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•vai ser um pouquinho triste•

*um mês e meio depois*

Eu estava atolada de coisas da faculdade para fazer, as aulas mal haviam começado e já havia dois curtas para nós fazermos.

Eu mal falei com o Cameron nesses últimos tempos, as nossas conversas se resumiam em “tenham um bom dia hoje” ou então “se cuida”. Os meninos falaram que ele estava um pouco estranho, porém não tive tempo de ligar para ele para perguntar o que estava acontecendo.

“Você já escreveu o roteiro do nosso segundo curta?” Cher me perguntou e eu assenti.

“Eu so preciso que vocês revisem ele para ver se vocês concordam.” assentiram e começamos a ler mas fomos interrompidas com o meu celular apitando.

“Acho que tem alguma coisa errada com o Cameron, vocês se importam que eu vá na casa dele agora?” elas negaram. “Certeza? Se vocês quiserem eu fico aqui terminando de ajudar vocês com o roteiro.”

“Vai logo, Amie, a gente da conta.” sorri e agradeci. “Qualquer coisa, se você precisar, ligue para nós.” Assenti e fui para a casa de Cameron o mais rápido possível.

Toquei a sua companhia e ele demorou um pouco para atender.

“Eu disse que não era pra você vir.” Falou com a voz rouca e abriu a porta para eu entrar.

“E eu disse que viria de um jeito ou de outro.” sorri e me sentei no sofá. “O que estava fazendo de tão importante que não queria a presença da sua melhor amiga aqui?” Suspirou.

“Coisas da empresa.”

“Eu já falei pra você não se sobrecarregar com essas coisas, Cameron. Isso te prejudica.” ele deu de ombros. “Você não está com calor? Misericórdia, tira essa blusa.” Falei me abanando e ele deu de ombros novamente. “Escuta, você está bem?”

“Eu já disse que eu estou, Amie.”

“Mas eu não acredito em você.” revirou os olhos.

“O problema é seu.” bati levemente em seu braço de leve e sorri para ele.

“Faz tanto tempo que a gente não se vê.” concordou. “Eu estou afim de fazer alguma coisa, vem.” Puxei ele pelo seu punho e ele soltou um gemido leve me fazendo parar com os meus movimentos. “O que foi isso?”

“Isso o que?” Perguntou retirando seu braço da minha mão.

“Por quê você gemeu de dor?”

“Eu me cortei ontem cozinhando.”

“Me deixa ver.” pedi me aproximando dele e ele foi afastando.

“Não.”

“Cameron Alexander Dallas, me dê o seu braço.” ele negou. “Por favor.” Pedi com a voz baixa e fui me aproximando dele novamente, ele ficou parado, peguei em seu braço de novo, mas dessa vez devagar. Senti ele ficar tenso e me olhar desesperado. “Eu posso?” Perguntei me referindo a erguer as mangas do seu moletom. Ele ficou um tempo em silêncio e depois assentiu fechando os olhos. Respirei fundo e ergui sua blusa.

Não havia um simples corte, haviam vários.
Cameron havia se cortado.

Arregalei os meus olhos passando os meus dedos delicadamente sobre cada corte e olhei para Cam. Ele ainda permanecia de olhos fechados, mas quando os abriu, seus olhos estavam lacrimejados.

Ele me puxou para si e me abraçou forte. Eu sentia as lágrimas dele molhando o meu ombro e escutava seus soluços que estavam alto.

Aquilo estava partindo o meu coração. Eu estava completamente sem reação, não sabia o que fazer e muito menos o que falar.
Cameron estava se cortando, e eu não pude fazer nada para impedir isso.

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