Amor Mútuo

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Amor Mútuo

Jane despertou lentamente e a ressaca veio junto, a ânsia e a dor de cabeça deram sinais de vida no momento que ela tentou se lembrar da noite passada, estava receosa de se virar para o outro lado da cama e encontra um desconhecido, decidiu acabar logo com as dúvidas e se virou, era exatamente o que temia ao seu lado dormia um completo desconhecido, ou não tão completo assim já que os dois haviam se saciado as custas um do outro, se perguntava qual era o nome do rapaz em sua cama quando ouviu o barulho de chaves na porta de seu apartamento, olhou rapidamente o seu celular ignorando a dor de cabeça e o quanto aquela luz da tela do seu celular incomodava seus olhos, se xingou mentalmente diversas vezes de vários nomes de baixo calão ao se lembrar do porque tinha ido aquela boate afogar as mágoas, seu melhor amigo Sammy tinha chegado de uma viagem de estudos do Canadá e havia trazido mais do que lembrancinhas na bagagem, ele trouxe uma namorada. Aquilo tinha acabado com o bom humor de Jane de vez e para se livrar do estresse se mandou para a boate mais próxima e lá havia dançado, bebido e tinha certeza que tinha feito mais, infelizmente ou felizmente não se lembrava de nada a não ser flashes momentâneos, embaraçados e confusos da sua noite de farra, não sabia se agradecia ou chorava. Mas voltando ao presente momento, Jane recebeu algumas horas depois de sair para boate uma mensagem de seu melhor amigo dizendo que iria passar no apartamento dela a tarde para que pudessem pôr o assunto em dia. Ela olhou a hora no celular e pulou da cama, droga, com certeza a pessoa que tinha entrado no seu apartamento era o Sammy, se dirigiu ao outro lado da cama ignorando novamente a tontura que a atingiu e sacudiu o desconhecido:
 - Vamos cara acorda você tem que se mandar daqui e eu tenho um compromisso agora - o desconhecido levantou sonolento e fez uma careta de dor, parece que Jane não havia sido a única a exagerar no álcool, ele tirou o lençol que o cobria e foi catando as peças de roupa que estavam espalhadas como se já soubesse o que tinha que fazer, é com certeza ele estava acostumado a acordar e ser expulso da cama de desconhecidas.  Enquanto ele se aprontava, Jane correu até o banheiro e tomou uma ducha rápida saiu a tempo de ver pela fresta da porta do banheiro o cara sem nome sair do quarto ouviu alguns resmungos vindos da sala e a porta da frente se abrindo e fechando com força, deixou isso de lado e pegou uma aspirina no armário do banheiro saiu como um raio e em menos de cinco minutos estava pronta.
Sammy a esperava na sala e tinha uma carranca que assustaria qualquer um, assim que ele a viu perguntou:
- Quem era seu "amigo" - a raiva presente na frase surpreendeu Jane, principalmente quando ele frisou a palavra amigo. Jane respondeu na mesma hora com o mesmo tom:
- Não faço ideia, mas eu vou tentar descobrir, afinal minha noite com ele foi inesquecível - mentira, Jane nem se lembrava como havia chegado ao seu apartamento e isso se aplicava também ao que tinha acontecido na sua cama.
Mas aquela frase foi mais que o suficiente, Sammy trincou o maxilar com raiva e Jane se perguntou qual era o problema, afinal sempre foram amigos, apenas bons amigos pensou com desgosto, teve uma época em que se imaginou confessando o que sentia para ele e seu desejo de ele sentir o mesmo sempre se concretizava em suas fantasias, mas aí ela voltava a realidade e percebia que ele nunca iria gostar dela como algo mais que uma amiga.
Ele se recompôs e perguntou em um tom mais simpático que o anterior:
- Então porque não saímos para tomar um café e colocamos o papo em dia - ela o encarou, esta bem que não se viam a muitos anos mas só agora foi reparar na aparência dele e sinceramente estava impressionada, definitivamente o exterior fizera bem a Sammy, seu cabelo antes castanho puxado para o loiro havia ficado alguns tons mais escuros, seus olhos azuis estavam mais sérios do que costumavam ser no colegial e isso dava a ele um ar mais maduro, sem falar dos músculos - que ele já tinha, mas pareciam ter aumentado - que estavam em evidência sendo escondidos apenas por uma camisa polo. Perto dele, um verdadeiro deus grego, Jane se sentia inferior, é claro que não se achava feia, afinal tinha auto estima, mas seus 1,60 de altura, seus cabelos cacheados escuros - que naquele dia estavam até mais calmos - e seus olhos cor de mel não chegavam nem perto de seu mais recente gostoso e pegavel amigo, há como queria tocar os músculos que aquela camisa escondia, suspirou e se recompôs rezando para que Sammy não houvesse percebido seu devaneio.
- OK! Porque você não aproveita e me conta que história é essa de namorada.

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