08 - Ecos do passado

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O som dos passos de Antonella ecoava pelo longo corredor de mármore da mansão Bellini. A luz da manhã filtrava-se pelas janelas altas, criando padrões brilhantes no piso polido. Apesar da serenidade aparente, o ambiente parecia carregado, como se a própria casa guardasse segredos em seus cantos mais escuros.

Ela caminhava devagar, com um envelope amassado em mãos. O papel, agora desgastado, havia sido encontrado no fundo de uma gaveta esquecida no escritório de seu pai. Era pequeno, mas as palavras ali escritas tinham um peso que ela ainda não conseguia compreender.

"Scarlett H. Bellini."

O nome estava ali, rabiscado em uma caligrafia apressada, e abaixo dele, a data de um evento que Antonella não conseguia lembrar. Uma onda de ansiedade percorreu seu corpo. Scarlett era um nome que ecoava em seus pensamentos como um sussurro familiar, embora ela nunca tivesse ouvido seu pai mencioná-lo.

Empurrando a porta do escritório com cuidado, Antonella entrou no espaço que parecia ser uma extensão da personalidade de Dante Bellini. Pesado, dominado por móveis escuros e a presença sufocante de prateleiras cheias de livros, o escritório era um lugar onde ela raramente se aventurava.

Ela colocou o envelope sobre a mesa de mogno e o encarou como se ele fosse um artefato perigoso. Seus dedos tocaram a lateral do móvel, buscando apoio.

— Antonella?

A voz de Dante ecoou atrás dela, e ela se virou bruscamente, os olhos arregalados de surpresa.

— Pai! Eu... não sabia que você estava em casa. — Sua voz saiu nervosa, e ela rapidamente tentou esconder o envelope com uma das mãos.

Dante franziu o cenho, os olhos escuros examinando-a como um predador que identificava a presa. Ele deu alguns passos adiante, os sapatos ecoando no piso.

— O que está fazendo aqui? — Ele perguntou, com a voz baixa, mas carregada de autoridade.

Antonella hesitou, o coração acelerando. — Nada demais. Só... estava pensando em usar o escritório para estudar.

Dante não parecia convencido. Seus olhos pousaram no envelope sobre a mesa, e ele o pegou antes que Antonella pudesse impedir.

— O que é isso?

— É só... — Ela parou, sentindo-se exposta. — Algo que eu encontrei.

Dante virou o envelope nas mãos e viu o nome escrito ali. Seus olhos se estreitaram, e a expressão severa que Antonella conhecia tão bem deu lugar a algo mais sombrio.

— Onde encontrou isso?

— Na gaveta de um dos móveis. — Ela respirou fundo, buscando coragem. — Pai, quem é Scarlett?

Por um momento, o silêncio foi esmagador. A tensão no ar era palpável. Então, Dante respirou fundo, fechando o envelope como se estivesse guardando mais do que apenas um pedaço de papel.

— Não é da sua conta, Antonella. — A resposta veio como uma sentença, fria e direta.

— Como não? — Ela insistiu, a voz vacilando entre o medo e a determinação. — Esse nome está aqui, no nosso escritório, e eu quero saber o que significa.

— Já disse que não é da sua conta! — Dante levantou a voz, sua fúria agora evidente.

Antonella recuou um passo, mas não desviou o olhar. Algo dentro dela queimava, uma chama que ela não conseguia apagar.

— Você nunca me conta nada, pai! — Ela disparou, a voz tremendo. — Sempre diz que é para me proteger, mas talvez seja você quem está escondendo algo.

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⏰ Última atualização: Dec 09, 2024 ⏰

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