Parei diante da mesa examinando os objetos na bandeja, não totalmente pronta para tocá-los. Havia uma pequena taça de prata com tampa, o padrão de videiras gravado nela escurecido pelo correr de gerações e o azinhavre tão forte que nem o melhor polimento removeria. Os desenhos lembravam as rosas de renda que contornavam meu vestido, o que me deixou mais feliz ainda por ter escolhido esse detalhe. Parecia que, enquanto criava meu vestido, eu tinha de algum modo me ligado à minha mãe, à mãe dela e a todas as mulheres Dragomir que haviam usado aquela taça antes de mim.
Minhas ancestrais também tinham usado a faca de prata posta ao lado da taça. E a colher onde havia um punhado de ervas. E as tiras de tecido de algodão dobradas sob a faca.
Mamãe pôs as mãos nos meus ombros de novo. Eu nem havia percebido que ela e Mindy tinham se juntado a mim perto da mesa. Virei-me um pouco para ver o rosto dela.
- Mamãe...?
Mas eu não sabia direito o que queria perguntar. Sabia o que tinha de fazer.
Mamãe me deu um sorriso tranquilizador e eu ganhei um pouco de força com a calma que ela aparentava.
- Você vai ficar bem - prometeu ela. Depois me virou de frente para ela e me puxou, apertando-me com força. - Vou me juntar aos outros convidados - disse, recuando mas ainda segurando minhas mãos, mantendo-nos ligadas.
- Mamãe! - reclamei, apertando seus dedos. - Não vá ainda!
Mas ela balançou a cabeça.
- Não, Antanasia. Esta na hora de eu ir.
Eu conhecia minha mãe o bastante para entender que ela havia escolhido deliberadamente aquele momento - e que usara de propósito meu novo nome. Ela estava me lembrando de que eu era adulta agora. Meu casamento estava começando e eu não a teria por perto para me ajudar a enfrentar as dificuldades que certamente viriam no futuro. Era hora de começar a encará-las.
- Sei que é difícil, mas tente não sentir medo - acrescentou mamãe, como um último conselho. - Quero que você saboreie cada momento desta noite. Não se trata de fazer tudo certo e sim de você e Lucius se comprometerem um com o outro. Só isso importa.
Respirei fundo e concordei.
- Eu sei.
- Eu te amo - disse ela, me abraçando de novo.
- Eu também te amo - falei baixinho.
Então mamãe saiu, deixando-me com Mindy, sem dizer mais nenhuma palavra, porque tínhamos dito todas as coisas importantes.
Quando a porta se fechou, Mindy se virou para mim com os olhos arregalados, nervosos, como se desejasse que a calma e competente Dra. Packwood ainda estivesse conosco.
- Ai... O que eu faço, Jess? - perguntou ela, os olhos virando rapidamente para a bandeja. - Eu... ajudo você?
Balancei a cabeça.
- Não. Só fique no quarto para o caso de alguma coisa dar errado.
Minha dama de honra ficou meio pálida, mas confirmou com a cabeça.
- Tudo bem.
Então, parecendo sentir que eu precisava de um pouco de espaço, de um pouco de privacidade, Mindy recuou alguns passos. Eu me sentei à mesa e, sem me dar mais tempo para hesitar, estiquei o braço esquerdo sobre a bandeja e usei a mão direita para erguer a faca.
