Cap 39

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Aperto o botão do elevador diversas vezes, como se fosse fazê-lo chegar mais rápido. O caminho até o estúdio nunca foi tão longo, repassei a possível conversa na minha mente diversas vezes, todas as palavras e xingamentos que eu poderia dizer, ~mesmo sabendo que não vai acontecer~.

- Isso não faz com que o elevador chegue mais rápido, você sabe, e vai acabar afundando esse botão.

A voz atrás de mim faz com que eu me sinta tensa, meu coração acelera, desde o início sempre odiei o efeito que Bang Chan tem sobre mim, mesmo que todo esse tempo eu tenha tentado negar isso para mim mesma.

- Precisamos conversar.

Digo o puxando para entrar no elevador junto comigo, ele abre a boca para dizer algo, levanto a mão sinalizando para que ele pare, dessa vez sou eu quem irá falar, não quero ouvir nenhuma desculpa, não quero ouvir nenhuma história inventada, quero saber a verdade, o que se passa em sua cabeça e porque diabos ele mandou Lee Know ir até mim?
Assim que entramos no estúdio, jogo minha bolsa no sofá e ando de um lado para o outro, tentando pensar por onde começar.

- O que eu fiz dessa vez? - Chan diz, encostando no braço do sofá e cruzando os braços.

- O que você fez? - solto uma risada amarga. - O que você fez!

- É, foi isso o que perguntei.

Naquele momento, o tom de voz de Chan me incomoda, mas não de uma maneira que me deixe nervosa e sim de uma maneira fazendo com que eu sinta falta daquele jeito doce e gentil com que ele sempre falou comigo, não esse jeito frio como se estivesse tentando me afastar... Mas que porra? Não era isso que eu queria desde o começo? Que ele me deixasse em paz e seguisse em frente? Então, por que isso está me incomodando tanto logo agora?

- Por que você fez isso? - digo em meio a suspiro frustrado.

- Seja mais específica. - ele diz me encarando.

- Por que você disse para o Lee Know vir atrás de mim? O que deu em você?

- Eu não o obriguei a fazer nada.

Respiro fundo, tentando me manter calma, tentando fazer com que meus ânimos se acalmem. Eu não vim aqui para brigar, para ser sincera, eu não sei exatamente o que vim fazer, mas aqui estou.

- Sei que não obrigou Christopher, mas por que você fez isso?

- Não me chama assim. - uma longa pausa. - Ele gosta de você, Rose.

- E daí?

- E daí que ele é meu melhor amigo.

Novamente, um longo silêncio um pouco mais pesado que antes surge. Como que vou refutar isso? Como vou dizer que isso não importa quando eu o conheço o suficiente para saber que essa é uma das coisas que mais importa para ele? Os membros são sua família na Coreia e nada faria com que ele os deixasse ou os magoasse, mesmo que isso afete sua própria felicidade, uma das coisas que eu mais admiro e me preocupo.
Suspiro e me sento no sofá, Chris ficando de costas para mim, não se dando ao trabalho de sequer me olhar.

- Sei Chan, mas mesmo assim.

- Não, Rose. Não tem um porém nessa história, ele gosta de você e quer ficar com você, eu não vou ficar contra isso.

- Por que você tem que ser tão cabeça dura, Christopher? - suspiro. - Você chegou a se perguntar o que EU quero? Já pensou em talvez cogitar em me perguntar em vez de ficar simplesmente decidindo as coisas por mim?

- Você gosta do Lee Know, não é? Isso é nítido.

- Não, quer dizer, gosto, mas não dessa maneira que você está pensando. - me levanto e fico de frente a Chan, fazendo com que ele finalmente me olhe.

- Então, Rose, qual é o problema?

- O problema é que você nunca me perguntou o que EU quero, porra.

- Ok, me desculpe. E o que você quer? - ele se levanta ainda de braços cruzados, me encarando.

- Você.

As palavras saem da minha boca mais rápido do que eu esperava, mas, ao mesmo tempo, o alívio toma conta de todo meu corpo, como se eu tivesse tirado um peso enorme das minhas costas. Por tanto tempo tenho tentado me convencer do contrário, por tanto tempo tenho fugido de tudo isso, do sentimento, do jeito que ele me faz sorrir, o jeito que ele faz com que eu me sinta, a maneira que adoro que ele me toca e me beija... droga, isso sempre esteve aqui e eu simplesmente tentei me fazer não enxergar.

- Droga, Christopher. Sempre foi você, desde o começo, desde aquele maldito dia em que entrei no quarto pela primeira vez e tive que te acordar. - Chan se mantém em silêncio por um longo tempo, somente me olhando, fazendo com que o nervosismo tome conta de mim. - Por favor, fale alguma coisa.

Mas ele não diz, em vez disso, Chan segura meu rosto e o puxa em sua direção, tomando meus lábios em um beijo calmo e lento, mas, ao mesmo tempo, intenso, como se estivesse tentando tornar aquilo real, como se fosse a resposta para tudo o que acabamos de conversar. Chris aprofunda o beijo, sua língua percorrendo delicadamente meus lábios enquanto ele me obriga a encostar as costas na parede. Sem interromper o beijo, ele tranca a porta do estúdio atrás de mim.

- Diga isso de novo. - ele diz ofegante com a testa contra a minha.

- O quê?

- Diga de novo que me quer.

Mordo o lábio inferior e fecho os olhos, soltando um suspiro tremulo.

- Eu sempre quis você e isso nunca mudou.

Chan fecha os olhos e abre um lento sorriso.

- Droga, Rose. Você não sabe o quanto eu quis ouvir isso.

Antes que eu pudesse responder, Chan retomou o beijo, sua boca desesperadamente exigindo mais contato de nossos corpos... Chan me pega com facilidade e me levanta, fazendo com que eu envolva sua cintura com as pernas. Enquanto nos movemos para o sofá, ele afunda a mão em meu cabelo, mantendo um firme domínio sobre mim. Cada passo carregado por desejo e necessidade.

Ambos estávamos perdidos no momento, mente e corpo tomados por uma necessidade desesperada. Chan me levanta com facilidade, suas mãos afundando profundamente no meu cabelo enquanto me colocava no sofá, nossos corpos se encaixavam com perfeição. Chan me domina completamente com cada gesto, seu beijo insistente e sua vontade evidente. Enquanto ele continuava a me beijar profundamente, ele sentou-se no sofá, me fazendo ficar em seu colo sem nenhuma resistência.
Chan interrompe o beijo somente por um tempo, sua respiração ofegante enquanto ele me olha com olhos famintos. Ele acaricia meu rosto suavemente, seus dedos percorrem a curva de minha mandíbula, me causando arrepios, um sorriso terno surge em seus lábios.

- Vim aqui para gente conversar, sabia? - falo dando uma leve risada enquanto minha respiração continua pesada.

- Eu sei - ele diz com um sorriso travesso. - Estamos conversando.

- Você estava dizendo que eu deveria ficar com o...

- Comigo - ele me interrompe. - Você deveria ficar comigo, como sempre foi.

𝑳𝒆𝒕'𝒔 𝑻𝒓𝒚 🐺🐰 - Bang ChanOnde histórias criam vida. Descubra agora