11. Transtorno Explosivo Intermitente.

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Kayla Salls P.O.V

Estou olhando fixamente para o relógio que está em cima da cabeça do professor de matemática, os ponteiros se movem lentamente, é como se eles soubessem que eu quero ir para casa o mais rápido possível e ficam se arrastando, dá a impressão de que estão fazendo isso para me deixar irritada, não vejo a hora dessa maldita aula acabar, estou sem paciência nenhuma hoje.

Ontem o Justin saiu feito um maluco da minha casa e desde então não tenho notícias dele, eu liguei para ele umas cem vezes na noite passada e lotei a sua caixa de entrada com mensagens minhas, ele não atendeu nenhuma das minhas ligações e também não respondeu minhas mensagens, nem um simples "oi" ele se preocupou em me enviar, talvez ele não queira me ver nunca mais depois do que aconteceu, meu corpo dói só de pensar nisso. Hoje antes de vir para a escola lembrei que um dia ele reclamou porque eu não estava com o celular para responder suas mensagens e decidi trazer, será que ele enviou alguma mensagem? A curiosidade toma o melhor de mim e cuidadosamente puxo meu celular do bolso, deslizo o dedo pela tela para ver se tinha alguma coisa do Justin mas não tinha nada, absolutamente nada.

Por um lado ele está certíssimo em me ignorar e eu compreendo um pouco o lado dele, mas por outro ele foi irracional, nós poderíamos ter nos sentado para conversar como duas pessoas decentes e civilizadas fazem, e depois ter ido ao nosso jantar, porém ele preferiu a saída dramática e eu preferi ficar calada sem fazer nada. Se eu soubesse que ele agiria daquela forma eu teria omitido, teria inventado qualquer desculpa idiota e não teria citado o nome do Harry, aquele idiota me mete em problemas mesmo não estando por perto.

- Kayla? Kayla! - Blake grita alto no meu ouvido, volto para a realidade quando escuto claramente sua voz me chamando outra vez, o rosto dela está próximo ao meu e nele tem uma expressão impaciente. - Em que mundo você estava garota? Eu passei quase dois minutos te chamando sem parar e você aí viajando, aterriza. - Blake disse estupefata e bufou, sua forma de falar é engraçada, mas meu dia hoje não está engraçado então não vou rir porque não estou no clima.

Olho ao redor e vejo que só tem nós duas na sala, nossa, me afoguei tanto nos meus pensamentos que nem notei quando a aula acabou.

- Foi mal Blake, me desculpa, é que hoje eu não tô muito bem. - Eu disse desanimada, ela franziu o cenho pela minha forma de falar.

- Como assim "você não tá muito bem"? - Ela disse e fez aspas com o dedo. - Que eu saiba ontem você ia sair com o afeminado dois ponto zero, era pra você estar andando saltitante querendo soltar fogos de artifícios por aí, não agindo igual aquelas pessoas que acabaram de sair de um funeral. - Ela disse óbvia, e eu gargalhei pela primeira vez em horas.

- Vamos conversar sobre isso lá fora, de preferência no refeitório, preciso comer. - Eu disse e ela concordou num aceno de cabeça.

Levantei da cadeira e puxei ela pelo braço, quando saímos da sala de aula algumas pessoas que estavam conversando no corredor pararam de conversar e nos olharam com cara de nojo, aposto que pensam que eu sou a nova namorada da Blake, eles que pensem o que quiserem de mim, eu não me importo. Continuamos caminhando em direção ao refeitório, Blake andava ao meu lado cantando alguma música do Nirvana, ouvi Blake resmungar um palavrão e olhei na direção em que ela estava olhando e vi que os garotos do time de futebol andavam na nossa direção, eles pararam de andar e ficaram de frente com a gente, todos eles ficaram nos olhando maliciosamente.

- Topam um ménage à trois, gatas? Não tenho problemas de transar com lésbicas, até acho excitante. - O que parecia ser o líder do time de futebol disse e sorriu malicioso, todos do refeitório riram.

MaktubHistórias para pegar e não largar. Descubra agora