Capítulo I

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Silêncio não é nada normal nessa casa.
Não se ouve o som alto do vídeo game do Arthur, nem muito menos a Jade rindo ao telefone com as amigas.
Decido parar de lavar a louça e ir procurar meus filhos.
Ao passar na frente do quarto da Jade a vejo sentada na cama com a cabeça baixa e o Arthur de joelhos do chão segurando uma de suas mãos e então percebo que ela está chorando.

- Posso entrar? - pergunto mas já entrando - O que está acontecendo Jade?

- Nada demais mãe, já está tudo bem - ela fala enquanto enxuga algumas lágrimas do rosto.

- Não está não mãe, eu queria conseguir ajudar mas eu não tenho sensibilidade suficiente pra isso - o Arthur fala e vejo o olhar de repreensão vindo de Jade.

- Eu vou sentar aqui e esperar até que você esteja pronta pra falar minha filha.

- Não se preocupa mãe, é besteira demais pra ocupar seu tempo. Eu já desabafei com o Arthur, vai ficar tudo bem.

- Ah Jade, fala sério eu nem disse nada só fiz te ouvir, fala pra mãe ela vai conseguir te ajudar.

A Jade permaneceu calada e com a cabeça baixa.

- Vamos lá filha, você nunca foi de me esconder nada, me fala, eu te ajudarei como eu puder.

- Não tem como me ajudar mãe, eu só não sei o que fazer! - Ela falou segurando o choro e aquilo fez meu coração apertar e então segurei uma de suas mãos.

- Sobre o que você está falando?

- Eu não estou apaixonada mãe! - por um minuto aquilo me pareceu a coisa mais estúpida que ela já havia me dito, mas então fui preenchida por uma sensação completamente familiar.

Eu já estive na mesma posição da minha filha, e de repente me vi naquela menina de cabelos pretos e lisos curtos e bagunçados, de 17 anos. Entendi exatamente o que ela estava sentindo e aquilo não me fez se sentir melhor pois sabia que comigo não foi fácil.

- E qual o problema disso meu amor? - tentei soar o mais desentendida possível.

- É que... - ela não sabia expressar o que estava sentindo e então o Arthur interveio.

- Mãe, ela não entende como que ela nunca se apaixonou por ninguém na vida, ela já teve dois namorados, fora os outros caras que... - a Jade deu um tapa nele e eu senti vontade de rir mas tive que manter a postura de mãe séria.  - Ai Jade! Enfim, as pessoas sempre dizem que gêmeos tem conexão, mas eu não consigo entender o que ela está sentindo.

- Filha, isso é tão normal e você nem imagina!

- Como assim mãe? A senhora é muito bem casada, o pai é um homem lindo e te trata da melhor forma possível, vocês dois exalam amor, eu os vejo e não entendo como isso ainda não aconteceu comigo! Jéssica namora, Aline, Thaís,  só eu não!

- Ei querida, não é porque suas amigas namoram que você tem que namorar, é normal segurar vela ok?

- Mas não é por isso mãe! Eu queria me apaixonar, amar alguém, ser amada, mas eu simplesmente não consigo, eu enjôo, a senhora sabia que eu já enjoei de uma pessoa dentro de 3 dias? Eu machuco os caras e nem sequer sofro por ninguém. - Ela disse e parecia não entender o que saia de sua boca, ela realmente queria saber porque aquilo acontecia com ela. - Olha o Arthur, ela é todo popularzinho, tem um monte de menina atrás dele no Instagram, só porque ele é bonito e sabe tirar fotos legais, mas ele sabe negar todas elas só por está afim de uma menina, e olha quem eles nem namoram!

- E quem é essa Arthur? Você está me esquecendo de contar algo?

- Você se empolga né Jade? Não tinha pra quê falar disso agora. - ele disse e se virou para mim - Eu te conto depois mãe,  não é nada demais ainda.

- Eu vou esperar essa conversa, só não me apareça com uma garota grávida.

- Mas o Arthur nunca... - Jade interrompeu a si mesma depois de ter sua mão apertada pelo seu irmão.

- Opa querido, não que isso seja um problema mas eu pensei que... - ele não me deixou terminar a frase.

- O assunto não esse mãe, foca nela!!! - ele estava ficando vermelho e eu senti muita vontade se rir.

- Bem minha filha, eu já estive exatamente onde você está, sentindo o mesmo que você, e sei como é.

- E o que a senhora fez? - Naquele momento eu tive dois filhos completamente entretidos em mim como nunca tive antes.

- Eu poderia contar, mas seria uma longa história, teria que contar desde a primeira vez que achei estar apaixonada até o momento que conheci o pai de vocês.

- Sabe o que isso está parecendo? - Ficamos as duas esperando que ele mesmo respondesse - How I meet you mother! Eu esperei a vida toda pra viver isso.

O Arthur tinha o dom de nos fazer rir nos momentos mais inusitados, como agora.

- Bem, são 14h a senhora tem tempo o suficiente até o papai chegar, já que eu acho que ele não vai gostar de ouvir você falando de seus exs. - Jade falou e eu já percebia um semblante muito melhor em seu rosto.

- Ah mas seu pai sabe dessa história toda.

- Que nível de maturidade viu? Se a Júlia me contasse dos exs dela eu morria, e olha que a gente nem namora.

Eu ri e me arrumei na cama da Jade pra ficar confortável e começar a contar todo aquele meu passado louco.

- Já queria deixar avisado aos dois mocinhos que faça o que eu digo mas não faça o que eu faço ok? Se vocês fizerem metade do que fiz quando era adolescente, eu mato os dois! - Eu disse séria e logo perdi a moral ao ver a cara de curiosos deles a respeito do que veria por aí. - Bem, a primeira vez aconteceu no 8° ano, e eu tinha 13 anos...

[...]

*EU ESPERO QUE VOCÊS GOSTEM DISSO. COMENTEM PRA QUE EU SAIBA O QUE ESTÃO ACHANDO A RESPEITO,  E VAMOS BATER UM PAPO QUALQUER HORA AÍ*


Despreparada para amarOnde histórias criam vida. Descubra agora