Sempre sentia o mesmo aperto no peito ao ver os portões de ferro da escola interna se fecharem atrás de mim.
Júlio motorista da família depois de sofrer para colocar as malas de Suzana no porta malas do carro seguiu viagem até minha casa aonde meus pais me esperavam.
O rigor do ballet ficava para trás por algumas semanas, mas a sensação de viver sob expectativas inalcançáveis me acompanhava até nas férias.
Ser filha única de uma das famílias mais ricas do país, dona de uma renomada rede de joalherias, significava crescer cercada de luxo, mas nunca de escolhas. Meus pais haviam decidido meu futuro muito antes de eu aprender a amarrar as sapatilhas.
— Relaxa, amiga! Vai dar tudo certo.
— Eu sei, Suzi... Só que meus pais são tão difíceis às vezes. Eu os amo, mas na maior parte do tempo chegam a ser sufocantes.
— Ai, amiga, te entendo mas relaxa, pelo menos dessa vez pensa em como vai ser bom em Alfenas, curtição, homens...
— Você não tem jeito, né? — dei um sorriso de canto.
Juntas na parte de trás da SUV preta recém comprada , olhávamos para a paisagem que antecedia a chegada nas terras Mansur , olhando o tempo passar e atolada em pensamentos.
— Confia em mim — disse Suzana, apertando minha mão. — Esse verão vai ser nosso!
Depois de quatro longas horas de viagem finalmente chegamos, a mansão estava impecável, como sempre. Lustres acesos, empregados silenciosos, Suzana sempre se impressionava com nossa casa de campo era lugar preferido dela na infância ficávamos juntas por aqui durante todas as férias de verão já que seus pais viviam viajando , realmente um lugar que trás boas memórias !
__ Minha princesa !
__ Papai !
Corri e abracei meu velho , quanta saudade senti nesses meses , pela rotina corrida de ambos eram raras as vezes que nos víamos durante o ano letivo , mas sempre que tinha uma brecha meu pai fazia questão de ir me visitar na escola de ballet nem que fossem por alguns minutinhos .
__ Suzana ! É um prazer tê-la conosco novamente sinta-se em casa como sempre fez ! Pedi a dona Dália que preparasse o quarto de vocês no segundo andar , fiquem a vontade estou terminando de ajudar sua mãe nos preparativos para o jantar dessa noite e você sabe , se eu demorar ela vem me buscar pelas orelhas .
Sorrimos juntas , meus pais eram quase que inseparáveis algo que deixava meu coração quentinho , apesar da mamãe ser um tanto quanto rigorosa o amor deles era genuíno .
O dia passou rápido nem desfizemos a mala pois se o plano desse certo sairíamos amanhã cedo direto para Alfenas !
A noite chegou depressa, um jantar formal preparado para impressionar convidados importantes foi preparado, entre eles, Enzo, primo de Suzana , educado, bem-apresentado e exatamente o tipo de rapaz que meus pais aprovavam sem questionar.
— Clarisse, querida, soubemos que este foi um ano particularmente exigente na escola.
Depois de todos apresentados e sentados na grande mesa , minha mãe me fitava delicadamente sorrindo , a presença de Enzo era algo que acredito eu ela julgava quase que impossível vindo de mim, afinal eu nunca aprovei o fato de que eles queriam me arranjar um casamento, ainda mais depois do que aconteceu a quase dois anos atrás .
— Sim, mamãe, o foco no ballet clássico aumentou bastante... mas estou me adaptando.
— Disciplina é essencial. É o que diferencia talento de excelência — disse meu pai, enquanto provava o caviar.
Enzo interveio com um sorriso polido:
— E ela claramente tem os dois. Pouca gente conseguiria manter esse nível de dedicação tão jovem.
Baixei os olhos, fingindo timidez. Suzana percebeu e quase sorriu. Se eu não me controlasse, o plano iria por água abaixo rapidinho.
— Enzo, você trabalha com o quê mesmo? — perguntou minha mãe, fitando-o com orgulho.
— Administração, estou envolvido em alguns projetos da família... mas confesso que admiro muito o mundo das artes. Ballet exige um controle que poucos entendem.
