9. Burn Slow

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"Um pouco louco desde o início, incêndios como esses podem separar o mundo.(...) Porque as faíscas no escuro vão arrancar meu coração e começar um incêndio. Baby, podemos queimar lentamente?"


Burn Slow - Jaira Burns


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Depois de receberem o cronograma e conhecerem alguns de seus professores, todos os calouros foram convocados a se reunir no auditório para uma cerimônia de boas-vindas. Hoseok, que já sabia de tudo graças às dicas de Jimin durante o café da manhã, estava um pouco mais tranquilo. Quanto ao restante dos alunos era fácil dizer que a maioria parecia perdido, sem saber o que esperar.

Ao entrar no auditório, Hoseok rapidamente procurou um lugar para sentar, mais ao fundo e longe da agitação da pequena multidão. O espaço não era enorme, tinha capacidade para cerca de cem pessoas, mas era perfeito para aquela ocasião.

De onde estava, Hoseok tinha uma visão perfeita e clara do pequeno palco de madeira envernizada, tão bonito que parecia brilhar suavemente sob as luzes do auditório. Um microfone sem fio e uma caixa de som grande estavam posicionados no palco enquanto dois alunos do curso de Física trabalhavam para ajustar toda aquela aparelhagem.

Ele viu quando Taehyung saiu de trás de uma área coberta por uma cortina azul marinho, mais ao fundo do palco. Por curiosidade, se ajeitou na cadeira e esticou o pescoço para observá-lo com atenção. Taehyung podia até ter mil e um defeitos; metido, egocêntrico e mais um monte de outras coisas, mas Hoseok não seria louco de negar que ele estava bonito naquele uniforme de tons vinho e bege. Fodidamente lindo. Os dois botões abertos eram uma pura tentativa de chamar ainda mais atenção, como se todo o resto do pacote já não bastasse.

Hoseok não desviou a atenção um segundo sequer.

Observou atentamente o seu veterano remexer as madeixas claras com as pontas dos dedos e o seu corpo grande se mover de um lado para o outro naquele palco. Hoseok desfez a postura reta e se jogou contra a cadeira estofada de modo desleixado, coçou a ponta do nariz com as costas do indicador e mordiscou o lábio inferior com os caninos de um jeito inconsciente, mas discreto, e tombando a cabeça para o lado logo em seguida. Atento como se as aulas já tivessem oficialmente começado e algum professor estivesse lecionando teoria eletromagnética.

Hoseok fechou os olhos por dois segundos e negou com a cabeça. Como diabos alguém como Taehyung estava conseguindo lhe tirar do eixo em tão pouco tempo? Como podia alguém como ele estar lhe causando tantas sensações familiares no qual preferia morrer do que admitir em voz alta.

Porque, bem, Hoseok sentia atração por alguém que julgava ser errado e não era a primeira vez que isso acontecia, mas certamente estava disposto a deixar isso morrer. E por mais que odiasse essa constatação, acreditava que confessar em pensamento que Taehyung andava lhe causando queimação demais na boca do estômago era o caminho mais fácil de conseguir lidar com essa emoção.

Hoseok guardaria esse segredo para si mesmo que isso significasse levar o silêncio para o túmulo. Jamais admitiria em voz alta que o olhar felino e rebelde de Taehyung, recheado de superioridade, havia despertado uma certa curiosidade, como se sua própria alma estivesse gritando por respostas, mas o seu orgulho ainda era um muro resistente e difícil de atravessar.

Preferia perder a fala a admitir que queria descobrir o segredo por trás daquele olhar, que queria saber qual era a sensação de tê-lo na palma de sua mão. E esse estranho desejo já estava começando a deixá-lo ansioso, confuso, talvez maluco.

Good Together | vhopeOnde histórias criam vida. Descubra agora