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JADEN MATAI WALTON

Quando vi o nome de Luara iluminando a tela do meu celular, meu coração apertou. Era tarde, e eu já estava quase dormindo, mas aquela mensagem — tão curta, tão desesperada — me tirou o sono em um segundo.

Eu não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que ela precisava de mim. Isso era suficiente. Peguei o casaco que estava jogado na cadeira e saí de casa quase sem pensar. Nem me importei com o fato de que minha mãe provavelmente ia me fazer um interrogatório no dia seguinte. Luara precisava de mim, e isso era tudo o que importava.

Enquanto caminhava pela rua silenciosa até a casa da tia dela, minha mente estava a mil. O que poderia estar acontecendo? Por que ela estava tão desesperada? Eu não sabia ao certo o que fazer, mas sentia que precisava estar lá, que minha presença seria, de alguma forma, suficiente para ajudá-la.

Quando ela abriu a porta, parecia tão pequena, tão frágil. Seus olhos estavam vermelhos, e eu percebi que ela estava segurando as lágrimas até o último momento. Mas, quando me viu, aquilo desabou. E eu entendi, naquele instante, que minha única função ali era segurá-la.

Ela caiu nos meus braços como se estivesse se afogando e eu fosse a única coisa que a mantinha à tona. Eu senti seus soluços contra o meu peito, suas mãos agarrando minha camiseta com força. Não precisei de palavras para entender o quanto ela estava machucada. Não precisei de explicações. Eu só a segurei ali, firme, sem pressa.

Não sei quanto tempo ficamos assim, mas não importava. Tudo o que eu queria era que ela sentisse que não estava sozinha, que alguém estava ali para segurá-la, mesmo quando tudo parecia desmoronar.

"Eu estou aqui, Luara," eu disse, mantendo minha voz baixa e calma. "Você não precisa lidar com isso sozinha."

Ela não respondeu, mas isso não importava. Eu sentia o peso dela nos meus braços, sentia o quanto ela estava exausta de carregar algo que ninguém deveria carregar sozinho. E, naquele momento, eu prometi a mim mesmo que faria o possível para aliviar esse peso, mesmo que fosse só um pouco.

Depois de algum tempo, seus soluços começaram a diminuir. Eu a ajudei a se sentar no sofá da sala, ainda segurando sua mão, como se quisesse garantir que ela não ia desmoronar de novo. Ela limpou o rosto com as costas da mão, mas não olhou para mim. Eu podia ver a vergonha em seu rosto, o medo de parecer vulnerável.

"Eu sinto muito," ela sussurrou, quebrando o silêncio. Sua voz estava rouca, baixa, como se ela não quisesse ser ouvida.

"Não tem nada para sentir muito," eu disse, sério. "Você pode me chamar a qualquer hora, Luara. Não importa o motivo."

Ela balançou a cabeça, mas ainda evitava meu olhar. "Eu não queria incomodar. É só que... às vezes, fica difícil respirar, sabe? E eu... eu não sabia o que fazer."

Meu coração se apertou ao ouvir aquilo. A ideia de Luara, tão forte por fora, se sentindo assim por dentro, me destruiu. Eu sabia que ela carregava algo, mas não sabia o quanto isso a machucava.

"Luara," eu disse, tentando fazer com que ela me olhasse. Quando finalmente levantou o rosto, seus olhos estavam cheios de lágrimas de novo, mas dessa vez, ela não estava tentando escondê-las. "Você nunca vai me incomodar. Entendeu? Se você precisar de mim, eu vou estar aqui. Sempre."

Ela me olhou como se estivesse tentando acreditar em mim, tentando absorver o que eu dizia. Eu sabia que não era fácil para ela confiar, mas eu queria que ela soubesse que não precisava enfrentar isso sozinha.

"Você é... você é diferente, Jaden," ela murmurou, quase como se estivesse falando consigo mesma. "Eu não estou acostumada com isso. Com alguém... se importando assim."

Aquilo me atingiu mais do que eu esperava. Eu não sabia exatamente o que Luara tinha vivido antes de vir para Atlanta, mas, pelo que ela dizia, eu podia imaginar que não era fácil. Eu queria dizer algo, mas, naquele momento, parecia que as palavras não eram suficientes.

"Talvez você só precise se acostumar," eu disse, tentando aliviar o clima. Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios, e, mesmo que fosse fraco, significava tudo para mim.

O silêncio caiu sobre nós de novo, mas dessa vez, era mais confortável. Ela ainda segurava minha mão, como se temesse que eu fosse embora. E eu não ia. Não enquanto ela precisasse de mim.

"Jaden," ela disse depois de um tempo, sua voz mais firme agora. "Obrigada. Por... tudo isso. Eu não sei o que faria sem você."

Eu apertei sua mão de leve, olhando diretamente em seus olhos. "Você não precisa fazer nada sem mim, Luara. Não mais."

E, naquele momento, eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma. Ela tinha me deixado entrar, mesmo que apenas um pouco, e eu sabia que faria tudo o que fosse preciso para continuar ao lado dela. Porque, no fundo, eu também precisava dela tanto quanto ela precisava de mim.

THE CATCH OF MY LIFE | Jaden Walton.Onde histórias criam vida. Descubra agora