Sentado na proa do navio, sentindo o vento bater na cara como se estivesse indo ao abatedouro, não sei o que me espera. Pensamentos perturbam essa hora. Poderia se passar esta história em São Paulo, Rio, ou Belo Horizonte estado natal do meu pai, ou até mesmo fora do país. Mas não! Se passa em Manaus, coração da Amazônia e também uma pequena cidade do seu estado vizinho Pará. Me chamo Fernando, tenho 24 anos, mas essa história começa bem antes disso. Porém, começo narrar um dos acontecimentos que mudará tudo. Resumindo, eu saio de casa bem cedo aos 14 anos, o único contato que tenho com minha família materna que amo é por telefone. Por escolha própria preferir viver minha vida, conhecer outros lugares, pessoas, cultura e principalmente, me conhecer. Estou depois desse período todo retornando para passar 10 dias com a minha mãe que é uma mulher, digamos tradicional, família toda evangélica. E para ser sincero sei como será, pois não sabem sobre mim e minha vida sexual. Não gosto de ser rotulado, sou uma pessoa livre que gosta de gente. Mas ultimamente me apaixonei por um outro homem e foi muito difícil para mim, por conta do preconceito que sentia em relação a mim mesmo, não queria aceitar que gostava de homens. Queria me convencer que só gostava de mulher, o que não é verdade. Estou fazendo isso não é por ele, e sim por mim, estou nessa viagem que durará dois dias para chegar. Não sei como falar, o que esperar, e sem nem um texto na mente. Já pensou você que se sente igual eu, chegando em um lugar que você não volta há muito tempo e sabe da tradição na sua família. Como se sabe sentiria? Falar que não é igual, ou não é o que esperam. Ser diferente dos meus primos, da minha família e de todos, e sinceramente não sei ainda o que fazer, como será? Estou meio em pânico, não sei a reação dela qual vai ser. E isso está sendo um diário mais ou menos disso, ter alguém para contar, ou que possa ajudar outras pessoas que tenham uma família assim e passaram, ou passarão por essa situação. Minha família é tradicional como já falei. Eles são adventistas e tenho muitos primos e mais três irmãs que são da mesma religião, era para eu ser a 4°, geração de Adventista na família, é uma tradição que vem desde minha bisavó, avó, mãe e posteriormente eu e minhas irmãs. E sou o filho único homem da minha mãe, levo uma vida independente em Manaus, trabalho com cinema e teatro que é outra coisa que não aprovam, mas agora já respeitam minha escolha.
Não sou um dos caras mais populares, mas tenho muitos amigos verdadeiros que escolhi como família, deram Muitos conselhos desde "Não conte, você não depende de ninguém deles" até "se você vai se sentir bem e acha que será o melhor para você é sua família conte, apoiarei o que decidir". Então esse é meu desabafo do antes de chegar, amanhã verei eles. E só quero que tudo ocorra bem. Quem quiser manter contato ou sei lá, conversar, aconselhar, querer fazer perguntas, ou simplesmente acompanhar isso minhas redes sociais.
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Ficarei uns dias no sítio e ficarei sem Internet. Obs. conforme for postarei o que resultou e desculpem os erros ortográficos nervoso e nem revisei, avisem dos erros para eu corrigir. Desejem sorte. Hoje é 30 de janeiro de 2017.
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10 ANOS DEPOIS (Verídico/Gay)
Non-Fiction10 anos depois de sair de casa, estou voltando para falar com minha mãe e minha familia evangélica sobre minha sexualidade, é uma mistura de pavor, medo e ao mesmo tempo algo que deve ser feito. Esse é um fato real que estou escrevendo na forma d...