Administração de lutas clandestinas, pensei, revirando os olhos.
— Clarisse vive para isso, as vezes até esquece que existe um mundo fora da sala de ensaio — disse Suzana, tentando me ajudar.
— E o senhor aprecia esse mundo fora dos ensaios? — perguntou meu pai, observando Enzo com atenção.
— Acredito que equilíbrio seja essencial, inclusive, comentava com Suzana sobre passar alguns dias na casa no lago dos meus pais, um lugar calmo, ideal para descansar a mente.
— Uma casa no lago? — minha mãe perguntou, distraída, verificando se os talheres estavam realmente limpos.
— Sim, senhora um ambiente tranquilo, seguro nada de excessos. Acho importante saber aproveitar o silêncio e a natureza de vez em quando.
— Deve ser bonito — falei, sem demonstrar muito interesse.
— É lindo, e faria muito bem para Clarisse, ela nunca teve férias de verdade — Suzana não perdia o fio da meada.
— Quantas pessoas estariam lá?
— Poucos amigos próximos, todos conhecidos da família posso garantir não há com o que se preocupar.
Meu pai trocou um olhar silencioso com minha mãe.
— Clarisse sempre esteve sob nossa supervisão — disse ela.
— E continuará, de certa forma. Eu me sentiria responsável por ela — respondeu Enzo.
Quase engasguei com a água, Suzana segurou o riso.
— Talvez alguns dias de descanso não façam mal... — ponderou meu pai.
— Desde que seja algo organizado — completou minha mãe.
— Claro! Tudo planejado. Só um descanso merecido — garantiu Suzana,
mais tarde, quando meus pais se levantaram da mesa, me inclinei para ela.
— Eles acreditaram. — Ela sorriu.
— Claro que sim! Aparências
funcionam melhor do que verdades. — Enzo se aproximou devagar.
— Agora é só não estragar tudo... bailarina.
Sorri pela primeira vez naquela noite, Alfenas aí vamos nós !
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Naquela noite, enquanto dormia, uma vibração na cômoda ao lado me despertou.
Abri os olhos ainda sonolenta e fiquei alguns segundos tentando entender de onde vinha o som. Não era o meu celular.
Sentei na cama e abri a primeira gaveta da cômoda. Lá estava o aparelho que Damon havia me emprestado. A tela acesa iluminava o quarto escuro com uma única mensagem:
"Preciso te encontrar."
Meu coração acelerou sem pedir licença.
Fiquei encarando aquelas palavras por alguns segundos, sentindo um calor estranho subir pelo corpo. Damon não parecia o tipo de homem que procurava alguém à toa. Tudo nele era calculado demais... firme demais... perigoso demais.
O que ele poderia querer comigo outra vez?
Sem querer, meus dedos tocaram meus lábios ao lembrar do beijo. Intenso, inesperado, quente o bastante para bagunçar meus pensamentos desde aquela noite. Eu ainda conseguia sentir a forma como ele me puxou para perto, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido por alguns segundos.
Balancei a cabeça, tentando afastar a lembrança.
Talvez ele só quisesse o celular de volta.
Talvez quisesse agradecer pela ajuda na festa.
Talvez... quisesse repetir o que aconteceu entre nós.
Meu peito apertou só de pensar.
Olhei novamente para a mensagem curta, quase seca demais para revelar qualquer intenção. Mas havia algo nela que eu conseguia sentir, mesmo sem entender: urgência... e impulso. Como se tivesse sido escrita no exato momento em que pensou em mim.
Mordi o lábio inferior e bloqueei a tela.
Se Damon queria me encontrar, a pergunta verdadeira não era essa.
Era por que eu queria tanto responder.
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Hellooo peoples !! Como vocês estão ? Espero que bem !
Aqui vai mais um capítulo desse novo livro pra vocês espero que gostem
Bjs da Sophy
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OBSCURO
RomansaDamon ladger um poderoso homem e exímio lutador, Magnífico é como todas as mulheres o descrevem , lutador profissional ele não esconde sua feição fechada, e o domínio exala de seus poros . Clarisse é uma bailarina muito talentosa a procura de some...
