morte de melancia

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Colocando o bode num caixão, mandou espalhar a notícia de que sua filha, voltando da escola, tinha sido atacada por uma onça e, infelizmente,tinha morrido.
Quando soube da notícia, o rapaz deu até risada.
-- É mentira!
Mesmo assim foi correndo até a fazenda.
--Cadê a menina?
Encontrou o fazendeiro com um lenço na mão, fazendo cara de choro fingido.
--Tá tudo acabado! Disse ele rindo por dentro.
--Minha filha, minha joia perfumosa, minha flor encantada morreu!
Mostrou o vestido da menina rasgado e cheio de sangue.
--Foi onça! explicou o fazendeiro chorando.
O coração do rapaz parou de bater. Uma tontura veio que quase derruba ele no chão. Acompanhou o enterro em silêncio. Nem chorar, ele chorava. Só olhava o caixão. Imaginava que ali dentro estava o corpo da moça, quando ali só tinha um bode velho morto.
Depois do enterro,o rapaz saiu andando. Sua vontade era morrer afogado na lagoa. Sua vontade era cair do alto do precipício. Resolveu passar no caminho onde, diziam, a moça tinha sido atacada.
-- Quem sabe a onça não me mata tambem e assim eu vou pra onde ela foi?
E o moço ficou doente. Parou de falar. Parou de comer. Deitado na cama, só pensava na morte, mas a morte não veio. Um dia, saltou da cama:
--Chega! Vou sair pelo mundo! --disse ele.
-- Vou tentar começar tudo de novo!
Despediu-se dos país, pediu a benção e foi embora. Não conseguiria mais viver naquele lugar. Cada prédio, cada caminho, cada arvoredo, cada paisagem trazia em sua cabeça a imagem perfumosa, doce e suave de sua querida melancia.
Durante três anos inteiros, o moço viajou pelo mundo.

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