Reino de Murdor
Demetria acordou assustada, com braços fortes a arrastando rudemente pra fora da carroça. Tinha adormecido no restante do caminho e nem notara a chegada ao famoso Reino de Murdor. A princesa nunca saira de Severac, nunca estivera naquele lugar, mas já ouvira muitas histórias sobre o povo de lá e a seu ver eram todas verdadeiras. Lutou pra se manter em pé e esconder o corpo descoberto enquanto dois soldados a seguravam, percebeu olhares sobre ela, alguns de curiosidade, outros de malícia e tentou manter a dignidade enquanto era arrastada como uma qualquer em direção ao Palácio.
Em comparação com a cidade, que era composta por casas e pessoas simples, o Palácio era de uma grandeza e beleza absurdas, muito mais chamativo que o Palácio de sua família em Severac. Havia criados espalhados por todo canto, assim como guardas muito bem armados, atentos. Quando pararam em frente uma enorme porta dupla, o comandante se virou pra falar com seus soldados.
__Eu vou entrar primeiro e falar com o Rei, vocês fiquem aqui com ela e esperem meu comando, estamos entendidos?
__Sim senhor__ os soldados concordaram..
Então, sem mais nenhuma palavra, o cavaleiro das sombras adentrou a sala do Trono.
Klaus, o famoso e temido Rei de Murdor, estava sentado no fim do salão em seu Trono. A presença dele era forte, impunha respeito, era um homem na casa dos quarenta, tinha cabelos loiros na altura dos ombros, olhos verdes brilhantes e um corpo musculoso que arrancava suspiros de muitas mulheres do Reino. O único defeito em sua aparência era a cicatriz que tinha no lado esquerdo do rosto que ganhara em batalha, começava na testa, atravessava o olho e terminava no meio da bochecha, mas a marca era um motivo de orgulho. Com sua coroa de ouro e pedras preciosas, a longa capa e o semblante despreocupado, porém intenso, ninguém ousava desafiá-lo, nem mesmo o cavaleiro das sombras, mas os motivos ninguém conhecia.
Era óbvio pra todos que olhassem que o cavaleiro das sombras respeitava o Rei, porem guardava consigo uma raiva intensa e uma sede sangue que pretendia saciar um dia, nem que fosse a ultima coisa que fizesse. E também era claro que o Rei tinha um grande respeito pelo cavaleiro das sombras, além de um evidente medo quando o comandante empunhava sua espada. Parecia sempre temeroso que o jovem perdesse a paciência e lhe cortasse a garganta o que nunca aconteceu, e levantava muitas perguntas. O cavaleiro das sombras não temia e nem tinha misericórdia de ninguém, então porque se curvava diante de um homem que ele poderia derrotar em um piscar de olhos? Era o maior mistério do Reino de Murdor.
__Joseph__ o Rei sorriu largamente ao ver o comandante, quem visse a primeira vez podia acreditar que os dois eram amigos de verdade, mas era tudo encenação, eles precisavam e temiam um ao outro e essa relação mantinha tudo funcionando.
__Alteza__ Joseph se curvou diante do Rei. Somente duas pessoas naquele Reino o chamavam pelo seu verdadeiro nome, todos sabiam como ele realmente se chamava, mas apenas o Rei e uma velha amiga tinham a intimidade o suficiente para fazê-lo. Os outros sempre o invocavam por comandante, cavaleiro das sombras ou títulos assim.
__Que notícias me traz de Severac? Espero que tenha tudo saído como planejado.
__O Reino foi dominado Alteza, Severac está sob nosso comando agora__ respondeu o fitando seriamente.
__Onde ele está?__ Klaus questionou com um brilho enlouquecido no olhar__ você o trouxe pra mim?
Joseph exitou um momento, sabia que o Rei não ousaria lhe fazer nada, mas descontaria a noticia ruim em alguém, isso era certo.
__Nós chegamos a capturá-lo Alteza, coloquei alguns dos meus homens para vigiá-lo, mas infelizmente o Rei Robert conseguiu fugir de meus homens e não o encontramos mais__ explicou com cautela__ ele simplesmente desapareceu.
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O Cavaleiro das Sombras
Fantasy"Ele não sente pena, ele não tem misericórdia, mas todo soldado perfeito tem seu ponto fraco". Severac e Murdor... Dois Reinos inimigos lutando pelo poder. No meio desta guerra está Joseph, o mais bravo, forte e temido cavaleiro de Murdor, enviado...
