POV: Lux
Começamos pelos exames que exigiam jejum, pois só depois poderíamos alimentar a pequena Isha. Como eu já suspeitava, o primeiro era o exame de sangue — e, vou te contar, foi um verdadeiro desafio. Ela se debatia, chorava sem parar, e nada do que as enfermeiras tentassem parecia funcionar. Cada técnica para acalmar crianças parecia inútil. Eu não conseguia imaginar o que ela teria passado para ficar tão assustada.
Minha mãe, vendo a dificuldade, pediu que eu a segurasse. Peguei Isha no colo, aproximando-me do seu ouvido e falando com voz suave:
— Vai ficar tudo bem, meu amor. Essas pessoas só vão te ajudar, não vão te machucar. Se você deixar eles pegarem seu sangue, depois eu te dou um doce, tá bom?
Fiquei rezando mentalmente para que aquela "barganha" funcionasse. Aos poucos, ela começou a se acalmar, e eu a segurei firme. Finalmente, as enfermeiras conseguiram tirar uns quatro frascos de sangue, enquanto a pequena ainda mantinha os olhos marejados. Eu a abracei, sentindo seu corpo tremer levemente:
— Você foi muito corajosa, meu amor. Depois vou te dar seu doce, tá bom? Não chora, tá? — acariciei sua cabeça, tentando transmitir segurança e amor.
O próximo exame era a ressonância magnética de corpo inteiro, que exigia contraste e, portanto, jejum. Esse foi ainda mais difícil, porque eu não podia ficar ao lado dela durante o procedimento. Falei que estaria "de olho" nela o tempo todo, mesmo que fisicamente estivesse fora da sala. Ela entrou naquela máquina imensa, cercada por um barulho estridente, e tivemos que fazer algumas pausas para acalmá-la. Cada minuto parecia uma eternidade, e o exame levou cerca de uma hora.
Logo em seguida, veio a tomografia computadorizada, que também exigia jejum. Mais uma vez, ela precisou enfrentar outra máquina. Mas, desta vez, parecia se sentir um pouco mais confiante — afinal, a experiência era parecida com a anterior. Um suspiro de alívio escapou de mim e também dos médicos quando o exame terminou em apenas 40 minutos.
E assim, finalmente, concluímos todos os exames que precisavam de jejum. Ver Isha exausta, mas segura nos meus braços, me trouxe uma sensação de alívio profundo. Ela olhou para mim com aqueles olhos ainda brilhantes de lágrimas, e eu sabia que, apesar do cansaço, ela tinha sido incrivelmente corajosa.
Já passava do meio-dia, quase uma da tarde, quando finalmente fomos para o quarto que minha mãe havia reservado para Isha. A pequena estava exausta. Eu a carregava no colo, o corpinho leve repousando contra o meu peito, a cabeça encaixada entre meu ombro e o pescoço. Ela parecia tão frágil que cada suspiro dela me fazia querer protegê-la ainda mais.
Minha mãe, sempre presente desde o início, nos acompanhava lado a lado.
— Depois que a nossa pequenina descansar e almoçar, faremos o restante dos exames. — disse com suavidade, olhando para Isha. Depois, acariciou sua bochecha delicadamente, arrancando um pequeno rubor no rosto da menina. — Você foi muito corajosa hoje. Daqui a pouco tudo isso acaba, e você vai poder ficar o tempo todo com a Lux, está bem?
Isha, embora ainda abatida, pareceu relaxar sob o toque e as palavras dela. Ver isso me trouxe um pequeno alívio.
— Finalmente está chegando ao fim... — murmurei, apertando os lábios. — Mas me parte o coração saber que ela ainda não comeu nada até agora.
Foi nesse momento que a porta se abriu. Como se tivesse ensaiado a entrada, meu pai surgiu carregando algumas sacolas.
— Olha só o almoço das princesas! — anunciou em tom brincalhão, tentando suavizar o clima pesado.
De dentro das sacolas, tirou duas marmitas e alguns frascos de suco natural de laranja. Entregou uma marmita para mim, enquanto a outra passou direto para as mãos da minha mãe, que já se adiantava em cuidar da refeição da pequena.
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Unexpected Family
FanfictionLux é uma garota tranquila, mora sozinha, tem um bom emprego na empresa de seu pai e sempre está em companhia de sua melhor amiga Jinx. Mas um dia tudo muda quando ela encontra uma menina que foi deixada na sua porta. Decidida a adotar a menina ela...
