7. Journey

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O barulho irritante e repetitivo de saltos batendo contra o piso, o som que a máquina de café produzia ao funcionar, a impressora, telefone tocando, etc. Barulhos comum em qualquer empresa ou indústria. Mesmo com porta e janelas totalmente fechadas S/N ainda sim conseguia ouvir todos aqueles sons repetitivos que ela ouvia todos os dias.

Era um fato estranho, como se quando ficasse brava ou estressada seus sentidos ficassem mais aguçados e tudo a sua volta fosse ouvido com mais intensidade, tudo isso para o aumento de sua frustração. A hora parecia simplesmente não passar e quanto mais ela desejava estar em casa, mais o relógio diminuía o passo, como se a desafiasse.

Ela tinha que admitir, hoje não era seu dia. Tudo estava dando errado desde quando ela colocou os pés para fora da cama, ou até mesmo antes disso, já que ela teve uma péssima noite de sono. Dormir nunca foi um problema, até ontem. Pesadelos? Talvez. Mas faz tempo que não sonha com algo. Ela diria que sonhava acordada, sim, ela com certeza sonha acordada.

Sentada na sua cadeira de material confortável ela espreguiçou-se, sentindo alguns ossos de suas costas estalarem. Massageou sua têmporas, um suspiro curto, seguido de um mais longo. Pegou seu telefone e foi atendida por Lúcia, sua fiel amiga.

- Alô, Lúcia. Traga o balancete do mês a minha sala. - sua voz pesada e cansada saiu quase como um resmungo.

- É... Eu não recebi o balancete desse mês. - Lúcia coçou a nuca do outro lado da linha. Com o bom humor de S/N ela já sabia como ela reagiria. Parecia que o dia poderia ficar pior.

- Como assim não recebeu? - a indignação brotou em sua voz. - Não estou com brincadeiras.

- Muito menos eu. A garota que você contratou é uma incompetente!

- Não fui eu, foi o Róger. Aquele imprestável não serve nem para contratar alguém competente. - Deu um longo suspiro. - Demita a garota e pelo amor de Deus, me arrume o balancete para daqui meia hora. Ouviu? Meia hora.

- Meia hora? Isso é impossível! - exclamou Lúcia.

- Eu sei que consegue. Eu tenho uma reunião daqui meia hora.

- Certo, vou tentar. - ambas colocaram o telefone no lugar com a maior mal vontade do mundo, trabalho demais cansa e elas podem afirmar isso.

Lúcia correu, correu não, voou. Demitiu a garota que deveria estar na segunda ou terceira semana de trabalho, coitada. Mas fazer o quê? Ela não fazia nada, trocava mais mensagens do que trabalhava. "Tinha que ser Róger para contratar alguém assim." pensou ela, enquanto passava como um furacão pelos corredores da construtora.

Dito e feito. Com exatamente trinta e um minutos o balancete do mês, que sabe lá como havia Lúcia conseguido, estava sobre a mesa de S/N.

- Estou te devendo uma. - disse S/N após dar um beijo na bochecha de sua amiga.

- Você não quer chegar atrasada, quer? Ande logo. - disse empurrando S/N para fora da sala.

Enquanto S/N passava pelos corredores da empresa ela adotava uma nova postura. Era séria, até mesmo intimidadora, gostava de passar esse impressão no trabalho.

Chegando na porta da sala onde a reunião acontecerá ela escutou conversas, algo parecido com uma discussão que parou assim que viram a mulher na porta. S/N caminhou em passos lentos e sentou em seu lugar na mesa dando início a reunião.

Foram discutidos inúmeros tópicos. O crescimento da construtora no exterior e grande lucro que vinham tendo. Até que Róger se pronunciou.

- Estamos sendo processados. - S/N que antes estava feliz com as boas notícias que tinha acabado receber, fechou a cara.

Lovely Fan (Camila/You)Where stories live. Discover now