Reencontros (3/3).

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13.

A noite havia chegado.

Como esperado, Lan Xichen não deixou que o mais novo saísse em meio àquela tempestade e correndo sérios riscos de ser novamente abordado por algum grupo de Guardas do Reino de QishanWen e LanlingJin.

Depois do Rei de GusuLan ser surpreendido pelo abraço do jovem Príncipe de YunmengJiang, aproveitando aquele momento para permitir que a sua fragilidade desse as caras, um silêncio constrangedor se estendeu pelo resto do dia até que fosse hora de dormir. Ultimamente, nenhum dos dois conseguia pregar olho, porém Wanyin estava tão exausto - fisicamente e emocionalmente - , que adormeceu poucos minutos depois de se deitar na cama cedida pelo mais velho. Era a segunda vez que os dois se encontravam sozinhos numa cabana no meio do nada, sendo que o Lan sempre se sacrificava e cedia o conforto ao outro. Porém, desta vez, Jiang Cheng não discutiu e aceitou de bom grado a gentileza do mais velho.

Agora, passando mais do que da hora habitual em que o jovem Rei dormia, o mesmo encontrava-se deitado na cama improvisada no chão, olhando o teto enquanto a sua mente se afogava em pensamentos. O compartimento era iluminado apenas pelas brasas que restaram da fogueira que ardeu para aquecer o local, contudo era o suficiente para o mais velho, ocasionalmente, conseguir observar o mais novo adormecido na cama ao seu lado. E mais uma vez, ali estava ele, desviando o olhar para se perder na figura masculina que parecia inquieto no seu sono. Um pequeno sorriso formou-se nos lábios do jovem Rei quando a imagem do abraço daquela tarde invadiu a sua mente. Deitou-se de lado, com o cotovelo apoiado no chão enquanto o seu rosto ficava pousado sobre a palma da mão aberta, voltado para a cama onde o outro estava deitado. E o observou, por muito tempo.

E ali ele pensou sobre muita coisa, mas sobretudo no quão abençoado era por ter conhecido alguém tão especial como Jiang Wanyin. E no quão sortudo era por ter tido a oportunidade de beijar os seus lábios, mesmo que naquela altura nem sequer soubesse quem estava beijando. O seu coração aquecia somente de pensar em Wanyin, porém, uma sensação de angustia e aperto o consumia por dentro quando se lembrava do sofrimento e das dificuldades pelas quais o mais novo estava passando e no quanto isso o estava destruindo aos poucos. Lan Xichen tinha uma sensação de impotência avassaladora dentro do seu peito que o fazia sentir-se um inútil, martirizando-se por ter sido incapaz sequer de proteger o seu Reino, o que diria de proteger o outro homem.

Um longo suspirou saiu pelos seus lábios e deixou-se cair na cama improvisada, fintando novamente o teto por tempo indefinido. Só voltou a desviar o olhar quando ouviu o jovem Príncipe resmungar de dor e bater os dentes, deparando-se com o mesmo tremendo na cama e abraçando o corpo para o tentar aquecer.

- Wanyin?

O mais velho levantou-se, ficando sentado e aproximando-se da cama, olhando preocupado para o mais novo que não lhe respondeu e continuava a tremer. Ainda que estivesse relutante em tocar o outro sem a sua permissão, Lan Xichen levou a sua mão à testa alheia e reparou que a mesma estava ardendo e ensopada de suor.

- Você está ardendo de febre, Wanyin. - constatou o jovem Rei, levantando-se de imediato ao perceber que o outro tinha pego um resfriado depois da chuva e do frio que tinha passado naquela tarde.

Quando o Lan começou a afastar-se, a mão do Jiang segurou o seu pulso, o impedindo de se afastar. O mais velho olhou confuso na direção do outro, este que continuava de olhos fechados e batendo os dentes, tremendo de frio.

- N-não me deixe s-sozinho. - pediu o mais novo.

- Eu seria incapaz de o deixar sozinho, Wanyin. - garantiu o mais velho, fazendo um carinho com o polegar na mão alheia e sorrindo minimamente, ainda que o outro não pudesse vê-lo. - Vou só pegar um pano molhado em água fria para baixar a sua febre, tudo bem?

[XICHENG] - Coroa Vazia (HIATUS)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora