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Silêncio.
Tudo o que se ouvia era o barulho do vento fresco e das águas cristalinas correndo, o total contraste das mentes barulhentas dos dois Reis que se entreolhavam.
Não era necessário falar para que ambos entendessem o que passava em suas mentes, seus olhares falavam por si só. Um olhar carregado de mágoas, arrependimentos e, acima de tudo, saudade.
E, por breves instantes, enquanto olhava nos olhos do homem que um dia amou — e ainda amava —, o Rei de YunmengJiang desejou largar tudo e finalmente viver aquele amor proibido que julgara estar enterrado no passado. Já o Rei de GusuLan teria feito isso no passado, sem pensar duas vezes, e o faria no presente se o outro partilhasse dos mesmos desejos.
Mas Lan Xichen sabia que, provavelmente, isso não ia acontecer, e nem tinha como julgar o mais novo. Ele estava fazendo o correto, agindo com a razão, e não com o coração.
— Não esperava vê-lo aqui. — O Rei mais velho finalmente quebrou o silêncio, sabendo que, se não o fizesse, ficariam naquela troca de olhares silenciosa até que Jiang Cheng fosse embora sem dizer uma palavra.
O Rei de YunmengJiang desviou o olhar para a água, rodando nervosamente o anel em seu dedo.
Lan Xichen, observador como sempre, não pôde deixar de sorrir quando notou o velho hábito do mais novo. Por mais anos que passassem, algumas coisas não mudavam...
— Nem eu. — respondeu num sussurro quase engolido pelo vento. — Jingyi insistiu que eu o trouxesse.
— Como ele está? — perguntou o Rei mais velho, procurando um assunto casual para que o ambiente não ficasse estranho entre eles. — Faz quatro anos que não o vejo, deve estar crescido.
— Teimoso, e com a língua cada vez mais afiada. — resmungou Jiang Cheng, rolando os olhos.
Lan Xichen soltou uma risada baixa.
— Bom, ele tem a quem puxar.
Aquele comentário deixou o Rei de YunmengJiang constrangido.
Não porque era mentira, mas porque, vindo da boca de Xichen e num tom descontraído e de brincadeira, trazia de volta aquela sensação de leveza e proximidade.
E ele não queria provar dessa sensação, pois sabia que junto com ela vinha uma avalanche de sentimentos, emoções e desejos.
— Você acha que me conhece, Xichen? — o tom era defensivo, quase agressivo. — Faz tempo demais.
O Rei de GusuLan nem se surpreendeu com a postura defensiva do outro. Na verdade, após fazer aquele comentário, meio que já esperava receber uma resposta pouco agradável.
Ainda assim, ele sorriu.
Um sorriso curto, um pouco forçado e melancólico.
— Tempo demais, sim. — concordou, arriscando ser mais ousado em sua resposta. — Mas o suficiente para eu saber quando você está na defensiva porque tem medo de encarar aquilo que sente há mais de dezasseis anos.
As palavras o atingiram em cheio, embora ele não deixasse transparecer.
Jiang Cheng cerrou o maxilar, o punho fechado ao lado do corpo.
— Você não sabe nada sobre mim, nunca soube.
— Eu sei, sim. — Lan Xichen deu um passo à frente, aproximando-se. — Eu sei que, assim como eu, você ainda pensa em nós.
O Rei de YunmengJiang engoliu em seco, seu corpo congelou e o coração palpitou dentro do peito.
— Não existe nós, Lan Xichen.
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[XICHENG] - Coroa Vazia (HIATUS)
FanfictionJiang Cheng viveu toda a sua vida imerso na responsabilidade de ser o herdeiro legítimo à coroa do Reino de YunmengJiang, completamente absorto das restantes coisas da vida que o rodeavam, incluindo o amor, algo que ele desacreditava e nunca havia p...
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