Garras sobre mim

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Cinco dedos sobre mim, mão pesada 

O que são essas digitais ásperas? 

Igualmente as cerdas de um pincel 

Deslizam suavemente sobre a tela 

Em um ritmo calmo, expressivo, 

Se finda com um laivo agressivo


Venha, dedos enfurecidos 

Desmanche a arte com teu tocar 

A encharque de suor até rasgar, 

 Até que escorra entre tua palma 

 Leve consigo toda tua alma


Ah, profundos dedos 

Adule até a última gota, 

Adoeça? Se enfureça? Cresça! 

Enxugue o rio que ao tocar, nasceu


Pequenos dígitos arrependidos, 

Ágeis em direção aos lábios 

Gosto amargo, apavorante 

Por favor,

Dá-me algo confortante, artista!

Ô estrago.

Se eu te amo, eu me odeioOnde histórias criam vida. Descubra agora