이십오

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Tata



Yoongi parou o carro com um tranco brusco em frente ao galpão. A chuva castigava o para-brisa com violência, e descemos correndo, encolhidos sob o peso das gotas geladas. O local, antes vibrante com vozes e movimentos incessantes, parecia ter sido drenado de sua vida. O silêncio era quebrado apenas pelo som abafado da chuva e pelas botas dos poucos homens que faziam a segurança.

Eu dei um passo em direção à tenda, ansioso para me livrar das roupas molhadas que grudavam na minha pele, mas Audrey segurou meu pulso com força inesperada. Seus olhos estavam fixos na sala central. Segui seu olhar e percebi que todos ao redor estavam parados, imóveis como estátuas, com expressões tensas e a respiração contida. 

Namjoon e Yoongi se mantinham em silêncio, as feições tão rígidas quanto mármore. O ar entre eles parecia carregado. Foi quando Badda entrou. Ela veio acompanhada por seus homens, que se espalharam pelo espaço.

Namjoon deu um passo à frente. O movimento parecia ensaiado, mas havia algo desesperado em sua postura. Ele parou no centro do galpão, exposto, vulnerável. O grande alfa ajoelhou-se lentamente, suas roupas encharcadas moldando-se ao corpo, e a visão de suas costas musculosas me fez pensar em Kookie. O fantasma daquela memória me golpeou com força. Engoli em seco, tentando afastar a imagem, mas minha respiração vacilou.

Badda, fumando o cigarro com calma irritante, caminhou até ele. Cada passo ecoava como um tambor no galpão vazio, um prelúdio do que estava por vir. Ela parou diante do alfa ajoelhado, exalou a fumaça em um gesto de desdém e, num instante, moveu-se com a rapidez de um raio. Seu chute o atingiu com brutalidade, lançando-o para trás. O som do impacto reverberou no espaço, arrancando um suspiro coletivo de quem assistia.

— Minha vontade — começou ela, sua voz gélida como a chuva que caía lá fora — é fazer o mesmo que fiz com o banana do Yoongi. Mas acho que as consequências da sua negligência vão ser ainda mais dolorosas do que uma surra.

O alfa no chão tossiu sangue, cada gota vermelha manchando o concreto como um lembrete da violência latente no ar. Namjoon, que sempre parecia inabalável, agora exibia uma fração de preocupação em seus olhos. Seu maxilar estava travado, mas ele não desviou o olhar de Badda.

Ela se abaixou, a ponta dos dedos quase tocando o chão, e fitou o alfa caído como uma predadora estudando sua presa.

— Namjoon — sua voz saiu baixa, mas carregada de uma ameaça que fez meu estômago revirar. — Qual foi a primeira coisa que te ensinei quando te trouxe para a minha família?

Ele ergueu o rosto, o olhar queimando com algo entre vergonha e raiva reprimida.

— Não confiar em ninguém que não fosse da família.

 O alfa respondeu, mas sua voz mal teve tempo de se firmar antes que o som seco do tapa ecoasse pelo galpão. Namjoon não reagiu ao golpe, mas o brilho escarlate nos olhos de Badda era inconfundível — raiva pura misturada a um desgosto que parecia corroer sua paciência.

O silêncio voltou, mas desta vez estava carregado, quase palpável. Eu sentia o suor frio em minha nuca, mesmo com o corpo ainda molhado da chuva.

— Então me explica por que tem dois ômegas grávidos e seu irmão mais novo, membros da minha família, nas mãos da líder dos Giovanne?

O impacto das palavras foi ainda mais cruel que o tapa. O rosto de Namjoon se transformou em uma máscara de choque, os olhos arregalados enquanto o peso da informação o atingia. Badda deixou escapar uma risada curta, amarga como veneno.

— Sim, Nam. O seu ômega grávido está nas mãos da Hwasa. E isso sem mencionar que sua "puta de estimação", o Jackson, teve a audácia de nos trair.

Serpente | TaekookminOnde histórias criam vida. Descubra agora