Inevitável. Capítulo único.

11 3 0
                                    

Malta!
Esse era o destino da minha viagem, após tanto estresse no trabalho minhas férias foram anunciadas e eu mais do que depressa fiz minhas malas e parti rumo ao mediterrâneo. Sozinha, sem preocupações, sem cobranças, apenas querendo um período de paz comigo mesma e descanso.
Saí do Brasil em uma sexta feira à noite desejando chegar em segurança ao país desconhecido. Após horas e horas de vôo desembarquei no aeroporto de Malta e céus, que lugar incrível.
A cidade em si é pequena, porém extremamente bonita e aconchegante, às pessoas sorriam e algumas até me cumprimentaram, realmente a educação é de outro nível. Aluguei uma espécie de hostel apenas para poder tomar banho e dormir já que o meu objetivo é explorar cada cantinho dessa cidade.
Larguei minhas malas no quarto, tomei um banho rápido, vesti uma roupa confortável composta por uma blusa branca simples, um short jeans preto e alpargatas também da cor preta nos pés; me banhei teoricamente com protetor solar pois aqui é muito quente, coloquei meu óculos escuros e um chapéu. Ao me olhar no espelho. - Até que não está tão ruim, se bem que eu estou com muita cara de turista!- ri de mim mesma falando sozinha, apanhei minha bolsa junto de um mapa e saí dali disposta a conhecer tudo.

