água, novamente ela sai do quarto mas dessa vez não volta

Eu limpei onde estava e consegui deitar na cama outra vez, o sono profundo me tomou e acordei tempos depois, eu estava fraca e totalmente sem forças

Fui posta dentro de um carro, eles não me dão  nada de tomar a um bom tempo, acredito que horas ou até um dia, por isso estou fraca e me sinto prestes a desmaiar de vez

O carro para e os dois começam a conversar sobre como foram espertos em por um tal de mineiro em um dos apartamentos aqui de perto

As vozes ficam turvas e eu escuto alguns estrondos, minha única reação foi levantar e sair do carro mas não tenho forças, caio logo que saio tentando me arrastar até o mais longe do carro possível

Depois disso escuto vozes e não vejo mais nada, sei que estou acordada, mas não enxergo e não consigo raciocinar, tudo que eu quero é algo de comer e beber

Sinto o líquido na minha boca e bebo com tanto desespero que agarro a garrafa como se fosse minha vida

Após isso eu recupero minha visão parcialmente, mas ainda não tenho forças pra falar ou ter reações, minha mãe me abraça e me tranquiliza

"Mãe"

Deus sabe o quanto chamei por você

VIDA LONGA AOS REISHistórias para pegar e não largar. Descubra agora