capítulo 7.

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RIO'S POV

Sinto algo gelado no meu nariz mas não tenho tempo de processar o que é, assim que recupero a consciência ao acordar, a dor que atingia minha cabeça me fez ter vontade de apagar de novo.

As cortinas ainda estavam fechadas mas os raios de sol que conseguiam atravessá-las eram suficientes para incomodar minhas vistas que estavam pesadas, viro para enfiar totalmente o rosto no travesseiro e só então me dou conta que o lugar que estou deitada parece macio demais.

Levanto o rosto e olho para o lado, percebendo que estou na minha cama. No meu quarto.

Olho para o outro lado na tentativa de me recordar dos acontecimentos mas tudo o que acontece é levar um susto que me fez pular e arranca um risinho da mulher.

Agatha estava parada em pé ao lado da cama com um coelho no colo.

Antes que eu conseguisse processar qualquer coisa, ela se senta na cama e coloca o animal entre nós duas, acariciando-o com uma das mãos.

- Cumpriu o primeiro item sem mim? - minha voz parece sensível demais. Droga. Primeiro me dispensou ontem e agora começou a realizar a lista que eu mesma propus sem mim? Ela me odeia.

- Eu não queria te acordar, além de que achei que fosse ser uma boa ideia ter esse carinha aqui quando acordasse. - não parava de fazer carinho nele e estranhamente não parava de sorrir.

- O que estou fazendo aqui? - jogo a cabeça de volta no travesseiro não aguentando a pressão na cabeça.

Levo uma de minhas mãos ao coelho e começo a fazer carinho nele junto com ela, seu pelo era uma mistura de branco e um tom bem claro de marrom.

- Eu te trouxe. - fala como se não fosse nada, com a áurea mais leve do que em qualquer outro momento que eu tenha visto desde que ela acordou.

Me permito reparar na mulher, usava uma calça jeans, uma blusa branca e uma jaqueta... minha. Seus longos cabelos estavam soltos e tinha um pouco de maquiagem em seu rosto, seus lábios estavam mais rosados do que o normal, o que me fez passar mais tempo do que o necessário olhando-os.

- Por quê? - digo um pouco alheia ainda admirando-a, mas querendo entender o motivo de tanta paz de espírito.

Só me lembro de vê-la sair, beber, chorar e um borrão que parecia Agatha ajoelhada enquanto falava comigo no chão, mas não sei o que exatamente falávamos.

- Você estava precisando, e a cama é sua também.

- Eu já te disse que não é para você dormir no sofá... - começo a reclamar mas ela me interrompe.

- E quem disse que eu dormi no sofá?

Meu coração pareceu errar algumas batidas por alguns segundos. Nós dormimos na cama juntas? Que ótimo, Vidal. Belo momento para você não lembrar de nada.

- Quer dar um nome para ele? - muda o rumo do assunto ao ver que fiquei imóvel e presa em minha crise interna.

Viro meu olhar para o pequeno bichinho entre nós duas, as mãos de ambas fazendo carinho nele, esbarro meus dedos propositalmente nos seus e ela não recua, ele no meio de nós. O único cara que deixaríamos subir na nossa cama.

- Señor Scratchy. - digo, não poderia ser outro.

Ela não fala nada, mas começo a ver lágrimas escorrendo de seus olhos e me sento rapidamente. O que caralhos eu disse ontem a noite?!

- O que foi...? - pergunto com cautela, não sei se quero realmente saber a resposta.

- Não sei. - ela sorri em meio ao choro e tenta secar as lágrimas com a mão que não estava no Señor Scratchy. - Uma sensação estranha, mas boa. Não sei o que me deu.

SCARS. [ EM ADAPTAÇÃO ]Onde histórias criam vida. Descubra agora