이십

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Tata


Sempre me perguntei como seria sentir a dor de perder alguém que amo. Esperei por muito tempo que a morte dos meus pais, em algum momento, me fizesse responder a essa dúvida com algum tipo de reação sentimental. Mas nada além de alívio ocupa meus pensamentos toda vez que penso neles.

Totalmente oposto ao que sinto agora. Na verdade, não sei dizer exatamente o que sinto ao olhar para os lábios sem cor do ômega que amo muito mais do que a mim mesmo. Desde que recebi a notícia, tudo à minha volta se tornou um borrão, e eu não fiz nada além de abraçar seu corpo, que ainda não estava gelado.

Um zumbido em meus ouvidos pareceu bloquear qualquer som ao meu redor. Afundei meu nariz em seus cabelos macios, que já não tinham o cheiro doce de antes; havia apenas seu aroma habitual de cereja.

Apertei sua cabeça contra meu peito, na esperança de que meus batimentos, de alguma forma, fizessem seu coração reagir. Ele havia prometido que não morreria sem mim.

— Você prometeu, Chim... Você disse que não morreria... Seu filho da puta...

Finalmente, permiti que tudo o que estava acumulado em meu peito se esvaziasse em lágrimas. Mesmo sem ouvir meu próprio som, gritei o mais alto que pude, até minha garganta doer e meus pulmões implorarem por ar. Puxei seu corpo para meu colo, sem me importar com a enorme mancha de sangue que agora sujava minha calça.

— Tata!

Minha visão estava turva, focada apenas no pequeno ser imóvel sobre minhas pernas. Olhá-lo sempre foi suficiente para fazer meu coração errar algumas batidas, e mesmo agora, enquanto suas maçãs do rosto estavam sem o tom rosado natural, consigo sentir algo flutuar em meu estômago.

— Tata, caralho! Ele não está escutando porra nenhuma!

Ergui seu queixo e colei nossos lábios em um beijo. Sua pele, ainda levemente morna, parecia tão macia quanto sempre foi. Afastei-me, admirando-o mais uma vez, quando senti uma mão forte agarrar meu braço. Foi como despertar de um transe.

Os sons chegaram todos de uma vez, como um choque: tiros, gritos, pneus cantando. Ainda atordoado, olhei para quem me puxava e vi Badda. Sem dizer nada, ela apenas me ergueu com facilidade, jogando-me sobre seu ombro e correndo em disparada.

— Achei eles! — gritou alguém.

Ergui a cabeça a tempo de ver um grupo de homens alcançando o lugar onde Chimmy havia caído. Tentei estender a mão, mas enxergava tudo de cabeça para baixo, e meu corpo não respondia. Tudo o que pude fazer foi assistir, impotente, enquanto um deles pegava o ômega no colo e o levava embora, enquanto nós desaparecíamos por entre a mata.

Minha força restante se esvaiu, e eu simplesmente deixei que Badda me levasse, sem resistência. Por dentro, tudo parecia vazio.

— Não falta muito — disse uma voz próxima.

— Tudo bem, apenas continue — respondeu Badda, com o tom firme de quem carregava não apenas o meu peso, mas o peso da situação. Eu não consegui identificar quem havia falado, apenas observei as plantas e o chão escuro, balançando com os passos dela.

— Pensei que esse local fosse seguro.

— Tecnicamente é — respondeu uma voz masculina — Eu mesmo armei todo o esquema de proteção. Não traria Jin aqui se não fosse seguro.

— Além de péssimo irmão, você também é um péssimo estrategista. — Senti a vibração da resposta de Badda reverberar pelo meu corpo.

— Eu já paguei o preço. Acho que chega de alfinetadas.

Serpente | TaekookminOnde histórias criam vida. Descubra agora