Quando eu nasci, as expectativas eram muitas. Não eram aquelas expectativas normais, de um bebê chegando para aumentar e iluminar a família... não! Nos primeiros meses de gravidez minha mãe recebeu o diagnóstico de que havia contraído uma doença chamada TOXOPLASMOSE.
→ Toxoplasmose é uma doença infecciosa, causada por um protozoário de nome Toxoplasma gondii. Este ser microscópico é encontrado, normalmente, nas fezes de gatos.
Pois bem, tanto as pessoas quanto os animais podem hospedar o dito do parasita... virar hotel de parasita mesmo! Normalmente a contaminação acontece pela ingestão de alimentos contaminados, mas não foi o que aconteceu com a minha mãe, até porque na minha vida tudo acontece diferente! Há uma chance menor das pessoas se contaminarem usando facas ou outros utensílios de cozinha contaminados ou através de transfusão de sangue ou transplante de órgãos. Nada disso aconteceu! Minha mãe estava preparando uma deliciosa refeição com outras pessoas a base de pomba! Sim, eu disse pomba! Aquele bicho que fica fazendo sons esquisitos no telhado e que todo mundo diz que passa doença e a gente não entende o porquê. A tal da pomba devia ter pisado em merda de gato contaminado com o lindo Toxoplasma gondii e minha mãe, depenando a bichana, se cortou! O ser, invisível ao olho nu, foi lá e resolveu morar no corpo da minha mãe. Que beleza....
O bonito do ser pode infectar quase todas as partes do organismo dos humanos, até o cérebro, os músculos e o coração. Mas isto apenas se a pessoa não for saudável, já tiver uma porta aberta para doenças. O sistema imunológico da minha mãe estava em dia. Ufa! Mas ela estava grávida e a doença é transmitida pela placenta. Enquanto a média de infecção nestes casos é de 30%, os médicos alertaram que minha mãe tinha mais de 70% de chance de transmitir a doença pra mim. O que isto quer dizer? Simples, vou explicar: a grávida não tem sintoma algum, cria até anticorpos e descobre a doença por exames de sangue. O bebê pode nascer com diversas anomalias, além do risco de um aborto espontâneo. Não houve aborto espontâneo, mas os médicos chegaram a sugerir aborto provocado mesmo. Teve até médico que a expulsou do consultório porque não iria se responsabilizar pelo monstro que estava se formando.
Legal... gostei de ser o MONSTRO. Talvez isto explique porque me acho diferentona de todo mundo. O monstro iria nascer com anomalias de diversas ordens, físicas e mentais, não dava pra ter certeza 100% do que vinha pela frente. Pois é, admito que ela foi guerreira, foi forte pra caralho. Enfrentou o mundo pra ter o seu próprio monstrinho. Admiro, respeito, até invejo esta coragem!
Não parou por aí! No sétimo mês de gravidez, meus pais resolveram ir à praia. Sei lá se tinham um motivo específico ou se foram apenas passear mesmo, até porque Curitiba não tem praia, mas o litoral está a uma hora daqui! De boas, no rasinho, aquela pança habitada pelo monstro e veio a onda... putz! Buraco. Caiu, onda passando por cima, não dava pra respirar. É monstro, não é peixe! Desacordada, rezou, pediu a Deus, entregou nossas almas, mas não! Não era desta vez. Sobrevivemos! As duas...
Se eu fosse a mãe neste caso, juro que pensaria: será que Deus se equivocou na hora de enviar este ser pra minha barriga e agora tá tentando arrumar a cagada? Minha mãe garante que nunca pensou assim, que sabia que estávamos passando por provações e que no final, nós venceríamos. Quero ter toda esta lucidez na vida adulta!
Pois bem, pasmem: EU NASCI! Sim... e eu nasci viva.
A primeira pergunta na sala de parto foi:
- É perfeita, doutor?
- APARENTEMENTE, sim!
Não dava para se precipitar, apesar de que as lágrimas não foram contidas. Um misto de alívio, de alegria, de fé. Se bem que toda mãe chora quando ouve o chorinho do bebê, mas neste caso era diferente, com certeza! Nada de empolgação excessiva: ainda era preciso uma bateria de exames para analisar a parte neurológica, motora e intelectual.
Eu já nasci contrariando a Medicina... nenhum comprometimento físico, nenhum comprometimento intelectual! Quer dizer, me acho meio maluca, mas a Medicina não é capaz de fazer este diagnóstico. Sou sim, mas quem não é? De médico e louco....
Pois bem, por isso que eu disse que havia muita expectativa sobre meu nascimento, sobre a aparência que o monstro teria, sobre as impossibilidades que estariam por vir....
Na verdade, aprendi a ter fé desde antes de nascer! Não acredito que você precise frequentar esta ou aquela igreja, esta ou aquela religião, mas é necessário crer, principalmente para poder continuar acreditando e tendo esperanças nas situações para as quais os seres humanos não têm respostas. Digo mais, se tiver interesse em frequentar algum local sagrado, faça isto! A fé é mais forte quando exercitada, quando compartilhada! Tipo a lógica da fotografia: quanto mais você tira, mais você tem... Fé não é bolo: pode compartilhar a vontade que ela só aumenta!
Vamos combinar que cada Capítulo deste livro tem que valer um conhecimento, pra ter sentido. Seguinte, então: não sei se você percebeu, mas marquei os porquês durante este segundo Capítulo, porque todo mundo tem dúvida de como usar corretamente. Aproveita pra gravar esta regrinha então... garanto que vai dar certo 100% das vezes:
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OS PORQUÊS
SEPARADO: Why? É o porquê das perguntas. Mesmo que não tenha uma interrogação, você pode acrescentar a palavra MOTIVO na frase sem alterar o sentido.
Por que (MOTIVO) ela não foi à festa?
Eu não sei exatamente por que (MOTIVO) ela saiu mais cedo hoje.
JUNTO: Because! É o porquê da resposta e não aceita a palavra MOTIVO, pois a frase ficaria sem sentido. Outro motivo para usar junto é quando o porquê vem acompanhado deste O, que faz ele se tornar um substantivo.
Ela não foi à festa porque não queria encontrar você.
Eu não sei o porquê dela ter saído mais cedo hoje.
COM ACENTO: junto ou separado, o porquê ganha acento em duas situações: seja por estar encostado com a pontuação ou por ser o substantivo.
Eu sei que ela me ama, mas não entendo o porquê.
SEM ACENTO: junto ou separado, o porquê não tem acento nas outras situações: não está encostado nas pontuações ou não é um substantivo.
Compreendeu por que agora?
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PRIMEIRO QUARTO
Novela JuvenilQuero viver 100 anos! Bom, mas isto desde que eu tenha lucidez e possa me virar sozinha... aí fiquei pensando em como contar as mudanças que vão acontecendo conosco, os caminhos que vamos traçando, as correções de rotas que fazemos ou que nos são im...
