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- Faz muito tempo que você se transferiu para a Jeong Suk, querido? - pergunta minha mãe, enfiando os hashis com macarrão na boca.
   Estávamos ao redor de uma mesa farta - "-Nosso hóspede merece somente o melhor, mogo, Kim Mingyu, mogo", disse a omma - com kimchi, uma tigela cheia de arroz e a sopa de legumes preferida do appa. Kim Mingyu devorava tudo como se tivesse saído de um prédio de força máxima depois de décadas, fazendo minha omma e meu appa encararem nosso hóspede com expressões surpresas.
- Ele não come muito em casa. - diz Hyunjae, entrando na história mais uma vez.
- Claro...

Kim Mingyu estava próximo a janela da sala, com as mãos nos bolsos, agora. Ele usava suas roupas de quando chegou aqui, agora limpas e cheirosas. No entanto, seu olhar tranquilo adotou um aspecto impaciente. Quando me aproximo, percebo que Kim Mingyu está tremendo.
- O que houve? Você está bem?
Kim Mingyu desvia o olhar da janela para mim, forçando um sorriso.
- Está tudo bem, So-yah.
- Não parece.
Ele abaixa a cabeça e se encosta na parede ao lado da janela.
- Aqueles homens... aqueles homens lá fora. - ele praticamente sussurra, mas ainda consigo ouvir bem.
Vou até a janela, afasto a cortina. Lá fora um trio de homens grandes e brancos estão encostados nas postas de uma van preta de vidros escuros, um deles é extremamente familiar. Forço a visão, caço na memória... Omooooo!
- Aquele cara ali. Ele estava na televisão. Suspeitam que ele tenha te sequestrado. Você se lembra, Mingyu-yah?
- Infelizmente. Não me esqueceria daquele rosto.
- Se ele está aqui ou é porque te seguiram ou... ou sei lá. Temos que chegar em Seul o mais rápido possível.
Kim Mingyu iria responder, mas ouço baterem na porta. Rapidamente, vou atender e qual é a minha surpresa quando dou conta de que são aqueles três de casaco escuro e caras de encrenca. Forço meu sorriso de menina educada e fico entre a porta entreaberta e a parede.
    - Joh-eun achim. No que posso ajudar?
    - Annyonghaseyo. Você viu um garoto dessa altura, cabelo escuro e curto? Ele é branco e é muito bonito como esses ídolos de gayo, não que ele seja. - ele arregala os olhos e balança a cabeça - Então, você viu?
    Claro, tem um desses ídolos de gayo escondido na minha sala se ainda não percebeu. Mas eu não disse nada disso.
    - Não. Quem dera ver um garoto tão bonito quanto esses ídolos de kpop.
    - Oh, claro, muito obrigado. Tenha um bom dia.
   Ele vai saindo enquanto se curva freneticamente. Eu fecho a porta, soltando o ar que mal sabia que estava segurando.
   - Essa foi por pouco.
   Vejo Kim Mingyu sai de trás do sofá com os olhos inchados e lacrimejados.
   - Você está chorando. - digo e me aproximo. Quando estou perto o suficiente, puxo Kim Mingyu para um abraço desajeitado. Por ele ser mais alto do que eu, acaba tendo de se curvar para abraçar minha cintura, e ficamos assim por até Hyunjae entrar na sala.
   - Mamãe quer que ele fique mais uns dias, viu no noticiário que vai ter uma tempestade. - diz meu irmão, caído sentado no nosso sofá com um livro na mão - Falei que não precisava, mas ela insistiu. Sendo assim, nosso teatrinho vai durar um pouco mais.
    - Os caras que sequestraram Mingyu-yah estão lá fora procurando por ele. - eu digo - Talvez não seja uma má ideia você ficar aqui por um tempo.
    Kim Mingyu assente, concordando.
    - Só queria poder dizer aos meus hyungs e dongsaeng que estou vivo e bem.
    Passo a mão pelo seu rosto inconscientemente quando digo:
    - Eles sabem. Tenho certeza, não acha?
    Kim Mingyu não responde. Ele fica me olhando estranho e perto demais, ou sou eu que estava perto demais? Tiro minha mão e a enfio no bolso do casaco. Devo estar mais vermelha do que o Sr. Sirigueijo. Omooo.
    - Hum. - Mingyu pigarreia, envergonhado - Você tem razão.
   
Ok. Kim Mingyu vai ficar por mais um dia em casa. E Hyunjae e eu vamos ter que sustentar nossa mentira até lá. Tudo bem, isso não é nada bizarro. Ter um idol de kpop vivendo sob o mesmo teto que eu, não é nada incomum. Não mesmo...
    ... Céus, isso é loucura! LOU-CU-RA!!!
    Onde eu estava com a cabeça de trazê-lo para dentro da minha casa, hum? E além do mais, o cara é perseguido por gente barra pesada. E se essa gangue correr para o nosso lado? Minha família e eu não temos condição de aguentar perseguições de bandido. Anyo, anyo.
    Ottake, omo?!
   - Noona? Você está bem? - Pisco, e encontro os olhos puxados do meu irmão e seus dedos estralando na minha frente - Você fez uma cara de horrível.
    - Anyo, estou bem, JaeJae. Apenas... me desliguei um pouco.
    - Ótimo. Por um segundo achei que tivesse detestado a ideia do idol ali ficar por mais um dia aqui em casa. - ele aponta com a cabeça para o nosso hóspede, que voltou para perto da janela e a observar a rua lá fora - Mas, você é a melhor irmã do mundo e não faria isso, certo? - Hyunjae só poderia está de brincadeira comigo. Há! Veja só, esse sorrisinho presunçoso dele. Mas em uma coisa ele estava certo. Eu era a melhor irmã do mundo (modéstia à parte) e queria que Hana soubesse disso.
    Dou meu melhor sorriso, concordando.

Nota

Joh-eun achim > "Bom dia".
Annyonghaseyo > "Olá" formal.

Tem um Idol na Minha Casa ~KIM MINGYU~Histórias para pegar e não largar. Descubra agora