Sinopse
Para os filhos do crime tudo que os herdeiros de grandes impérios recebiam era de acordo com o sangue que pulsava nas suas veias. E o único que Kaylee Roy não podia ter manchando a sua linhagem era o dele.
Quando ela foi ferida, a partida co...
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Cinco meses depois
Meus pés se enterram na areia fria suavemente conforme ando pisando descalça, os passos atrás de mim são audíveis, sempre me lembrando de quem estou tentando me afastar mesmo sem demonstrar claramente.
Depois de um minuto inteiro andando percebo que ele não vai parar de vir então paro eu.
— Eles acham que eu estou ficando louca. — falo o que todos estão pensando a semanas e o que ele deve estar pensando também.
— E você está? — o Axel pergunta — Sem ofensas, as loucas são as melhores.
Suspiro e olho para o céu, tendo o vislumbre das milhares de histórias que só as estrelas poderiam contar. Cada ponto de luz chega até nós milhares de anos luz atrasados, elas podem todas estar mortas e nós provavelmente nunca saberemos nessa vida.
— O que você acha? — pergunto enquanto os meus olhos vão até a Lua.
Tão pequena comparada a todo o resto e ainda assim tão grande.
— Eu acho que não sou a melhor pessoa para julgar a situação mental de alguém, mas se fosse fazê-lo diria que você tá um pouquinho mais lelé sim.
Solto uma risada curta abanando a cabeça e baixo o meu olhar enquanto me viro para ele. Suas roupas esvoaçam diante da brisa marítima, sua aliança brilha junto com os pedaços de vidro polido na areia e o reflexo da Lua na água. O seu cabelo escuro se perde nas sombras e enquanto ele dá outro passo para frente.
— Você passou um pouco dos limites quando cavou a cova dele. — o Axel diz.
— O caixão estava vazio! — eu o recordo.
— A culpa é minha, eu não deveria ter dito a você que ninguém viu o corpo.
Ele semeou o veneno na minha mente.
— Ele tá vivo. — digo sentindo o calor se espalhar pelo meu rosto, junto com o fogo percorrendo tudo que a minha alma ocupa.
Ele precisa estar vivo. Ele precisa estar.
— O incêndio foi grande, o corpo poderia ser qualquer um das dezenas que foram carbonizadas, pode ter ficado impossível de reconhecer.
De princípio quando ele me disse que o funeral foi com caixão fechado e ninguém nem mesmo o legista da família viu o corpo do Ryan, eu quis ignorar, quis agir como se fosse algo que não era importante, mas importa.
Cada detalhe importa e se ele estiver vivo eu não vou ficar quieta enquanto eu achar que ele não morreu.
— Mas não foi isso que aconteceu, não com o Ryan, ele... ele é forte, ele tá vivo, por favor, acredite em mim. — uma lágrima rola pelo meu rosto e ele estende a mão para limpá-la.