Segundo dia naquele colégio, correção prisão. Já tinha sido expulsa da aula uma vez, num dia, e tinha a sensação de que caminhava para a segunda. Então eu estava na rua, caminhei pelos corredores, onde tinham panfletos de aulas de violino. Arranquei um dos panfletos do placar e guardei-o. No intervalo, dirigi-me à sala das aulas de violino, e estava parcialmente vazia, só se encontrava o professor.
- Pode-se inscrever para aulas de violino? - Perguntei sentando-me na mesa em frente ao professor. Era um professor com um ar demasiado fixe para aquele colégio. Passou a ser o Prof. Fixe.
- Sim, estão abertas! - Levantou os olhos dos papéis na sua secretária e observou-me de alto a baixo. Não gosto desse olhar.
Por baixo daquela camisa, conseguia perceber que tinha tatuagens, o que eu achava estranho para um professor de um colégio como aquele; uns olhos extremamente azuis, e uma polpa castanha. Aparência que me agradava.
- Deves ser a Jessie, a rapariga nova - Iniciou conversa -Chamo-me Edward! - Apertei-lhe a mão e voltou-se a sentar - Então, tu queres inscrever-te em aulas de violino... - Abanei devagar a cabeça. Parecia quase que ele estava a dizer que eu não era capaz de o fazer. Deu uma pequena risada alta - Vou ver o que posso fazer contigo. - Praticamente nada... - Sabes pelo menos alguma coisa básica de violino? - Perguntou-me. Abanei a cabeça negativamente. Voltou a dar uma risada alta. Isto estava a ser desanimador! - Toma! -Disse levantando-se e pegando num dos violinos em cima de uma mesa - Experiementa tocar! Arrisca! - Arregalei os olhos enquanto pegava no violino.
- O professor quer que eu lhe assassine os ouvidos? A si e a toda esta escola? - Perguntei assustada.
- Não. - Respondeu friamente. - Só quero que experimentes. Além de mais, eu tenho que fazer uma pequena avaliação antes de começar a dar-te aulas. - Tudo o que eu sabia de violino era o que eu via em videos no Youtube e talvez não me fosse ajudar muito.
Agarrei no violino e no arco. Inspirei fundo e tentei lembrar-me de uma das músicas que tinha visto recentemente. Lembrei-me da música Crazy in Love da Beyonce mas numa versão muito mais clássica e calma. Coloquei as mãos num sitio qualquer, coloquei o violino no pescoço e comecei a tocar. Na verdade não fui eu, foi a minha alma. Automaticamente que o violino me tocou, eu tive uma encorporação com ele inexplicável. No fim da música, pousei o violino na mesa, e voltei a sentar-me numa das mesas. O Prof. Fixe não me parecia muito entusiasmado, contente, satisfeito com a minha prestação, ou seja lá o que fosse. Correção: eu não conseguia perceber nenhuma emoção dele, até ele bater-me palmas. Não de forma sarcástica, mas sim de satisfação. Estava a ver que não conseguia ter nenhum feedback.
- Quase que nem preciso de te ensinar nada... - Pernunciou - Tu já sabes tudo! - Pegou na sua mala e levantou-se.
- É só isso? - Perguntei quando ele já estava a sair da sala - E não me quer ensinar o nome das notas, outras posições dos dedos, e muitas mais coisas que eu não sei e gostava de saber?
- Míuda, vê se consegues compreender - Voltou a fechar a porta - Neste colégio há muita mais gente que gosta de violino, e tem muito menos aptidão para isso. Para que haverei de gastar o meu tempo com uma rapariga que já sabe tudo?
- Eu não sei tudo! - Intensifiquei o meu tom de voz. Suspirou.
- Está bem! - Rendeu-se. Pousou a sua mala numa das mesas e tirou de lá uma folha - Toma! - Entregou-ma - Preenche-ma e amanhã entrega-ma toda preencida. - Eu percebo o que significa preencher.
Fiquei a apreciar aquela folha por uns minutos, enquanto ficava sozinha naquela sala. Peguei de novo no violino e comecei a tocar. Uma música aleatória. A primeira que me viesse à mente.
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No name, just that. (incompleta)
Teen FictionRaparigas que se deixam levar pelo mundo da perfeição, sonhos por realizar, prazeres escondidos. Esta simples frase pode parecer um grande drama, mas talvez seja simplesmente a realidade em que vivemos, e que por mais que tentemos, não a conseguirem...