Capitulo 2

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Passei praticamente a tarde toda no quarto mexendo no notebook. No jantar íamos receber minha tia junto com seu marido e minhas primas. Fui tomar um banho, lavei meu cabelo, sequei e fiz uma escova rápida, coloquei um vestido de renda preto bem trevoso como minhas amigas costumavam falar, resolvi passar no rosto uma maquiagem leve, não gostava muito de maquiagem a não ser um bom rímel, eu realmente amava rímel.

Eu sabia que uma das minhas  primas a Isabela tinha a mesma idade que eu e que iríamos estudar no mesmo colégio. Fazia anos que não a via, me lembro que ela era uma cópia da Barbie, sempre andava de rosa e seu cabelo era liso e loiro com franjinha, será que ela continuava insuportável? Quando éramos pequenas brigávamos muito, ela quebrou uma Barbie minha de propósito porque eu não queria deixar ela brincar, fiquei muito brava e meti a mão na cara dela. Como criança é boba, pensei rindo do passado.

Minha mãe me chamou lá em baixo, acho que eles haviam chegado, dei uma última olhada no espelho e desci. Quando fui descendo as escadas logo vi de longe o cabelo loiro chamativo da Isabela, ela estava de costas sentada no sofá mas pude a reconhecer, minha tia me viu e disse um pouco alto.

— Aí está ela, meu Deus como você cresceu Sasa. — Odiava esse apelido que minha família costumava me chamar, mas dei um sorriso como se estivesse gostado. Abracei minha tia e cumprimentei meu tio, ao lado dele estava a minha prima mais nova Maria Júlia, era a primeira vez que eu a via, ela era uma cópia fiel da Isabela quando mais nova.
— E você deve ser a Maria Júlia certo? — Disse abaixando.

— Maju, eu sou a Maju, seu batom é bonito passa em mim? — Ela disse passando o dedo nos meus lábios e depois no dela, todos riram exceto a Isabela que continuava de costas mexendo no celular.

— Claro, daqui a pouco vamos lá em cima e eu passo em você ok?

— Tá bom. — Disse ela e logo depois saiu correndo.

— Bela olha a Savannah vem falar com ela filha. — Ela levantou do sofá onde estava e teve a mesma reação que eu. Bela não parecia mais a Barbie muito pelo contrário, ela tinha o mesmo estilo que eu, nosso vestido era praticamente idêntico, se não fosse o cabelo estávamos iguais. Ela deu um sorriso meio que surpresa e eu retribui.

— Oi Barbie, parece que você não gosta mais de Barbies não é? — Disse ela me abraçando.

— Não era eu que me vestia toda de rosa da cabeça aos pés era? — Eu disse rindo. Ela parecia ser legal.

— Você sabe que nossas mães adoravam fazer a gente de Barbie humana né? Que cafona cara. — Ela disse baixinho pra nossas mães não ouvirem.

—Aquilo era terrível mesmo. — Ela deu uma breve risada e sentou novamente, dessa vez não de costas. Eles começaram a conversar, meu pai contou sobre nossa vida em São Paulo e como era lá, meu tio estava interessado, as pessoas do litoral tinham muita curiosidade de conhecer a cidade. Até que a conversa chegou em um assunto que eu evitava a muito tempo.

— Savannah você ainda toca? — Perguntou minha tia. Senti minhas pernas estremecerem.

— Claro que sim, Savannah porque você não pega seu violão? Está lá no meu quarto, quer que eu pegue?

— Pai já faz muito tempo que eu não toco. — Eu disse querendo desconversar e rezando para ele parar.

— Porque você não tenta? Aposto que iria conseguir você tocava tão bem gatinha e cantava igual um an...

— Pai não por favor, eu não quero entendeu? — Eu disse um pouco arrogante. Bela parou de mexer no celular e olhou assustada para mim. Todos eles sabiam porque eu havia parado de tocar mas sempre tentavam me forçar a voltar para a música.

