Autor Quintino Silva
Não tem como definir
A pobreza assim,
pois existem tantas:
A falta de afeto,
A ausente esperança;
Quando o peso é mínimo,
a baixo de zero é frio.
Quando nada mais
importa.
Quando a dor já nem
faz cócegas,
Se faz é de arrancar
O couro da porca,
Além de ser alma está
ferida e morta.
Não tem como definir
a pobreza assim,
pois existem tantas:
A violência com crianças,
com mulheres, com pessoas.
A tortura.
A humilhação.
O desespero.
O desprezo.
A exclusão.
A opressão.
A escravidão,
O medo.
O vazio da alma,
Nada.
Não tem como definir
A pobreza assim,
pois existem tantas.
O homem que não sente,
que não ama,
Que não se conhece,
*por ti aquele até sangra*
Não tem vazio,
Como a fome,
Que vai aos poucos...
Que causa choro.
Que mata o moço,
A moça, a família, a nação.
Não tem vazio.
Como vazio.
O que resta na mesa do jantar?
Primeiro,
não tem janta,
não tem resto,
não tem mesa,
Não tem vida,
Só a fome, só a morte.
Que vida de sorte!
