O stor já entrou, mas estou mesmo bem sentada no banco à porta da sala. Quando ele ia a fechar a porta levantei-me rapidamente e entrei na sala não ter falta. Após me sentar na cadeira alta (porque estou a ter escultura, a minha disciplina preferida do curso), olhei para o quadro e li "aula livre". YES!! Adoro aulas livres! Basicamente só temos de tirar um papel ao calhas de dentro de um saquinho e neles está escrito um material para esculpir, como material reciclado, gesso, arame, etc. Abri o meu papel e, sem querer, saiu-me um "oh" um pouco desiludida.
Stor- O que te calhou Mar?
Eu- Não é que eu não goste, mas é um material muito básico stor Eduardo...
Stor- Todos os materiais, sem excepção, podem ser sempre um pouco mais explorados. Só tens de pensar no que queres fazer. – Realmente ainda não sei o que quero fazer... - Mas qual é o teu? – Insistiu.
Eu- O barro... - respondi ligeiramente aborrecida.
Stor- Estás a brincar Mar!? – De repente mudou o seu tom de voz. – Vem aqui ao computador e pesquisa "Barro em Portugal"! – Mandou.
Eu- Aish... Stooor... - Falei mais aborrecida ainda.
Stor- Não é "Aish...", é anda cá, porque a pesquisa é muito importante para qualquer peça de arte, seja quadro, escultura, música, teatro, dança e tantas outras coisas. – Ralhou.
Revirei os delicadamente de modo a que ele não percebesse, porque além desta troca de opiniões, ele é meu professor e devo-lhe respeito.
Sentei-me na cadeira baixa à frente do computador. Ele estava meio ligado, por isso abanei o rato para acender o ecrã e cliquei no logotipo do Chrome. Escrevi na barra do Google o que o stor me pediu, "Barro em Portugal", e apareceram bastantes sites. Obviamente, e como já estava à espera, todos falavam de olaria e de técnicas antigas para moldar o barro, iguais às que utilizamos nas nossas aulas.
Carreguei nas imagens e apareceu de tudo, desde clássicos vasos a tradicionais taças de enchidos. Não quero fazer nada disto...
Levantei-me e fui para o meu lugar, mas a meio do caminho encontrei uma moeda de 50 cêntimos no chão e a única coisa de que me lembrei foram as palavras da Cat à uns dias atrás: "Porque não vais juntando todos os dias 50 cêntimos num pote e mais perto da data compras o bilhete?".
Eu- É ISSO! – Gritei. Quando dei por mim, tinha 15 pares de olhos fixados em mim. Uns assustados, outros admirados, também alguns preocupados, mas em especial um que era mistura de todos. Professor Eduardo.
Stor- Então Mar? Já sabes o que vais fazer? – Questionou num tom descontraído.
Eu- Já! – Respondi orgulhosa de mim mesma.
Agarrei numa barra de barro, fui para a mesa de oleiro e meti mãos à obra.
***
Estou há 3 dias nesta peça de barro e está simplesmente fantástica. Ainda ninguém sabe o que vai sair daqui, nem sequer a Cat. Para muitos isto não vai ter significado nenhum e vão achar absurdo este suspense todo, mas sei que pelo menos uma pessoa vai gozar comigo até ao dia em que se esquecer que isto aconteceu, a Cat.
A hora de mostrar os trabalhos é agora. Já todos apresentaram, só falta o meu. Levantei-me, subi para o pequeno palco em frente à mesa do professor e iniciei o meu discurso.
Eu- A minha peça é me importante, pois à cerca de 1 mês e meio, ou seja para aí no início do ano lectivo, descobri um cantor no qual passei a ser fã. Pesquisei sobre ele e achei a sua vida profissional e o pouco pessoal que se conhece bastante interessante. – Fiz uma pausa - Ele vai dar um concerto no Campo Pequeno daqui a menos de 2 meses e eu adorava ir. Como sabem não sou propriamente a pessoa mais rica do mundo e por isso a Cat deu-me uma ideia, juntar dinheiro todos os dias para mais tarde comprar o bilhete e, como há uns dias, no primeiro dia destes projetos, encontrei uma moeda no chão, lembrei-me de fazer um mealheiro. – Confessei à turma. Destapei o trabalho da mantinha branca que o cobria.
Eu- É um par de ténis da Nike, porque reparei que ele adora dançar. – Acrescentei. No entanto, todos, excepto a Cat, perguntavam-se quem é o "ele". – David Carreira. – Disse num tom sem expressão.
Após ter dito este nome, a sala deixou de ter 13 jovens confusos a 13 jovens gozões.
XX- Gostas do filho de um cantor pimba!? – Diziam uns. Outros limitavam-se a rir e a cochichar para os que estavam perto.
Eu- Penso que a ignorância predomina nesta sala. Juntamente com o preconceito. – Ao dizer isto os risinhos pararam e ficaram todos boquiabertos. – Pensava que um grupo de jovens, entre os 17 e 20 anos de idade, tivessem mais cabeça para determinados comentários preconceituosos. – Continuei. – Além de estarem a gozar comigo por gostar de um respectivo cantor, vocês ainda o julgaram sem, muito provavelmente, terem ouvido uma música dele. Desceram bastante na minha consideração... - Ralhei de uma maneira calma, racional e desiludida pelo que tinha acabado de acontecer nem à 5 minutos atrás.
Olhei para a Cat e vi que ela tinha um grande sorriso na cara, mas diferente de todos os outros que estavam à minha frente. O dela era orgulhoso pelas minhas palavras e isso deixou-me feliz por saber que além de tudo ela nunca me gozou, pelo contrário, tornou-se fã, não tão grande como eu, mas não o julgou antes de ouvi-lo.
Olhei também para o homem de 54 anos, alto, magro, de cabelos meio brancos, com olhos castanhos cor de mel e com um sorriso semelhante ao da Cat. Ele preparava-se para falar.
Stor- Não estava nada à espera desta reação meu senhores e minhas senhoras... - Notava-se na sua voz que estava desapontado. – A Mar, gostando ou não, ela aplaudiu os vossos trabalhos, cada um com a sua respectiva história, mas ela ouviu e aplaudiu. – Concluiu. Depois olhou para o seu relógio no pulso e disse-nos delicadamente para sair.
Quando ia a sair, ouvi um "obrigado" atrás de mim. Virei-me e estava a imagem do mesmo senhor que tinha acabado de nos dizer que a aula acabou.
Eu- Hmm... Obrigado porquê? – Questionei um pouco confusa.
Stor- Não gostei da maneira como os teus colegas reagiram e soubeste revelar a verdade de maneira educada e simples de modo a que eles percebessem o seu erro. Isso mostra grande maturidade, por isso obrigado por mostrares que ainda existe gente não preconceituosa neste planeta de más opiniões. – Respondeu-me com um grande sorriso na cara.
Eu- Não foi nada demais. Alguém tinha de o dizer e calhou-me a mim esse papel, certo?
O stor assentiu com a cabeça e eu saí da sala.
Votem :)
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David Carreira - Interesse
FanfictionOlá! Eu sou a autora desta fanfic, mas a ideia não é minha!! Inspirei-me nesta https://www.wattpad.com/story/47362113-david-carreira Espero que gostem! :)
