PRÓLOGO

159 22 167
                                    

- Vossa alteza está falando sério? - digo, visivelmente irritada, entrando no cômodo.

- Observai o modo como falais comigo, jovem senhorita. Já vos informei que vosso irmão receberá ambas as joias - o homem mais velho diz com os braços cruzados nas costas, virando-se para os guardas saírem da sala.

- Vós não tendes um pingo de gentileza, não é verdade? A MINHA MÃE me deixou uma das joias!

- Abstenha-se de mencionar vossa mãe neste recinto - o homem retruca no mesmo tom.

- Desejas atrair a atenção dos servos? Não é o suficiente o que estão murmurando sobre vosso irmão, que se encontra com aquelas meretrizes? - o homem diz, virando-se em minha direção e começando a se aproximar aos poucos, parecendo ter uma lembrança de algo que ouvira.

- Foi vossa escolha elevá-lo ao trono - digo com a voz ríspida.

- E que pretendeis, afinal? Que eu te coroasse? Bem sabeis que nenhum deles aceitaria uma mulher no trono - ele diz, praticamente cuspindo as palavras em meu rosto.

- Minha mãe foi coroada ainda jovem, antes mesmo de se casar convosco, e ela reinou com mais excelência do que jamais tu reinarias como rei - quando termino de falar, sinto meu rosto arder enquanto a mão de meu pai ficava vermelha.

- Jamais repetirá tal alucinação. Vossa presença aqui perdura unicamente em virtude de vosso irmão, você sabe muito bem que, se Lorde Hastings tivesse rejeitado casar-se com a senhorita, você seria obrigada a se casar com seu irmão para manter nossa linhagem pura, sem bastardos como o antigo "príncipe" - ele diz, afastando-se.

- Agora, afastai-vos deste lugar, pois preciso retomar as discussões sobre vosso casamento com o primogênito do lorde Hastings - ele me dá uma encarada, parecendo suavizar a expressão.

- Não adiantará tentar escapar, pois ordenei que trocassem a fechadura de vossa porta - ele me olha com cara de desprezo, e saio do cômodo dando uma bufada alta.

                               ☀️

- Vossa alteza deseja que eu aumente a pressão? - a mulher baixa diz, puxando o corset de meu vestido.

- Estou com dificuldade para respirar, Lucy - digo, tentando puxar algum ar.

- Está perfeito, então, vossa alteza - ela diz, me dando um sorriso simpático e mostrando seus dentes amarelados. Desço da plataforma, agradecendo-a com um aceno.

- Senhora, estás pronta para o chá da tarde com a filha dos Hastings? - Anastácia, minha conselheira pessoal, chega falando.

- Podeis retirar-vos agora, Lucy. Chamai as damas de honra; elas vos acompanharão e instruirão em vossa ética - ela diz, encostando um pedaço de madeira em minhas costas para que eu ficasse ereta.

- As criadas me informaram que vós e o lorde tivestes uma discussão ontem. Bem sabeis que não deveis agir assim - me viro para ela, olhando-a séria.

- Eu sou a sua princesa; não me digais o que devo fazer - ela me olha surpresa, mas não recua.

- Mas vós não sois a rainha, e não será se continuares a agir dessa maneira - me calo ao ver as minhas damas entrando no quarto.

- Vossa majestade - todas elas se curvam.

- Vós sabeis que não precisais me tratar dessa forma - Anastácia vira o rosto em minha direção, incrédula.

- Não faleis tais bobagens - reviro os olhos quando ouço ela dizer isso.
- Posso ir agora ou pretende dar-me outro sermão? - digo, já saindo do quarto, e vejo as damas apenas se entreolhando, um silêncio ensurdecedor ficando.

4UNITY Onde histórias criam vida. Descubra agora