Deitei-me sobre a cama redonda com lençóis de seda vermelha, apoiando a minha cabeça sobre os meus braços cruzados na nuca, minhas pernas estavam cruzadas e bem esticadas sobre o confortável colchão. Desse jeito eu parecia a imagem perfeita do relaxamento, exceto pelo maldito terno e os sapatos sociais que me deixavam desconfortável... Droga! A minha gravata estava me estrangulando.
Hoje o dia fora extremamente cansativo e estressante no meu trabalho. Tive clientes exigentes e insuportáveis. Nada estava bom o bastante pra eles, e por causa disso eu quase fiquei até mais tarde no escritório refazendo o projeto.
Mas agora eu estava em um motel luxuoso, cheio de regalias e presentinhos um tanto quanto indecentes. Esse era meu motel favorito, eu podia entrar e sair sem que ninguém me visse, eles prometiam sigilo máximo aos clientes.
Deixei meus olhos vagarem pelo lugar com temática de pura luxuria. Tudo era vermelho, as cortinas, os lençóis de seda, os tapetes. Tinha espelhos no teto e champanhe em um balde com gelo. Banheira de hidromassagem e uma televisão com estoque de vídeos pornôs para todos os gostos. Isso tudo era um pouco exagerado para transar com um prostituto, mas eu gostava disso.
Meus olhos finalmente pararam sobre ele, o meu adorado prostituto, ele estava nos pés da cama, me olhando com desejo.
O chamei com dedo e mordi o lábio, ele subiu na cama e engatinhou de modo manhoso até ficar amontado sobre a minha cintura.
-Você está se tornando o meu melhor cliente. - Ele gemeu gostoso ao sentar sobre a minha cintura e rebolar, causando atrito delicioso dentro de nossas calças.
-Acho que você está gastando todo o seu salário comigo... Qual é? Você não come não? - Ele debochou com um sorriso manhoso enquanto desabotoava a minha camisa e afrouxava a minha maldita gravata.
-Eu como sim... como você! - Ri de modo canalha e apertei suas nádegas que ainda escondidas atrás daquela calça de couro apertada que ele usava.
Ele riu e rebolou mais ainda, causando gemidos em ambos com o atrito desejoso.
Eu amo essas brincadeiras com ele, mas na verdade ele tem toda a razão, eu estou gastando tudo o que tenho com ele. Fazer o quê? Eu estou viciado nele, tem sido assim desde aquela fatídica noite.
Eu posso me lembrar com perfeição daquela noite calma... Eu estava estressado com o trabalho que eu sempre odiei. Minha vida social e familiar também não andavam muito bem, principalmente pelo fato de eu ser um Gay não assumido. Eu precisava descarregar um pouco essas frustações desesperadamente.
Eu só não planejava fazer isso com um prostituto, mas não pude resistir quando o vi pela primeira vez.
Ele estava parado na esquina, usando roupas de couro negro com strass. Seu cabelo moreno e bagunçado lhe dava o charme ideal para combinar com aqueles piercings nas orelhas e no lábio inferior. Sua pose largada e entediada me fazia lembrar um adolescente irritado em uma reunião familiar muito chata.
Eu não sabia na época, mas sim, ele era jovem, tinha uns dezessete anos. Nunca em meus trinta e cinco anos de vida eu me interessei por alguém menor de idade. Eu achava imoral, mas ele trabalhava vendendo o corpo, então que mal tinha? Tá certo que esse trabalho também era imoral, mas não liguei.
Parei meu carro próximo ao meio fio e ele suspirou como se dissesse... "Fazer o quê" Ele parecia não estar a fim de fazer isso, mas entrou no carro e ditou os preços e as regras.
O levei para um motel e desde aquela noite, isso tem se repetido toda sexta-feira.
-Quer ir relaxar na banheira primeiro? - Ele me perguntou rebolando sobre os meus quadris.

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O relógio da morte.
Storie breviAlex é um homem com uma vida estressante ao qual ele odeia. Certa noite ele resolve extravasar esse estresse e acaba dormindo com um prostituto, no entanto algo que ele não esperava era acabar se apaixonando por esse garoto de programa chamado Theo...