Permitir-se em conhecer outra pessoa profundamente foi o primeiro passo para Tony descobrir que poderia ser feliz de outra forma. Depois de perder toda a esperança em realizar seu sonho com o pai, Tony se apegou no novo amigo.
Era bom finalmente ter um amigo de verdade, para o qual Tony reclamava da família, contava feliz os seus avanços nas suas criações, ou simplesmente conversar madrugada a dentro.
A cada dia que se passava, Tony aprendia mais e mais sobre ter alguém por si. Steve estava sempre lá, seja para o confortar, para aguentar suas reclamações, ou até mesmo para desabafar com Tony sobre a mãe cada vez mais doente.
— Você pode vim morar comigo, Steve.
— Seus pais nunca deixariam, Tony.
— Eles não perceberiam, até hoje eles não sabem quem é você.
Steve mudou de assunto, porque a falta de atenção dentro da sua casa era um assunto delicado para Tony. E Steve jamais saberia como eles podiam ignorar uma pessoa tão fantástica quanto o pequeno Stark. Tony o ajudou com comida, roupas, estudo e até suporte emocional estava lhe dando. Tony se diz sortudo por ter o conhecido, mas fora Steve que tirou a sorte grande.
Esse relacionamento esquisito se tornou mais forte a cada dia. Tony convenceu a mãe de que precisava de Steve ali, já que não tinha amigos, e foi bastou só um olhar mais magoado que ela revogou o não.
Claro, Steve não passou a morar lá, como Tony queria, mas se tornou corriqueiro dormir na casa do amigo. Sem perceber, Tony se apegou mais e mais a tranquilidade que Steve lhe causava, e se agarrou no sentimento gostoso que aquecia seu peito sempre quando ele estava.
E durante os anos que se seguiram, a amizade só cresceu. Os meninos não mais atormentavam Steve, que estava bem grato por isso. As notas dele também subiram, junto a elas a sua chance de conquistar a carreira dos seus sonhos.
Porém não era pelos benefícios ou pelas melhoras em sua vida que Steve gostava de Tony, e sim por quem Tony mostrou ser, Por trás do sarcasmo, da língua que só ficava mais afiada durante os anos que se passaram, e pela arrogância que ele apresentava, tinha um garotinho que nunca cresceu.
Tony se mostrou uma pessoa de coração enorme, um garoto carinhoso e amigável, que presa sua amizade e o respeita como pessoa. Ele ainda estava preso naquele dia do telhado, vivendo a sombra do sonhos destruído pelo próprio pai, e Steve tentava sempre trazer Tony para a superfície.
Já para Tony, Steve era sua rocha, sua base. Nos anos que se passaram, ele se apegou mais e mais ao idealismo de "se Steve estiver feliz, eu também estou". Para ele, tudo estava bem daquela forma, Tony nunca se sentiu mais feliz.
Mas ele estava apenas fugindo da sua triste realidade, se apoiando nos sentimentos estranhos e intensos que o tomava sempre que ficava mais próximo do melhor amigo. Para Tony, não tinha como ser mais feliz do que aquilo.
E isso se provou o contrário, quando, assim que entraram no primeiro ano do colegial, um novo garoto entrou na escola deles.
James Buchanan Barnes, ou Bucky como passou a ser chamado, era naturalmente carismático, não demorou para que ele socializasse com todos na sala e ganhasse meia dúzia de amigos. Totalmente o oposto de Tony e Steve, que se mantinham longe dos colegas; Tony por causa dos interesseiros, e Steve por que não se interessava em novas amizades.
Ambos, Tony e Steve, ficaram chocados quando o menino novo tentou se enturmar com eles. Bucky foi muito ignorado por Steve no começo, conseguindo apenas resmungos de Tony.
Só que ele era um garoto insistente, e conquistou um convite para uma tarde de jogos na mansão Stark (já que Tony não aguentou ver o rosto chateado do menino).
Tempos depois, Bucky disse que preferia pessoas mais reservadas, pois normalmente essas pessoas são amigos verdadeiros. De pouquinho em pouquinho, Bucky conquistou seu lugar, transformando a dupla de esquisitões em um trio.
Tony gostou ainda mais da sua vida depois que ele entrou. Bucky trazia ares leves, era uma companhia tranquila. E ele se mostrou um bom ouvinte quando Tony teve uma discussão com o pai, que novamente o humilhou pela sua inteligência medíocre.
— Medíocre? Ele já viu seus protótipos? Pessoas normais criariam aquelas coisas já formadas na faculdade, e você tem quinze anos e vem aprimorando desde os dez! — Bucky reclamou enérgico, completamente indignado com as palavras do senhor Stark.
— Ele não sabe disso Bucky, ele não sabe de nada sobre o Tony, porque nunca tirou alguns minutos para conversar com o filho. — Steve disse baixo.
Ele estava com Tony deitado em cima das suas pernas cruzadas, os três sentados na enorme cama de Tony, Bucky bufou, muito revoltado com aquele cara metido.
— Não liga para o que ele disse, Tony, você é incrível.
Para Tony, eles eram sua família. Tratou de limpar as lagrimas e melhorar o clima, propondo descerem para a piscina. O assunto fora esquecido, e Tony voltou a se sentir feliz, apoiando-se nos amigos que tinha.
E parecia que tudo estaria bem, mas como sempre o destino mostrou que ele estava enganado.
No ano seguinte, perto das férias escolares, Steve quis conversar consigo a sós. Tony estranhou, pois desde que aceitaram Bucky, nunca houve conversas somente dos dois, sempre incluíam James.
— O que foi? — perguntou baixo. Steve parecia culpado, e Tony começou a se preocupar. — Foi sua mãe de novo?
Ela parecia mais estável agora, e parou de ter surtos de abstinência, mas não era sobre isso que Steve queria falar. O estado da sua mãe era o mesmo de sempre, lastimável e provavelmente um caso perdido.
— Sabe no nosso ultimo acampamento? — perguntou nervoso.
Tony assentiu.
— Você foi falar com o professor...
— Sim, eu fui, o que que tem?
— Bucky me beijou.
Tony ficou em silencio, digerindo a informação. Quer dizer, nunca teve esse tipo de preconceito, e não sentia repulsa por Steve por causa do que aconteceu. Não. O sentimento que o tomou foi bem mais sufocante. Tony sentiu como se todo o seu ar acabara de ser roubado.
— E... vocês estão... tipo... juntos?
A pergunta quase não saiu. Steve corou forte, muito sem jeito. Vê-lo daquele jeito por causa de outra pessoa, foi quase insuportável. De repente a dor que sentiu quando seu pai o renegou era só um joelho ralado perto do atropelamento que foi escutar a próxima frase de Steve:
— Ele quer que sejamos namorados.
O silencio que se seguiu foi pesado, e Steve se afobou.
— Claro que não vamos te excluir, você é meu melhor amigo, vou sempre estar aqui.
Depois de seis anos, Tony voltou a vestir sua máscara. Sorriu alegre, dando um tapinha no ombro do melhor amigo.
— Eu estou muito feliz por vocês dois.
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Pétalas ao Vento
FanfictionTony esconde suas dores com uma mascara de felicidade e suas fraquezas em uma armadura impenetrável. Ou era isso que ele pensava até Steve Rogers aparecer na sua vida. Ele era exatamente aquilo que Tony mais detestava; covarde, melancólico e fraco...
