THREE

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Havia se passado exatamente um mês desde o dia que conheci Lalisa. Um mês foi o necessário para que eu tivesse uma doce certeza: odeio Lalisa Manoban. Com todas as minhas forças e todas as partes do meu corpo, sem exceção. Sua ironia e seu deboche eram mais do que o suficiente para fazer com que todos os meus dias se tornassem um grande stress ao seu lado. Lalisa se mostrou quase que uma adolescente imatura que fazia algo contra sua vontade.

E claro, um mês também tinha sido o suficiente para que eu descobrisse o óbvio: Lalisa não queria se casar. Seria um choque também se ela dissesse que realmente ama Rosé. O motivo de tudo isso? Boa pergunta. Nem ao menos eu sei porque alguém como ela está metida em tal coisa. Ela deixa estampado em seu rosto o quanto aquilo a irrita. Ainda consigo me lembrar do dia em que ela pediu apenas para que eu perguntasse mais coisas sobre ela e deixasse a mesma saber mais sobre mim ao invés de falar sobre ideias para seu vestido de casamento. Que era justamente o assunto pelo qual as noivas sempre estavam mais entusiasmadas para falarem. 

Descobri que Lalisa amava vermelho. Ela dizia que essa era sua cor, e isso explicava tantas roupas nessa tonalidade e seus lábios sempre marcados com a mesma. Descobri que ela ama filmes de terror e que seus favoritos são de espíritos – descobrindo também que ela não tem medo de espíritos e coisas afins por não acreditar. Lalisa ama bacon e também ama misturar comidas doces e salgadas formando uma "mistura de sabores" e eu juro que quase vomitei quando a mesma molhou o hambúrguer no milkshake e comeu como se aquilo fosse o melhor molho barbecue do século. Essa garota realmente não era normal. E muito menos portava-se como a editora de uma revista renomada fora dos longos e altos corredores. 

Para a minha surpresa, ela tinha apenas vinte e sete anos e tinha começado a trabalhar bem cedo aos dezessete. Aos dezenove já havia conseguido estagiar em algumas revistas locais até se tornar a grande mulher que é hoje. Realmente preciso deixar claro que admiro Lalisa Manoban. Apesar de, claro, ela ser um porre.

Estávamos em agosto e seus meses de férias eram os dois seguintes. Deus, ela tem dois meses de férias e eu mal tenho duas semanas. Ela havia me dado o endereço de sua cobertura e disse que continuaríamos com a minha presença em sua casa já que todos esses dias ocupávamos a mesma sala qual nos conhecemos. Gentilmente, me chamou para um almoço em sua casa, para que eu pudesse me sentir mais confortável das próximas vezes e isso foi o mais próximo de um ser agradável que Lalisa conseguiu chegar.

— Lalisa, merda! — resmunguei ao ouvir o celular tocar pela milésima vez enquanto calçava as sandálias em meus pés. Lalisa havia me dito que não era necessário roupas formais e essa palhaçada toda que me fazia ficar de cabelos em pé. Então resolvi apenas colocar um vestido vermelho quadriculado junto a uma sandália preta. Apresentável e delicada, do jeito como sempre fazia com que eu me sentisse bem.

— Alô. — disse em um resmungo enquanto colocava o celular na orelha, o segurando com o ombro ao ainda abotoar a sandália no pé.

Não gosto de atrasos. — sua voz rouca e claramente sonolenta murmurou do outro lado.

— Aposto que acordou agora. — retruquei em um tom duro.

Acordou de mau humor de novo, senhorita Kim? Bom dia pra você também. Dormi maravilhosamente bem, obrigada por perguntar! — primeira ironia do dia realizada com sucesso.

Afastei brevemente o telefone celular de minha orelha enquanto respirava fundo.

— Por deus, o que fiz para merecer essa enorme e pesada cruz? — disse dramaticamente ao olhar para cima, logo trazendo de volta o telefone até a orelha. — Estou praticamente arrumada e espero que também esteja quando eu chegar. Chegarei ao meio dia. Em ponto. Bom dia, Lalisa.

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