— Savannah não precisar ser grossa. — Disse a minha mãe.

— Desculpe papai, só não toque mais nesse assunto por favor.

— A culpa foi minha, perdão eu não sabia que ela ainda tinha receio. — Disse minha tia. Tudo o que eu mais queria era sair dali.

— Tudo bem, porque não vamos até a cozinha para você conhecerem e depois no jardim? — Todos concordaram.

— Savannah porque você não mostra seu quarto para a Bela? — Disse minha mãe.

— Tá afim? — Disse para ela.

— Qualquer coisa para me livrar do papo chato dos nossos pais. — Ela disse baixinho para ninguém ouvi e eu ri.

Abri a porta do meu quarto e sentei na cama. A bela entrou e foi tirando algo entranho da sua bolsa de franjas, era alguma coisa enrolada em um papelzinho, depois de um tempo entendi o que era, arregalei meus olhos e disse surpresa:

— Você fuma?

— Ah não, fico com maconha na bolsa só pra ficar olhando para ela mesmo. — ela disse ironicamente. — Cê não liga se eu fumar aqui né? — Eu simplesmente odiava qualquer tipo de droga, muita gente que eu conhecia já tinha morrido por causa disso e me dava ânsia só de pensar em alguém usando do meu lado.

— É... Bom, daqui a pouco vamos descer e se você fumar aqui todos vão perceber, inclusive meus pais e acredite eles são um saco quanto a isso. — Ela olhou pra mim e sorriu.

— Você tem razão Barbie, meus pais são meio lerdos, nunca perceberam. — Ela disse e logo em seguida se jogou na cama.

— Aquilo lá em baixo... Deve ser mó barra passar pelo o que você passou em? Eu não sei como seria se fosse comigo. — Ela disse me olhando seria.

— Foi horrível, ela era tão pequena, tinha a idade da Maju e ah meu Deus eu sinto tanta falta. — Me esforcei para ser forte e não deixar as lágrimas rolarem.

— Teu quarto é um luxo em, mas porque tá tão vazio? — Ela disse mudando de assunto e observando tudo.

— Ah, eu ainda vou decorar ele todo, meu antigo quarto era menor e eu não tinha muita coisa.

— Hum... Entendi, se quiser eu te ajudo a decorar, sei umas lojas que tem umas mobílias incríveis, você vai gostar.

— É pode ser. — Ficamos em silêncio alguns minutos até que ela quebrou.

— Deve ser legal morar em São Paulo né? Cidade grande, muitos lugares, gente bonita.

— É maneiro, mas parece legal morar aqui também.

— É legal até, mas aqui não é muito grande, não importa aonde você vai sempre vai ter alguém do colégio lá, é um saco odeio ver as mesmas pessoas.

— Deve ser chato mesmo. — Nunca fui muito de sair, sempre era da escola para casa, da casa para escola, exceto quando ia pro shopping ou algo parecido, tirando isso nunca saia.

— E o colégio, lá é legal? — Perguntei.

— Barbie pra que você quer saber de colégio gata? Férias estamos de férias, para de esquentar a cabeça.
— Ela disse pegando uma travesseiro e jogando na minha cara.

— Aí eu só estou curiosa. — Dei uma risada e joguei de volta na cara dela. — Só queria saber se é legal e para de me chamar de Barbie você que se parece com ela.

— Pra mim você sempre vai ser a Barbie, como uma garotinha conseguia ter uma coleção tão imensa? — Eu realmente tinha muitas Barbies quando era nova.

— Na verdade eu tenho até hoje, estão todas ali naquela caixa enorme.

— Ai tá vendo, depois fala que não é a Barbie, nem delas você consegue se desfazer. — Ela riu e me fez rir também. Minha mãe nos chamou para jantar e nós descemos. Bela era legal, mais do que eu pensava e talvez não seria tão ruim morar no litoral.

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⏰ Última atualização: Oct 13, 2015 ⏰

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