olhando para o nada

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Há vezes em que me pego olhando para o nada. A mente vazia, o coração apertado e a sensação de que algo está fora do lugar. Às vezes olhar para o nada é a forma de tentar suportar tudo aquilo que me forço a carregar. Dissociando eu posso ir para onde quiser; para os campos mais verdes, para as histórias mais emocionantes ou apenas para um lugar onde eu não precise me odiar. Um lugar onde a sensação de fracasso não me persiga parece um sonho distante, algo impossível de alcançar.

Às vezes acho que sou incapaz de me expressar. O que é isso que pesa no meu peito? O que é isso que estagna minha vida e me faz ficar presa nesse mesmo lugar? É como se tivessem raízes as quais não consigo me libertar. É como se elas fossem impossíveis de cortar. E a cada dia que passa, assim como as raízes puxam a água, essas raízes que me impedem de fugir para outro lugar vão sugando aos poucos cada gota de vitalidade que há dentro de mim.

E aqui eu continuo.

Parada.

Enraizada.

Estagnada.

Olhando para o nada.

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