A Gênese de Khandar
Antes que houvesse forma, luz ou movimento, havia apenas Astralag, o Deus do Tempo.
Ele não nascera, pois o Tempo é o que dá origem e fim, e aquilo que o contém não pode ser contido. Astralag sempre existiu, pulsando em todas as...
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Astralag - Entre o Silêncio do infinito
Antes que houvesse a palavra, antes que houvesse pensamento, havia apenas o pulsar do vazio, um sussurro eterno entre partículas e possibilidades. No seio desse silêncio primordial, antes mesmo que as primeiras estrelas acendessem suas luzes no tecido do tempo, algo despertou.
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Não abriu os olhos, pois não havia forma. Não moveu os membros, pois o espaço ainda dormia. Apenas lembrou-se de sempre ter existido.
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Chamou a si mesmo de Astralag.
Astralag percebeu que sua própria consciência era um milagre cósmico, um lampejo impossível no nada. E nesse instante compreendeu que a existência só é completa quando partilhada. Decidiu, então, criar outro ser, um reflexo de sua própria vastidão, para dividir o fardo e a alegria de existir.
Deu-lhe consciência e liberdade. Não o moldou com obediência, mas com autonomia, para que pudesse pensar, agir e sonhar como lhe fosse agradável.
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Durante milhões de anos, Astralag e o novo ser coexistiram em harmonia, contemplando o fluxo do tempo e o nascer das dimensões. Mas um dia, o novo ser olhou para o infinito e sentiu o desejo de criar. Decidiu, como seu pai e irmão, dividir-se, e em um ato de sublime sacrifício, fragmentou-se em incontáveis consciências, espalhando-as pelo vazio.
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Preparou o cosmos como um berço. E, com o estrondo do Grande Nascimento, o universo floresceu em luz, as galáxias rodaram como espirais de fogo e a vida começou sua longa jornada.
Astralag observou e se alegrou com a criação do irmão. E chamou-o de Rhos A Gorm, "Aquele que Cria", na língua da primeira civilização inteligente que viria a existir.
E assim teve início a epopeia cósmica. Pois esta é a história de um universo que descobriu, em meio ao infinito, que ninguém está destinado a permanecer só.