Laura
o carro tinha parado, mas eu estava presa em meus pensamentos. Tudo era tão novo e tão inacreditável, eu não acreditava que tudo aquilo tinha sido dito, eu não acreditava que ele tinha ido e eu não acreditava que ele pensava isso de mim, que tudo o que vivemos nesses anos foram tão substituíveis...era... era como se eu fosse substituível. E isso era como se um rombo tivesse sido feito dentro de mim e nada pudesse me alegrar
Mesmo que eu soubesse sobre algo que podia, a poção a Félix felicitis, mas eu não cair nisso... Pelo menos não de novo, das ultimas vezes eu quase morri com ela e não iria tomar isso de novo, eu prometi a mim mesma... Mesmo que eu quisesse
Eu sacudi a cabeça quando ouvi o som da batida da porta do motorista, que saía do carro e logo me virei para Severo, ele estava imóvel da mesma forma que eu o olhei a quase 3 horas atrás, seus olhos não mostravam nada assim como sua expressão... Fria, contida e apática, era como se eu olhasse para ele no início de tudo
- posso te pedir uma coisa? - eu o olhava esperando ver alguma reação, mas não obtive nenhuma apenas um simples murmúrio de confirmação, o que me frustrava ainda mais- vamos fingir que nunca tivemos essa conversa aqui? - Ele me encarou fixamente, seus olhos demoravam em mim, mas eu não vacilei meu olhar- Só pelo final de semana ...
Uma parte minha acreditava que isso poderia mudar as coisas... Talvez fosse o estresse, talvez ele só tomou uma decisão de cabeça cheia pessoas estressadas faziam isso, minha mãe sempre faziam isso, era só dar tempo ao tempo... Certo? Insistir, mostrar que ele tomou uma péssima decisão, Não fazia sentido ele ter tomado essa decisão agora depois de tudo que eu fiz
- só pelo final de semana - ele respondeu sem emoção -depois disso acabou-eu concordei abaixando meus olhos, a porta do carro se abriu, mas antes dele sair eu segurei sua mão fazendo o mesmo olhar para mim
- nós... Realmente?
- realmente - aquilo fez o choro ficar preso na minha garganta, mas também me fez ter raiva, como ele poderia me substituir? Será que Pietra estava certa durante todo esse tempo? e eu estava cega de mais para ver... Será que havia outra? mil perguntas me tomavam e por mais que eu quisesse chorar eu não iria... Não mais
Minha avó sempre falava o quão patético era o ato de chorar, ainda mais chorar por alguém e ainda mais chorar por um homem. Eu apenas respirei fundo e afastei minha mão da dele sentindo ele sair do carro, eu demorei alguns segundos para sair eu escutava a voz dos meus pais a fundo e aquilo me desesperava, eu queria qualquer coisa menos ter que lidar com eles por um final de semana inteiro depois disso, mas... Não tive muita sorte
- pudinzinho? - meu pai disse enfiando a cara dentro do carro, ele se vestia do jeito de sempre se vestia quando estávamos aqui no Brasil. Blusa de botões com os primeiros botões abertos, bermuda, chinelo e o cabelo sempre bagunçado - o que foi? não tá com saudades do seu velhote? Ou a vaga de velho do seu coração já foi substituída pelo ranhoso? - Eu olhei para o meu pai e forcei um sorriso
"Laura é só agir como antes, que tudo vai dar certo... Não é a primeira nem a última vez que você terá que fazer isso"
Repeti a mim mesma em pensamento quando forcei um sorriso incrivelmente natural e sai do carro, quando se nasce em uma família como a minha você aprende a viver de aparência, por mais que não fosse tão fácil ignorar o olhar dos outros sobre mim e principalmente o da minha mãe que parecia farejar quando eu estava destruída por dentro, mas eu ignorei e fui em direção ao meu pai
- você nunca perderia o lugar pai- eu o abracei- conseguiu o que eu queria?
- está falando da Jararaca? - meu pai perguntou me abraçando pelos ombros, com os olhos levemente cerrados pelos sol e eu confirmei- infelizmente sua avó não estava mais viva
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Snape
FanfictionSevero Snape é o professor mais temido de Hogwarts, mas quando uma aula intercambista vinda da escola Castelo Bruxo apareceu algo de diferente aconteceu.