》》》》》》》》》》》》》》》》》》

A cidade de fato é bonita e tranquila, me senti tão relaxada que passei a cogitar a idéia de nunca mais sair daqui. - Que lugar incrível!- exclamei maravilhada com os olhos brilhando de excitação. A minha vontade era de arrumar um barquinho e um cachorro e viver ali para sempre, porém minha realidade obviamente não me permitiria isso então, de alguma forma eu levaria inúmeras lembranças dali e claro que uma dessas formas seriam em fotos. Com minha câmera em mãos capturei imagens de tudo quanto eram coisas e pessoas. Um passo, click, foto do pássaro, outro passo, click, foto do casal fofo andando na rua de mãos dadas, outro passo, click, foto de uma construção incrível, mas um passo e esbarro e quase caio em cima de alguém. – Me desculpe!- pedi totalmente envergonhada e com receio de ter machucado a pessoa que ainda não tinha me mostrado seu rosto. Ela estava agachada e eu totalmente distraída – como sempre - com a paisagem e as fotos quase caí por cima dela. Me abaixei em sua altura, claro que falando o idioma clássico, inglês. – Você está bem? - perguntei.
- Estou.- o rapaz respondeu com uma voz melodiosa e sorriu.
- Me desculpe, eu não vi você.- ditei afobada me sentindo péssima por quase ter caído por cima dele.
- Eu sei.- riu. – Você estava bem distraída tirando fotos de cada centímetro da cidade. Senti minhas bochechas corarem em total vergonha e por um segundo o seu rosto não me era estranho, eu jurava que já tinha o visto em algum lugar. Estendi minha mão e o ajudei a se levantar. – Você deveria prestar mais atenção senão poderá se machucar. Aqui tem alguns buracos e as ruas são movimentadas.- me alertou soando o mais educado possível e com isso me senti pior ainda, além de quase machuca-lo, levei um sermão, mesmo que de maneira educada, ainda assim não deixava de ser uma bronca.
- Ah! Claro. Eu irei prestar atenção sim, obrigada. - sorri amarelo e quase gaguejei. – Mais uma vez me desculpe.- pedi da maneira mais sincera possível.
- Sem problemas!- ajeitou o seu chapéu. Um grito foi ouvido e então nos despedimos. – Bom, eu preciso ir.- ele disse sem quebrar o contato visual que mantinhamos.
- Tudo bem eu também.- desviei o olhar para o chão.
Antes de ir embora ele me estendeu a mão e se apresentou. – Prazer Kim Namjoon.
Hesitei mas apertei sua mão retribuindo ao gesto de cumprimento. – Ana! O prazer é meu.- respondi totalmente sem graça, ainda estava morrendo de vergonha.
- Hey não precisa ter tanta vergonha assim.- riu e tocou meu queixo. - Espero te ver novamente.- ditou olhando fixamente em meus olhos e exibindo suas adoráveis covinhas me fazendo ficar com as bochechas totalmente rubras.
- Do jeito que essa cidade é enorme é bem capaz de nos encontrarmos novamente. Ditei divertida tentando dissipar o clima, minha vontade era de sair correndo eu nunca soube lhe dar com situações embaraçosas. Outro grito foi ouvido. – Bom é melhor você ir. Até mais.- acenei.  
- Até mais.- saiu de encontro com um grupo de rapazes que gritavam e riam sem parar.
Continuei o que eu estava fazendo e então comecei a tentar lembrar onde eu tinha o visto. Kim Namjoon, seu nome, seu rosto não me eram estranhos. Puxei o celular e abri o navegador. – Vamos lá google, me ajude. Balbuciei.
Bingo! "Kim Namjoon mais conhecido por Rap Monster ou Rm, é líder e integrante da maior boyband do mundo, bts.
방탄소년단 mais conhecido como BTS, é um grupo de k-pop sul coreano de maior sucesso da atualidade...”
- Oh!- exclamei. – Sabia que já tinha ouvido falar.- eu estou bem desatualizada do mundo musical, portanto não sei nem o tipo de música que fazem. Já ouvi falar sobre eles pois, quando vou pesquisar algo na internet eles aparecem como notícia principal. – Caramba, conheci um cantor famoso. Deveria ter pedido uma foto?- fiz uma expressão confusa. - Não, quem me conhece sabe que eu nunca peço foto com pessoas famosas e olha que eu já trabalhei com artistas.- balancei a cabeça em negação falando sozinha e rezando para que ninguém tivesse presenciado aquilo.
Olhei para trás e o grupo tinha desaparecido. – Foi só uma coincidência, estar no mesmo lugar que eles. Quem dera se eu fosse fã, acho que teria um treco.- ri de mim mesma parecendo uma maluca falando com o vento. Continuei o trajeto observando a tudo e a todos e tirando mais milhares de fotos, claro que dessa vez prestando atenção para não tropeçar ou cair em mais ninguém. Olhei no relógio e eram em torno de meio dia, a barriga roncou alto então decidi ir almoçar em qualquer restaurante.
Pedi indicação ao um morador local de um bom lugar para se comer e o senhor me indicou um restaurante que ficava na rua de cima a que eu estava, agradeci e até tirei uma foto com ele de lembrança, ele era tão fofo e simpático que eu não poderia perder essa. Sim, eu sou maluca por fotos.
Caminhei vagarosamente até o lugar indicado, eu estava exausta e com muito calor, minhas bochechas estavam vermelhas –dessa vez por causa do sol- assim como meus braços e pernas, um claro sinal de que eu deveria retocar a camada de protetor solar. Adentrei o restaurante e o garçom simpático e bonito aliás, me atendeu e me indicou uma mesa. Me surpreendi pois ele puxou a cadeira para mim, coisa que não acontece no Brasil, ele riu da minha expressão e eu expliquei o porquê te ter reagido assim. Aproveitei a simpatia extrema do rapaz e pedi uma sugestão do cardápio, ele me sugeriu um risoto com carne de coelho, uma salada típica do local e um vinho tinto para acompanhar. Aceitei a sugestão do prato mas dispensei o vinho, eu estava com sede e queria um copo enorme de suco de laranja bem gelado e docinho. A gente sai do Brasil mas o Brasil não sai da gente, fazer o que? (Risos)
Ele anotou meu pedido e se retirou, enquanto a comida não chegava fui responder algumas mensagens no meu celular. Estava tão distraída mexendo no aparelho que nem notei o garçom trazendo o meu pedido. Agradeci e coloquei a primeira colher do alimento na boca. Fechei os olhos como a Ana Maria Braga faz em deleite com aquele sabor incrível, só me faltava um louro José, soltar os cachorros e passar por debaixo da mesa. – Hmmmmm!- exclamei. – Que negócio gostoso!- já provei comida boa mas como aquela era a primeira vez, a textura, o tempero, tudo era de fato muito saboroso. Continuei com cara de boba provando a comida e senti um incômodo.
Sabe aquela sensação de estar sendo observada? Pois bem, olhei para frente e lá estava ele, Kim Namjoon com os rapazes que deduzi ser o restante do grupo BTS me olhando com um sorriso amplo no rosto. Se eu já estava vermelha por conta do sol, agora estava mais vermelha ainda por conta de mais uma vergonha. Com toda a certeza do mundo ele viu minha cara de patética provando a comida. Eu sou muito boa em passar por constrangimentos e em distrações. Me encolhi na cadeira e passei a comer rapidamente, eu só queria sair dali e me esconder no primeiro buraco que eu encontrasse.

Inevitável.  Onde histórias criam vida. Descubra agora