Capítulo 5

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Continuação...

Hideki me conduz até uma mesa no canto do espaço reservado. É um lugar mais tranquilo, com a música abafada e as conversas quase inaudíveis. Ele puxa uma cadeira para mim antes de se sentar do outro lado, mantendo uma distância confortável.

— Aqui tá melhor? — ele pergunta, apoiando os braços na mesa.

— É... mais tranquilo. — Assinto, ainda meio desconfiado, mas aliviado pela mudança de ambiente.

— Ótimo. Não gosto muito de lugares barulhentos também. — Ele sorri, e pela primeira vez, percebo o quão relaxado ele parece.

— Então por que veio a essa festa? — pergunto, tentando puxar assunto.

— Trabalho. — Ele dá de ombros. — O dono daqui é um amigo meu. Prometi dar uma passada para prestigiar, mas acho que me perdi um pouco no clima.

— E acabou me encontrando.

— Exato. — Hideki me olha diretamente, mas seu tom é leve. — Não foi tão ruim assim, foi?

— Ainda tô decidindo. — Desvio o olhar, sentindo meu rosto esquentar.

Ele solta uma risada baixa, mas não pressiona. Por alguns segundos, o silêncio se instala entre nós, mas não é desconfortável. Pelo contrário, parece que ambos estamos nos acostumando à presença um do outro.

— E você? — ele pergunta, quebrando o silêncio. — Por que veio?

— Minhas amiga e minha irmã insistiram. Elas acham que eu preciso... socializar mais.

— Elas podem ter razão.

— Talvez. — Dou de ombros, sem muita convicção.

— É difícil né? — Hideki inclina a cabeça, como se estivesse me analisando.

— O quê?

— Deixar as pessoas se aproximarem.

— Acho que depende da pessoa. — Minha respiração trava por um segundo. Não esperava que ele fosse direto assim.

— Justo. — Ele assente, sem se ofender. — Mas sabe... não tô com pressa.

Levanto o olhar, encontrando o dele. Há algo tranquilizador em sua expressão, algo que diz que ele realmente não vai ultrapassar nenhum limite meu.

— Obrigado. — Minha voz sai baixa, quase inaudível.

— Se quiser conversar sobre qualquer coisa, tô aqui. Sem julgamentos.
— Ele apenas sorri.

Fico em silêncio, observando-o. Não sei exatamente o que fazer com essa oferta, mas uma parte de mim começa a acreditar que talvez, só talvez, ele seja alguém em quem eu possa confiar.

Ficamos em silêncio por um momento, mas não é desconfortável. O som abafado da música e o murmúrio distante das pessoas ao fundo preenchem o espaço, enquanto Hideki brinca com a borda do copo que ele trouxe.

— Então, Noah... — ele começa, a voz calma. — O que gosta de fazer, além de ser arrastado para festas por amigos insistentes?

Dou uma risada curta, meio que para mim mesmo.
— Boa pergunta. Talvez eu devesse perguntar o mesmo sobre você.

— Eu perguntei primeiro. — Ele sorri, inclinando a cabeça, claramente relaxado.

Suspiro e apoio os cotovelos na mesa, olhando para o tampo de madeira.
— Eu gosto de coisas simples... ler, assistir séries, desenhar às vezes. Nada muito emocionante.

— Desenhar? — Ele parece genuinamente interessado. — O que você desenha?

— Coisas aleatórias. Pessoas, paisagens, o que vier na mente. Não é nada incrível. — Dou de ombros.

— Aposto que é melhor do que você está dizendo. — Hideki sorri de lado, mas não insiste, o que é um alívio.

— E você? — pergunto, tentando desviar o foco.

— Além de aparecer em festas como essa? — Ele brinca, antes de continuar. — Gosto de música. Toco piano, na verdade.

— Piano? — Minha curiosidade cresce apesar de mim mesmo. — Isso parece... sofisticado.

— Talvez um pouco. — Ele ri. — Mas é algo que sempre me ajudou. Meio que me mantém centrado, sabe?

— Faz sentido — Assinto, entendendo o que ele quer dizer.

Hideki me observa por um momento, o olhar suave, quase como se estivesse tentando decifrar algo.
— E o que te mantém centrado, Noah?

Essa pergunta me pega de surpresa, e sinto meu corpo ficar tenso. A resposta imediata que surge na minha mente é “nada”. Mas não quero parecer vulnerável, especialmente para alguém que acabei de conhecer.

— Não sei... talvez desenhar? — digo, sem muita convicção.

Ele percebe minha hesitação, mas não pressiona. Em vez disso, muda o assunto.
— Sabe, antes eu achava que precisava ter tudo resolvido. É uma pressão enorme, não acha?

— Sim. — Respondo, aliviado pela mudança de foco. — Como se todo mundo esperasse que você soubesse exatamente o que quer da vida.

— Exatamente. — Hideki sorri novamente, um sorriso caloroso e encorajador. — Mas acho que a gente não precisa de pressa. Cada um tem seu ritmo.

Por alguma razão, suas palavras me confortam. É como se ele entendesse algo sobre mim que nem eu mesmo consegui colocar em palavras.

Antes que eu possa dizer algo, um garçom passa e deixa uma bandeja com dois copos na mesa. Hideki faz um gesto em minha direção.
— Tente. É só refrigerante. Prometo.

Eu pego o copo com cuidado, olhando para ele. Ele levanta o próprio copo e brinda com o meu.
— A novas conexões.

— A novas conexões. — Dou um meio sorriso, ainda desconfiado, mas começo a me sentir menos pesado.

Continua...

Capítulo escrito por moonlightyunnn

Até o próximo capítulo!!

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